32 anos de “Far Beyond Driven” e como o Pantera colocou o metal no topo da Billboard

Em março de 1994, o Pantera alcançava um feito que parecia improvável: lançar um dos discos mais agressivos de sua carreira e, ainda assim, estrear diretamente no topo da Billboard 200. “Far Beyond Driven” completa agora 32 anos como um marco absoluto do heavy metal — e um divisor de águas dentro do próprio gênero.

Gravado em um período de tensão criativa e amadurecimento artístico, o álbum foi produzido por Terry Date, parceiro de longa data da banda. A proposta era clara: soar mais pesado, mais cru e ainda mais extremo do que o já consagrado “Vulgar Display of Power” (1992). O resultado foi um trabalho denso, agressivo e sem concessões ao mercado.

Logo na abertura, “Strength Beyond Strength” já estabelece o tom brutal do disco, com guitarras afinadas em tons mais graves e uma performance visceral de Phil Anselmo. Foi nesse período que o vocalista começou a sofrer com problemas em sua coluna, se tornando um hérnia mais tarde. Devido as dores que sentia, ele acabou viciado em analgésicos e heróina, os usando para tentar amenizar os efeitos do problema.

Ao longo do álbum, o guitarrista Dimebag Darrell entrega alguns dos riffs mais criativos e pesados de sua carreira, especialmente em faixas como “Becoming”, com a famosa “dobra de pedais” destruidoras do irmão, Vinnie Paul na bateria e que traz um uso marcante de efeitos, e “I’m Broken”, indicada ao Grammy e que se tornou um dos grandes clássicos do heavy metal do anos 1990.

Outro destaque é “5 Minutes Alone”, uma das músicas mais populares do Pantera, que nasceu de um episódio real envolvendo um conflito entre fãs e Anselmo. Já “Good Friends and a Bottle of Pills” revela o lado mais experimental e perturbador da banda, reforçando a atmosfera sombria do disco.

Sobre “5 Minutes Alone”, Vinnie Paul comenta:

“A história por trás dessa música é que estávamos abrindo o show para o Megadeth, e tinha um cara que ficou nos mostrando o dedo do meio o show inteiro, então paramos a apresentação. E eu disse: ‘Escuta, caso você não tenha percebido, tem 18 mil pessoas que curtem muito o que a gente faz. Você é o único fazendo essa merda sem nem precisar incentivar a plateia.’ Dez caras simplesmente pularam em cima do cara e deram uma surra nele. O pai dele ligou para o empresário depois de todos os processos e tudo mais, e basicamente disse: ‘Me dá cinco minutos com aquele tal de Phil Anselmo. Quero dar uma surra nele.”

A formação clássica, completada por Rex Brown, criando uma base rítmica pesada e precisa. O álbum ainda inclui uma versão inusitada de “Planet Caravan”, do Black Sabbath, mostrando uma faceta mais atmosférica e criando uma versão cheia de identidade.

Mesmo com sua sonoridade extrema, “Far Beyond Driven” vendeu centenas de milhares de cópias logo na primeira semana e conquistou o primeiro lugar nas paradas dos Estados Unidos — um feito raro para o metal pesado. O disco foi certificado como platina e consolidou o Pantera como uma das maiores bandas dos anos 90.

Três décadas depois, o álbum segue influente, sendo referência para bandas de groove metal, metalcore e até vertentes mais modernas do metal extremo. Mais do que um sucesso comercial, “Far Beyond Driven” representa um momento em que o peso e a autenticidade falaram mais alto — e venceram.

Marcio Machado

Formado em História pela Universidade Estadual de Minas Gerais. Fundador e editor do Confere Só, que começou como um perfil do instagram em 2020, para em 2022 se expandir para um site. Ouvinte de rock/metal desde os 15 anos, nunca foi suficiente só ouvir aquela música, mas era preciso debater sobre, destrinchar a obra, daí surgiu a vontade de escrever que foi crescendo e chegando a lugares como o Whiplash, Headbangers Brasil, Headbangers News, 80 Minutos, Gaveta de Bagunças e outros, até ter sua própria casa!

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