Max Cavalera relembra morte do pai: “Foi muito traumático, eu o segurei”

A história de vida de Max Cavalera teve um ponto traumático ainda muito novo. Com apenas 9 anos de idade, ele enfrentou a morte do pai bem diante dos seus olhos no dia que era para ser um momento de lazer da família.

Em entrevista para a Metal Hammer, o músico falou sobre a experiência traumatizante e como isso o marcou para a vida toda. Ele relembra:

“Foi muito traumático porque fomos pescar neste lago – Interlagos – e ele começou a reclamar de dores no peito quando estávamos no barco. Levamos ele de volta para o carro e eu o segurei no banco de trás. Eu conseguia sentir o coração dele através do peito e ele faleceu ali mesmo, no carro. Lembro-me de ter pensado: ‘É isso. Ele se foi.’ Levaram-no para o hospital e, depois de uma hora, minha tia veio falar comigo e, antes que ela dissesse qualquer coisa, eu disse: ‘Eu sei. Ele se foi, não é?’ E ela disse: ‘Sim. Ele faleceu.’”

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Na sequência, Max fala como foi para sua mãe lidar com a perda do provedor da família:

“Minha mãe não sabia o que fazer. Meu pai não tinha seguro nem dinheiro guardado, então, de repente, ficamos sem nada. Minha mãe nos levou de volta para Belo Horizonte e moramos num barraco atrás da casa da minha avó. Perdemos tudo, inclusive a casa de praia. Era tipo: ‘Você tem que ir para a escola e arrumar um emprego. Esquece essas coisas de criança, você tem que ser homem agora, com nove anos de idade.’ Isso me impulsionou para o metal. Eu abracei o metal com todas as minhas forças. Eu precisava dele como precisava de oxigênio. Eu precisava daquela rebeldia genuína.”

Max Cavalera não desistiu do sonho do metal e construiu ao lado do irmão, Iggor, uma das maiores bandas de metal do planeta, o Sepultura.

Marcio Machado

Formado em História pela Universidade Estadual de Minas Gerais. Fundador e editor do Confere Só, que começou como um perfil do instagram em 2020, para em 2022 se expandir para um site. Ouvinte de rock/metal desde os 15 anos, nunca foi suficiente só ouvir aquela música, mas era preciso debater sobre, destrinchar a obra, daí surgiu a vontade de escrever que foi crescendo e chegando a lugares como o Whiplash, Headbangers Brasil, Headbangers News, 80 Minutos, Gaveta de Bagunças e outros, até ter sua própria casa!

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