Ricardo Confessori revela que houve conversas para um quarto disco da formação clássica do Angra

O Angra lançou somente três discos completos e um único EP com a sua formação clássica, que consistia em Andre Matos, Rafael Bittencourt, Kiko Loureiro, Luis Mariutti e Ricardo Confessori. Logo ao fim da turnê do “Fireworks“, houve a separação e o resto virou história. Mas antes do rompimento final acontecer, houve conversas de um possível quarto disco com esses integrantes.

Em conversa com o Ibagenscast, Ricardo falou que no meio da turnê do terceiro disco, o agente da banda falava que alguns andamento de um novo álbum já estavam acontecendo, mesmo eles não tendo mostrando muito interesse em seguir com essa ideia. Ele fala sobre o clima da banda naquela época e desmistifica a história de que ninguém se falava e era um clima de briga o tempo inteiro:

Mas assim, a gente se falava de boa, cara. A gente não tava brigado desse jeito. Naquela época, eu lembro que a gente meio que falou assim: “Ah cara, vamos fazendo essas turnês aí, vamos vendo no que dá, né?”. Foi meio assim: “Ah beleza, então vai, vamos fazendo”. Aí quando veio a proposta de: “Olha, agora vem o próximo disco”, você entendeu? Essa foi a fase que eu pisei no brake, porque veio aquela proposta já: “Olha, agora o próximo disco, eu já falei com tal produtor” explicou Confessori – Aí eu falei: “Não, pera aí. Eu e os outros caras lá não concordamos em fazer outro disco”. Já tinham planos prontos. Porque assim, cara, o manager, quando fica te enrolando — e isso fica a dica aí pra galera nova de banda — ele vai te empurrando com a barriga. Sempre vem com uma coisa nova pra você não puxar assunto antigo, né? Pra não perder você de vista. Não, mas isso aqui já tá certo, ó… olha a lista aqui”. “Ah tá, mas tem que responder amanhã, viu? Amanhã perde”. É sempre aquela pressão.

Ricardo continua:

Aí a gente falou: “Não, pera aí, a gente não quer isso não. Primeiro a gente tem que arrumar a casa”. Porque a gente tinha perdido a Sanctuary por causa do Antônio Pirani, que não passava uma conta, um documento, nada que os caras queriam ver. Falavam: “Meu, você é empresário da banda, deixa eu ver o contrato, deixa eu ver se você realmente possui a banda. Como a gente vai fazer negócio com você?. Você tem o registro do nome? Mostra. Você tem as contas? Mostra a contabilidade”. E o cara ficou enrolando os caras por um tempão. A gente falava: “Cara, mostra essa porra logo, a gente quer ir pra Sanctuary e dar certo na vida. Aí não. Quando a gente perdeu a Sanctuary, foi a hora que a gente falou: “Agora mete o pé no brake”.

Confessori continua falando ao ser abordado sobre os supostos discos piratas que era lançados e vendidos sem consentimento do Angra:

Ah, isso aí sempre teve também. A gente assinava mil cópias em dois dias no Chile e o cara falava que vendeu 500. Tipo assim: “Pô, mas como vendeu 500 se eu fiquei seis horas assinando CD aqui? Mas resumindo: durante a turnê não tava esse clima horrível. A gente falou: “Velho, vamos tocar, vamos ser felizes”. Tanto que os outros integrantes acharam que a gente já tinha esquecido do combinado. Porque o combinado era: quando parar, aí sim a gente resolve tudo e vai pra outro esquema. Teve papo, sim. Inclusive o empresariamento já vinha no meio da turnê falando: “Vamos fazer o quarto disco”. “Tô falando com tal produtor”. “Vocês querem o Tue Madsen de novo? O Charlie vai estar livre”. Parecia que o cara tava em estado de demência, porque não escutava o que a gente falava. Aí a gente respondia: “Cara, você não lembra do papo?”. Mas também não dava pra ficar discutindo aquilo o tempo todo, porque a gente precisava tocar bem. Não dá pra ficar falando dessas coisas toda hora. É igual casamento, né? Você tá com um problema sério acontecendo, não vai parar naquele momento pra discutir separação. Primeiro resolve o que tá acontecendo, depois conversa sobre o resto. Então ninguém ficava fazendo escândalo no meio da turnê igual esses caras do Cradle of Filth fizeram recentemente. Tipo: “Ah, não tô ganhando direito, vou sair do hotel e não vou tocar”. A gente também não era sem noção. A banda era nossa também.

Marcio Machado

Formado em História pela Universidade Estadual de Minas Gerais. Fundador e editor do Confere Só, que começou como um perfil do instagram em 2020, para em 2022 se expandir para um site. Ouvinte de rock/metal desde os 15 anos, nunca foi suficiente só ouvir aquela música, mas era preciso debater sobre, destrinchar a obra, daí surgiu a vontade de escrever que foi crescendo e chegando a lugares como o Whiplash, Headbangers Brasil, Headbangers News, 80 Minutos, Gaveta de Bagunças e outros, até ter sua própria casa!

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