Evanescence joga no tradicional com “Sanctuary”, mas deixa sensação de potencial desperdiçado
O Evanescence está de volta com “Sanctuary”, seu quinto álbum de estúdio, lançado nesta sexta-feira (5). Para apresentar o trabalho ao público, a banda escolheu “Who Will You Follow” como primeiro single, uma faixa que imediatamente remete a momentos marcantes de sua trajetória. Naturalmente, a expectativa em torno do disco cresceu entre os fãs.
Ninguém esperava um novo “Fallen”, repleto de hits e destinado a dominar as paradas. Esse nunca pareceu ser o objetivo de Amy Lee. O sucesso estrondoso do álbum de estreia aconteceu quase de forma espontânea, enquanto os trabalhos posteriores mostraram uma artista mais interessada em explorar sua criatividade do que em repetir fórmulas. Ainda assim, o videoclipe com estética inspirada nos anos 2000 e a abordagem mais tradicional de “Who Will You Follow” deixavam claro que a banda estava olhando para o próprio passado de certa forma.
E isso realmente acontece. “Sanctuary” traz elementos dos quatro discos anteriores do Evanescence e até algumas referências sutis a “Origin”, algo que não surpreende considerando a influência de Amy Lee como principal compositora desde os primeiros dias da banda. O problema é que, ao final da audição, fica a sensação de que algo foi deixado para trás. Não pela incapacidade de ser um bom trabalho, longe disso, mas por não conseguir atingir todo o impacto que parece buscar, especialmente após o divisivo “The Bitter Truth” de 2021.
A abertura com “Beautiful Life” funciona muito bem. A faixa combina melodias cativantes, refrão atmosférico, batidas marcantes e camadas vocais que remetem diretamente à identidade construída pela banda ao longo dos anos. Amy Lee, como de costume, entrega uma performance impecável.
Na sequência, “Tell Me When You’ve Had Enough” acelera o ritmo e destaca o baixo de Emma Anzai, em seu primeiro álbum de estúdio com o grupo. O refrão tem potencial para funcionar muito bem ao vivo, mas aqui surge um problema que se repetirá durante boa parte do disco. Quando a música desacelera para destacar o instrumental, o momento perde força pela ausência de riffs realmente marcantes. Em diversos momentos, a dupla Tim McCord e Troy McLawhorn parece incapaz de atingir o peso que as composições pedem. A mesma sensação aparece em “Who Will You Follow”. Trata-se de uma ótima música, provavelmente destinada a permanecer por muito tempo nos setlists da banda, mas que constantemente transmite a impressão de que poderia ser ainda melhor. É difícil não imaginar como algumas dessas faixas soariam nas mãos de Terry Balsamo, responsável por alguns dos riffs mais memoráveis da história recente do grupo.
Se existe um momento em que Amy Lee demonstra tudo aquilo que faz de melhor, esse momento é “Rapture”. A faixa reúne refrão poderoso, elementos eletrônicos, vocais sussurrados e explosões emocionais que transformam a música em um dos pontos altos do álbum. Já “Afterlife”, conhecida pelo público há algum tempo, também sofre com a mesma limitação encontrada em outras faixas. A composição cresce de maneira promissora, especialmente em sua reta final, mas nunca alcança a explosão sonora que parece anunciar.
A faixa-título, “Sanctuary”, talvez seja a que melhor encontra equilíbrio entre todos os elementos do álbum. Impulsionada pela bateria precisa de Will Hunt, ela apresenta riffs mais quebrados e agressivos, algo que o Evanescence não explorava com tanta eficiência há bastante tempo. Não por acaso, foi escolhida para dar nome ao disco. Em seguida, “How Do I Heal” assume o papel da tradicional balada ao piano. É uma música que certamente agradará os fãs mais nostálgicos e reforça uma das características mais marcantes da carreira de Amy Lee: sua capacidade de transformar vulnerabilidade em grandes melodias.
Na reta final, o álbum apresenta alguns momentos menos inspirados, como “Calm Down”, enquanto “Self-Destruct” surge como uma das faixas mais interessantes do trabalho e talvez merecesse uma posição de maior destaque na primeira metade do disco. Mais uma vez, Will Hunt se destaca pelo excelente trabalho na bateria.
O encerramento fica por conta de “Wide Open Heart”, uma balada gótica carregada de emoção, refrão marcante e atmosfera melancólica, fechando o álbum de maneira bastante eficiente.
“Sanctuary” é um bom disco. Acerta na ambientação, nas melodias e, principalmente, na qualidade das composições de Amy Lee. O problema é que ele constantemente transmite a sensação de que poderia ser maior. A falta de riffs realmente memoráveis e de momentos mais impactantes impede que o álbum alcance todo o seu potencial.
Ainda assim, a competência de Amy Lee como compositora permanece intacta. Mesmo quando o resultado não impressiona totalmente, dificilmente ela entrega algo que possa ser considerado ruim. E talvez seja justamente seu tom nostálgico, mais próximo das raízes da banda do que o antecessor, que faça de “Sanctuary” um álbum capaz de conquistar rapidamente os fãs mais saudosos.
