Yngwie Malmsteen faz show exclusivo para fãs no Monsters of Rock e de pouca carisma

Todos que vão à um show de Yngwie Malmsteen sabem o que esperar dele e também da fama que ele tem que não convém aqui ser retratada. Mas, dentro do seu universo megalomaníaco, ele se esquece que as coisas funcionam de forma diferente em diferentes contextos.

Tudo certo quando se trata de um show solo seu e de quem vai até ali vê-lo, mas ao se tratar de um festival como o Monsters of Rock, que abrange diferentes gerações e estilo do rock/metal, uma “amaciada” no setlist seria muito bem vinda, o que não foi o caso aqui.

Malmsteen foi a terceira atração do dia e a primeira a injetar um pouco mais de peso no sábado e abriu muito bem com a forte “Rising Force“, que contou com uma bateria extremamente alta acompanhando os riffs do verso, que deram um início enérgico a apresentação que parecia promissora. Yngwie sobe ao palco com seu visual característico e fazendo os seus famosos “passinhos para trás” ao som dos andamentos da guitarra. “Top Down, Foot Down” vem em seguida e mostra o que o guitarrista sabe fazer de melhor, a sua fritação mostrando solos gigantescos e velozes e que tanto influenciaram tantos outros, principalmente dentro do power metal. “No Rest for the Wicked” dá seguimento com outra faixa instrumental, o que mostrava aí já um certo ponto de interrogação na cabeça de alguns ali presentes, esperando por algum trecho vocal para aqueles que não são próximos da obra do músico.

Soldier” vem na sequência e traz o próprio Malmsteen nas vozes, que parece ter se acertado melhor com essa parte e produz um ótimo exemplar de execução para o festival. Guitarras ao ar para o roadie e “Into Valhalla” surge, com seus contornos épicos, mas que começa a dar um certo ar de cansado aos que estavam presentes, pois mais um instrumental vinha aí.

Daí em diante, Yngwie coloca para fora sua megalomania e chuta o balde com sequências e sequências de instrumentais longos, que foi o ponto para que muitas pessoas fossem ao banheiro, procurassem comida ou até mesmo fossem descansar nos corredores do Allianz Parque.

Blocos desnecessários e extremamentes longos como “Concerto #4/Adagio/Far Beyond the Sun/Bohemian Rhapsody“, em que somente o seu final empolga, por motivos óbvios, são executados como se estivéssemos em uma casa de shows com uma apresentação exclusiva.

Uma pincelada melhor nesse setlist com a integração de faixas como “Vengeance” ou a balada “Forever One” seriam muito bem vindas no dia e com certeza conseguiria atingir a um público muito maior e tornar a apresentação mais cativa e mantendo o pique do seu início. Yngwie Malmsteen se apresentou para os seus fãs de forma exclusiva e com pouquíssima carisma aos seus estranhos, o que foi um erro dentro de sua megalomania e ego, que poderia ter cedido a um set mais acessível e cativante.

Fotos:Ricardo Matsukawa

Marcio Machado

Formado em História pela Universidade Estadual de Minas Gerais. Fundador e editor do Confere Só, que começou como um perfil do instagram em 2020, para em 2022 se expandir para um site. Ouvinte de rock/metal desde os 15 anos, nunca foi suficiente só ouvir aquela música, mas era preciso debater sobre, destrinchar a obra, daí surgiu a vontade de escrever que foi crescendo e chegando a lugares como o Whiplash, Headbangers Brasil, Headbangers News, 80 Minutos, Gaveta de Bagunças e outros, até ter sua própria casa!

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