Resenha: Orbit Culture – “Death Above Life” (2025)
“Banda de arena!”, disse Matt Heafy do Trivium em um vídeo certa vez ao se referir ao Orbit Culture. Ele não estava engando. Vindo planteando seu caminho, os suecos apareceram em 2013, mas só mais recentemente tem ganhado o devido destaque que merecem e fazendo grandes turnês pelo mundo.
Aqui no Brasil, eles fizeram sua estreia no Knotfest de 2024, sendo escalado erroneamente muito cedo nas atrações merecendo um tempo com maior público, pois ainda que novatos, o Orbit Culture tem tudo que uma banda gigante necessita. Eles tem o carisma no palco, tem a presença imponente de uma banda de metal e ainda mais importante, uma qualidade musical avassaladora.
Mais uma vez eles provaram isso no ano passado com o seu novo disco “Death Above Life“, lançado pela Century Media e distribuído no Brasil pela Shinigami Records. O álbum foi um dos grandes destaque de 2025 e não a toa.
Abrindo com a poderosa e dramática “Inferna“, um caos sonoro e brutal, carregado de um peso descomunal e muito bem executado, que consegue misturar traços do Gojira e do Metallica em uma mesma música, a abertura é avassaladora e de imediato coloca o ouvido os ouvintes em alerta para o que mais vem pela frente. “Bloodhound” é a seguinte e chega com dois pés na porta com Christopher Wallerstedt fuzilando a bateria de forma insana, numa música visceral e um verdadeiro monstro em forma sonora. A voz de Niklas Karlsson soa rasgante e coloca uma presença absurda na faixa que já na segunda música entrega um dos melhores momentos do álbum. “Inside the Waves” bebe do Metallica (ou seria do próprio Trivium?) em vocais mais limpos em seus versos, apesar de um refrão forte e outra música carregada do peso moderno que a banda usa e abusa.
É notório ver como a produção do disco o quis colocar um tanto barulhento pois é algo extremamente alto ao ponto de ser ensurdecedor ouvir algumas das faixas em um fone de ouvido. É o caso de “The Tales of War“, que traz alguma inspiração no Slipknot com riffs diretos e um refrão carregado no drama, que poderia surgir em um ponto chave de algum filme. “Hydra” é cadenciada e parece um titã andando sobre o chão, fazendo tudo ao seu redor tremer e colocando tudo abaixo em seu estilo “breakdown“. “Death Above Life“, a faixa título não ganhou esse posto por nada pois segue o tom barulhento citado anteriormente, mas com um tom dramático e obscuro, com uma ode que parece desbrava cada segundo de notas executadas durante seus mais de 5 minutos. Um soco na cara que não pede licença para surgir.
Temos quase 1 hora de massacre sono que traz uma produção abafada e obscura propositalmente para realçar todo o conteúdo monstruoso de peso que a banda carrega e nisso, o Orbit Culture acerta em cheio e traz um dos melhores registros que 2025 entregou na música pesada. Se for ouvir no seu fone, esteja preparada para ganhar um bom zumbido por algum tempo, e se for ouvir no seu som, prepare para infernizar muitos vizinhos!
NOTA: 9
