Resenha de livro: Chris Cornell – A Biografia

Chris Cornell é considerado pelo “padrinho” do grunge, tendo levado a frente diversas bandas do movimento e ele próprio tendo feito um grande movimento dentro da interiorana Seattle.

Em 2017, o mundo foi posto em choque com a notícia da sua morte. Se despedia de nós um dos remanescentes do movimento que foi um dos maiores da década de 1990. Foi nesse período que muitas pessoas descobriram que Chris era um cara sem barreiras e que tinha explorado tudo que sua mente provocativa pensava e ele não media esforços para colocar em prática.

Nas palavras do autor, Corbin Reiff, era uma afronta que todos grandes de Seattle, Nirvana, Alice in Chains, e até o próprio grunge, tivessem uma biografia atualizada e o Soundgarden, uma das mais importantes bandas da base do movimento, tivesse uma única biografia velha e sem novidades. Aquele era o momento perfeito para dar um passo rumo a ter o livro escrito e assim ele o fez.

Originalmente intitulado “Chris Cornell – Total Fucking Head“, e quando foi a hora do livro chegar ao Brasil, foi traduzido como “Chris Cornell – O Dono da Porra Toda“. O  nome gerou algumas reclamações, dizendo que o nome não fazia jus a obra do cantor e nem combinava com seu estilo. A Estética Torta, editora responsável por mais essa biografia no país, acabou encurtando o título para algo mais sucinto e clichê, “Chris Cornell – A Biografia“.

Passado essa parte do esforço. Obviamente, a editora entregaria um material a altura de seu “personagem” principal. Estão lá a capa dura, com uma bela foto do nosso protagonista, o nome envernizado e folhas amarelas e grossas. “Envelope” perfeito para o material, que ainda traz um belo postêr com a capa aumentada e pronta para se enquadrar.

Dentro, nos deparamos com um Chris moleque, “salvando” discos dos Beatles de um porão vizinho, que seria açoitado por chuvas e aquele material viraria uma pilha de lixo. Após o resgate, o menino tem um clique em sua mente, e a partir daquilo, nada mais seria como foi. Não só para o próprio jovem Christopher John Boyle, como para o mundo, que descobria anos depois que Seattle seria um celeiro expoente para o mundo, ainda que já estivesse na rota da música, com o mítico Jimi Hendrix e o Heart.

Mas vamos por partes aqui. Se você quer de fato esmiuçar a vida pessoal de Chris ou uma coleção completa de fatos sobre o Soundgarden ou o Audioslave, o livro não atenderá a sua vontade. Em determinado trecho, Corbin diz: À medida que as questões jurídicas relacionadas a Chris e seu espólio vinham à tona, pude perceber o entusiasmo das pessoas falar detalhadamente diminuindo”. Pois sim, após a sua morte, o espólio de Chris entrou em parafuso com brigas jurídicas e outras questões que não entrarei em mérito aqui, mas isso transformou o livro em um desenho da vida artística de Cornell, e como sua presença na cena de Seattle foi extremamente importante e fatídica para o cenário dos 90, que é por diversas vezes creditados a Kurt Cobain e ao Nirvana.

A dificuldade de Corbin é superada por um traçado nas escolhas e momentos da vida de Chris que refletiam em sua arte. Como a traumática morte de Andrew Wood lá no começo de tudo, que foi uma chave virada em sua mente e só a primeira de diversas outras que o cantor passaria pelos anos a frente, como do próprio Cobain e Layne Staley do Alice in Chains, contemporâneos de Chris e do movimento que fizeram parte. Também é traçado como o Soundgarden é uma pedra fundamental do grunge, mas chega “atrasado” a ascenção comercial e reconhecimento mundial, sendo realmente cravado em “Superunknow”.

A existência do Audioslave, pegando todos de surpresa com a junção de um membro do Soundgarden e três do Rage Against the Machine. Ainda que o primeiro disco não tenha sido lá um sucesso de crítica, muitos foram atrás do que seria essa fusão e o disco vendeu muito, porém, Chris passava por um momento turbulento de sua vida pessoal, o que o fez desistir do grupo antes dele colocar o primeiro pé na estrada.

Dentro desse redemoinho, passamos pela carreira solo sem limites do cantor, a derrocada do Audioslave, o retorno do Soundgarden, e o fatídico dia da partida de Chris, com o momento desesperador de não conseguirem contato com ele, até o descrobrirem em um quarto de hotel.

Chris Cornell era uma lenda vida. Se tornou imortal após sua despedida precoce desse plano. Como dito, para aqueles que buscam entender mais a mente criativa e artística de um dos maiores nomes de sua época, o livro é perfeito e crava o homem como digno de estar no hall dos maiores. Definitivamente, o dono da porra toda!

Marcio Machado

Formado em História pela Universidade Estadual de Minas Gerais. Fundador e editor do Confere Só, que começou como um perfil do instagram em 2020, para em 2022 se expandir para um site. Ouvinte de rock/metal desde os 15 anos, nunca foi suficiente só ouvir aquela música, mas era preciso debater sobre, destrinchar a obra, daí surgiu a vontade de escrever que foi crescendo e chegando a lugares como o Whiplash, Headbangers Brasil, Headbangers News, 80 Minutos, Gaveta de Bagunças e outros, até ter sua própria casa!

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