Resenha: Cavalera – “Schizophrenia” (2024)

Um ano após terem regravado os clássicos “Bestial Devastation” e “Morbid Visions“, os irmãos Max e Iggor Cavalera estão de volta, regravando “Schizophrenia“, que à exemplo dos outros dois, só sairá na gringa, via “Nuclear Blast“. As razões, já sabemos, são os direitos autorais, pertencentes à Cogumelo e a Shinigami, que comumente lança em versão nacional as bolachas que saem pela NB, não vai comprar essa briga. Uma pena, quem sai perdendo é o fã.

Os irmãos estão na companhia do filho de Max, Igor Amadeus, que assumiu o baixo e na guitarra solo está o baixista do Pig Destroyer, Travis Stone. A receita é a mesma dos lançamentos anteriores: regravar faixa a faixa, com direito a uma nova composição como bônus: e ao contrário das outras duas regravações, quando as faixas extras são composições em língua portuguesa, aqui eles se voltaram ao idioma de Shakespeare, com a inédita “Nightmares of Dellirium“.

Igualmente como nos lançamentos anteriores, eles respeitaram a arte da capa, desenhada novamente pelo artista Eliran Kantor. A ordem das faixas também foi mantida como no lançamento original e o que temos aqui é um ganho em relação a qualidade de gravação. Em 1987, o Brasil não era a referência que é hoje em termos de estúdio e de pessoas qualificadas para produzir álbuns de Heavy Metal e por isso a necessidade de repaginar a obra. “Schizophrenia” pode ser considerado verdadeiramente o primeiro álbum do Sepultura e foi a partir deste, e com a entrada de Andreas Kisser, que os brasileiros se tornaram conhecidos mundo afora. Claro que muitos, puramente por conservadorismo, terão repulsa por essa regravação, mas ela não anula o que foi feito, há 37 anos atrás, ao contrário, traz uma perspectiva melhor e mais moderna para as músicas que já demonstravam um poder letal, mas que não pôde ser bem compreendida naquele álbum lançado sob o nome Sepultura. E para corroborar essa afirmação, basta o ouvinte escutar o CD, caso tenha, e compare as músicas tocadas, com a bônus track, “Troops of Doom“, que entrou na prensagem feita pela Roadrunner. Há diferença. E não querer aceitar isso é puramente ser cabeça fechada.

Grandes clássicos escritos pelos irmãos, como “From the Past Come the Storms“, “To The Wall“, “Escape to the Void“, “Inquisition Symphony“, “Septic Schizo“, entre outras, ganharam uma robustez que não seria imaginável no lançamento original. O “Schizophrenia” de Max e Iggor não vai apagar o “Schizophrenia” lançado anteriormente pelo Sepultura, mas é uma maneira de resgatar o passado, que hoje, Andreas tanto tenta se desgarrar, mas que os shows não deixam, já que as músicas que levantam mesmo o público são as a da formação clássica.

Apesar da resistência enorme por alguns, e honestamente, incompreensível, porque reviver o passado é resgatar a memória dos primórdios, lembrar do que eles eram antes de se tornar esse grande nome que se tornaram da música pesada, ainda mais em um país onde o Heavy Metal está longe de ser uma música popularesca. Os irmãos acertaram em cheio ao regravar esse clássico do Thrash Metal oitentista. Continua old-school, pesado e intenso. Mas o headbanger conservador (duas palavras que não cabem na mesma frase) vai torcer o nariz. Azar o deles.

NOTA: 10

2 thoughts on “Resenha: Cavalera – “Schizophrenia” (2024)

  • junho 22, 2024 em 10:50 pm
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    ¨E não querer aceitar isso é puramente ser cabeça fechada.¨!!!! Foi o que eu cheguei a comentar com um amigo meu…tem uns caras aqui onde moro que antes do album ser Lançado/Relançado, já vieram com as críticas que vc imagina: ¨Ah!!!! pra quê mecher no passado, ali tá a essência do Sepultura¨!!!! Como eu disse uma vez, o problema dos primóridos discos do Sepultura era a má qualidade da gravação e produção do disco…agora sim, dá para ouvir com uma qualidade melhor!!!! Valeu!!!!

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