S.H.A.V. faz show sem identidade e ainda é só “a outra banda do Shavo”

Foi curioso perceber que o Seven Hours After Violet ainda é um nome praticamente desconhecido para boa parte do público — e que muita gente sequer sabe que o projeto é liderado por Shavo Odadjian, baixista do System of a Down, que aqui assume novamente seu posto nas quatro cordas.

Chamava atenção ver pessoas próximas perguntando “é o Shavo?”, mesmo esta sendo a segunda passagem do grupo pelo Brasil — a estreia aconteceu no Knotfest Brasil de 2024. E essa reação conversa diretamente com a própria (não) identidade do Seven Hours After Violet: uma banda que ainda parece perdida em meio às próprias referências, tentando unir diferentes sonoridades em um mesmo espaço, mas que frequentemente soa desconexa em sua proposta.

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Escalado como primeira atração internacional da abertura do show do Korn, o S.H.A.V., como o grupo também é chamado, chegou ao palco carregando apenas um disco na bagagem e iniciou sua apresentação com “Abandon”. O volume absurdamente alto — especialmente da bateria — acabou prejudicando ainda mais os problemas técnicos do microfone de Taylor Barber, cuja voz ficou praticamente inaudível durante parte da execução. Em contrapartida, Alejandro Aranda, responsável pelos vocais limpos e também um dos guitarristas, apareceu muito mais evidente na mixagem. A formação ainda conta com o guitarrista Michael Montoya e o baterista Josh Johnson.

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A proposta da banda é justamente fundir diferentes estilos em uma identidade única, mas o resultado ainda parece confuso para um grupo que claramente busca encontrar seu próprio caminho. As influências passam pelo nu metal — inevitavelmente remetendo ao próprio System of a Down — enquanto elementos de metalcore e deathcore aparecem o tempo inteiro. Em determinados momentos, a sensação é de ouvir algo próximo ao Carnifex, sustentado por breakdowns extremamente pesados; segundos depois, entra um refrão melódico que soa diretamente inspirado pelo Deftones, quebrando completamente a dinâmica construída até então.

Alive” talvez tenha sido a faixa que mais agradou aos fãs de System of a Down, especialmente pelos riffs que lembram diretamente a banda principal de Shavo, além do refrão mais melódico e facilmente assimilável. “Go!” também teve boa resposta do público, com o volume ensurdecedor parecendo literalmente explodir para quem estava nas primeiras fileiras. Já “Float” poderia facilmente integrar algum disco do Deftones, mergulhando de vez na estética noventista do nu metal. O mesmo vale para “Gloom”, embora a música tenha esfriado a reação da plateia, que até então vinha abrindo rodas e respondendo bem às faixas anteriores.

A apresentação ainda contou com a inédita “Graves”, momento em que a banda pediu para que o público gravasse vídeos e os enviasse através de um QR Code exibido nos telões, material que deverá ser utilizado em um futuro videoclipe.

Com apenas dez músicas executadas naquela noite, o Seven Hours After Violet ainda transmite a sensação de estar correndo atrás de uma identidade própria que parece distante de ser alcançada. Por enquanto, o projeto pouco acrescenta ao cenário atual e acaba preso à condição de ser apenas “a outra banda do Shavo”.

Foto: PridiaBr/30e

Marcio Machado

Formado em História pela Universidade Estadual de Minas Gerais. Fundador e editor do Confere Só, que começou como um perfil do instagram em 2020, para em 2022 se expandir para um site. Ouvinte de rock/metal desde os 15 anos, nunca foi suficiente só ouvir aquela música, mas era preciso debater sobre, destrinchar a obra, daí surgiu a vontade de escrever que foi crescendo e chegando a lugares como o Whiplash, Headbangers Brasil, Headbangers News, 80 Minutos, Gaveta de Bagunças e outros, até ter sua própria casa!

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