Krisiun fecha 2023 com estilo e aproveita para mandar recado

Por Metalphysicist
Fotos: André Tedim

Para fechar o ano de 2023 da Rolling Stone Sessions – parceria entre a Revista Rolling Stone e a sofisticada casa de espetáculos Blue Note – a banda convidada foi o Krisiun, pegando a gente da imprensa mais independente de surpresa! Veja bem, não porque o Krisiun não mereça, muito pelo contrário, mas esse lance de Rolling Stone Sessions é geralmente para uma audiência mais requintada e tal – o Blue Note é conhecido como uma casa de Jazz, então os shows anteriores da Rolling Stone Sessions foram tipo BB King Tribute e cantores do tipo The Voice.

E, o Krisiun pisar neste palco significa muito para o Heavy Metal no Brasil, ainda mais quando é uma banda de Death Metal Extremo, que está na jangada desde os anos 90. Aplausos para a reverência da Rolling Stone ao prestigiar o Krisuin, uma banda mundialmente reconhecida como as melhores do circuito de Festivais e tours pela Europa – o epicentro do mercado do Heavy Metal.

Se você não sabe, o Brasil é apenas o 5º mercado musical do mundo – EUA/CANADA, UK, EUROPA, JAPÃO – e depois vem o Brasil e o resto da América Latina. O Krisiun fez a coisa acontecer na gringa com suas próprias forças, meteu as caras nas principais praças de shows de Metal Extremo do Mundo – Alemanha, Escandinávia e por aí vai.

Inclusive, o Krisiun que subiu ao palco às 22h00 nesta noite, no Cine Joia, praticamente tinha chegado do final do giro de tours de 2023, encerrado na Alemanha. Então, claro que o setlist estava afiado nas mãos dos irmão do KrisiunMoyses Camargo, ao cargo das guitarras com riffs e solados consistentes; Max Kolesne no comando da bateria que dá o ritmo para o colosso sonoro que a banda entrega ao vivo, nas mãos de Alex Kolesne, que empunha seu baixo de forma intimidatória e vocifera as palavras de rebelião, revolta e insurgência desde a abertura do show, com “Kings of Killing”, até o ato final, com “Black Force Domain”.


Se você está lendo esta resenha é porque certamente você é fanático pela banda, ou tem interesse por Death Metal em geral – portanto, se você nunca ouviu as músicas do Krisiun, aconselho parar agora de ler esta resenha e só voltar depois que escutar “Serpent Messiah”, por exemplo.
Para os que entendem do riscado do Death Metal, o Krisiun se apresenta pleno no palco desta noite, um trator de riffs, blast beats, alternância de tempos musicais. Foi sensacional estar no Cine Joia pra presenciar os caras arregaçando na execução de “Necronomical”, “Vengeances Revelation” e “Blood of Lions” – que foi a sequência em que mais prestei atenção nos integrantes da banda fazendo sua função, de maneira técnica e competente. Mas, graças a Deus, sem aquele lance de Death Metal com Track Click, porque fica técnico demais, a condução da música dessas bandas, salvo exceções, fica monótona, quase em staccato.


O Krisun é mais bagaceira, e Death Metal Extremo tem que ser meio despojado mesmo – desculpa aí se você for apreciador de cara tocando com time click nos ouvidos. Hoje à noite, ao contrário deste tipo de banda, o Krisiun aproveita que é encerramento de temporada e levam o show de forma bem descontraída e sem dever nada a ninguém.

Até porque eles, na real, não precisaram do Brasil para nada, já que desbravaram outros continentes por conta própria e tornaram o Krisiun uma banda rentável e um brand mundialmente reconhecido.
Por isso que Alex Kolesne, nos intervalos entre as músicas estava dando uns desabafo foda, passando recado pra uns e outro por aí – como o recado não era para mim, não vesti a carapuça e curti a atitude do Alex. Falou que brasileiro é paga pau de gringo, que a gente não se respeita, meio dando a entender que a cena Metal no Brasil é uma bosta por causa do fã de Metal brasileiro que geralmente são uns bosta porque não curtem as bandas locais. Enquanto isso, os caras na gringa aplaudem o metal brasileiro lá fora, tipo o caso do Krisiun (também da Nervosa, Crypta e Claustrophobia). Entendeu o papo do Alex?

Errado ele não tá. Ainda mais dando esse esporro num show patrocinado pela Revista Rolling Stone, né?

De todo modo, dados os recados, a noite era muito mais de celebração. Era nítido o orgulho da banda em encerrar a rodada de shows internacionais em São Paulo – e em grande estilo. E, ao contrário de se fechar nessa conquista, a banda credenciou e colocou na lista vip muita, mas muita gente mesmo. Kolesne chamou mais de 30 pessoas pelo nome no intervalo entre as músicas e lembrava do rolê com cada um e coisas do tipo. Isso é atitude de banda gigante!
E o Krisiun não deu uma de banda “geração rock saudável” também não, foram old school e posso dizer que meio que encheram o caneco de cerveja e algum quente durante o show – até compartilharam com a galera da frente do palco. E isso é ótimo de ver, banda com atitude rock and roll, caralho! Krisun rules! Nada de banda tomando chá verde, o bagulho é breja mano.
Fica aqui este relato de – mais do que mais o habitual show austero do Krisiun – o que parece ter ficado realmente marcado nesta noite foi o ambiente geral de comemoração e celebração do Death Metal, em cima de um palco seleto, fazendo questão, Alex, Max e Moysés de deixar claro que a marca deixada pelo Krisiun no Metal Extremo mundial era também de todos que sempre apoiaram a banda.

Marcio Machado

Formado em História pela Universidade Estadual de Minas Gerais. Fundador e editor do Confere Só, que começou como um perfil do instagram em 2020, para em 2022 se expandir para um site. Ouvinte de rock/metal desde os 15 anos, nunca foi suficiente só ouvir aquela música, mas era preciso debater sobre, destrinchar a obra, daí surgiu a vontade de escrever que foi crescendo e chegando a lugares como o Whiplash, Headbangers Brasil, Headbangers News, 80 Minutos, Gaveta de Bagunças e outros, até ter sua própria casa!

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