NewsNotícias

A triste atualização de Brian May sobre novas turnês do Queen

O guitarrista Brian May, do Queen, revelou que não pretende mais realizar turnês. Aos 79 anos, o músico afirmou ao jornal britânico The Times que tomou a decisão há cerca de 18 meses, após perceber o impacto que a rotina de viagens provocava em sua vida pessoal.

Segundo May, um episódio durante uma turnê pelos Estados Unidos foi decisivo para sua mudança de perspectiva. Um amigo próximo da família morreu enquanto o músico estava no país, fazendo com que ele percebesse que não poderia simplesmente interromper a agenda de shows para voltar para casa.

“Tomei a decisão há 18 meses de que não queria mais fazer turnês. Um amigo próximo da família faleceu quando estávamos nos Estados Unidos, então eu disse à minha empresária de turnê: ‘Vou dar uma passada rápida em casa por alguns dias e volto’. Ela olhou nos meus olhos e disse: ‘Você sabe que não pode fazer isso’.”

May explicou que, embora ainda goste de tocar e viajar, a rotina de uma turnê exige sacrifícios que ele não está mais disposto a fazer.

“Adoro tocar, adoro viajar, mas a contrapartida é sacrificar a liberdade. Tenho esposa, netos e muita astrofísica que quero realizar, então acho que 50 anos são suficientes.”

A decisão não significa, necessariamente, o fim das atividades do Queen. May revelou que a banda estuda maneiras diferentes de continuar proporcionando experiências ao público sem depender de uma turnê tradicional.

Brian May imagina experiência imersiva do Queen

O guitarrista contou que ficou impressionado com a experiência oferecida pelo Sphere, em Las Vegas, e começou a desenvolver uma ideia para levar o Queen a um novo formato de apresentação.

A proposta não seria semelhante ao modelo utilizado pelo ABBA, que criou uma experiência baseada em avatares digitais. May pensa em algo mais imersivo, capaz de reproduzir a presença da banda em um espetáculo que não dependa necessariamente de músicos viajando pelo mundo.

“Queremos fazer algo bastante revolucionário. Não como o ABBA fez [com avatares digitais], mas nessa linha. No ano passado, fui ao Sphere, em Las Vegas, a inspiração começou a fluir e esbocei um show completo do Queen. Acho que uma experiência imersiva ainda é possível e poderia conquistar o tempo e o espaço, mas atualmente não é possível criá-la sem IA [inteligência artificial] e tenho sérias dúvidas sobre isso. Os data centers são um grande mal e precisam ser combatidos.”

A utilização de inteligência artificial, porém, é justamente um dos pontos que despertam preocupação em May. O guitarrista vê potencial tecnológico para criar esse tipo de espetáculo, mas questiona os impactos ambientais provocados pela infraestrutura necessária para alimentar sistemas de IA.

Roger Taylor ainda não descarta novos shows

A possibilidade de o Queen voltar aos palcos também foi discutida por Roger Taylor. Em julho, o baterista de 77 anos participou do programa The Rock Show With Shaun Keaveny, da BBC Radio 2, e comentou sobre um eventual retorno da banda.

Taylor afirmou que uma nova turnê dependeria principalmente da disposição de Brian May. O baterista deixou claro que continua gostando de tocar ao vivo e que estaria disposto a retornar caso May também queira.

“Bem, é uma máquina grande de montar, se é que você me entende. Mas, sim, na verdade, acho que depende mais do Brian do que de mim. Eu adoro tocar ao vivo. Eu gosto, sempre gostei. É realmente como ele se sente em relação a isso. Então, se nós dois quisermos fazer isso, eu ficaria feliz em fazer. Mas veremos. Nunca diga nunca. Estamos trabalhando há algum tempo com o [vocalista] Adam Lambert, que tem uma voz incrível.”

O Queen trabalha com Adam Lambert desde 2011, quando os músicos começaram a se apresentar juntos em eventos especiais. Desde então, a parceria se transformou em uma série de turnês internacionais.

Apesar de Taylor manter a possibilidade em aberto, as declarações de May indicam que uma nova turnê do Queen não está nos planos atuais. O guitarrista parece mais interessado em encontrar uma maneira de preservar o legado da banda sem precisar enfrentar novamente a rotina física e pessoal de longas viagens.

Marcio Machado

Formado em História pela Universidade Estadual de Minas Gerais. Fundador e editor do Confere Só, que começou como um perfil do instagram em 2020, para em 2022 se expandir para um site. Ouvinte de rock/metal desde os 15 anos, nunca foi suficiente só ouvir aquela música, mas era preciso debater sobre, destrinchar a obra, daí surgiu a vontade de escrever que foi crescendo e chegando a lugares como o Whiplash, Headbangers Brasil, Headbangers News, 80 Minutos, Gaveta de Bagunças e outros, até ter sua própria casa!

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *