Duff McKagan relembra o fim do Velvet Revolver e a luta de Scott Weiland contra as drogas
O fim do Velvet Revolver foi marcado por problemas pessoais, conflitos e pela luta de Scott Weiland contra a dependência química. Em uma nova entrevista ao podcast Finding Your Summit, apresentado pelo ex-jogador da NFL Mark Pattison, Duff McKagan relembrou a trajetória do grupo e falou sobre sua relação com o vocalista, que morreu em dezembro de 2015.
Formado em 2002, o Velvet Revolver reuniu McKagan, Slash e Matt Sorum, ex-integrantes do Guns N’ Roses, além do guitarrista Dave Kushner. Depois de quase dois anos procurando um vocalista, com testes e até convites para que o público enviasse demos, a banda escolheu Weiland, conhecido por seu trabalho no Stone Temple Pilots.
O grupo lançou dois álbuns pela RCA/Sony BMG: Contraband, em 2004, e Libertad, em 2007. Em abril de 2008, Weiland foi afastado da formação.
Duff McKagan ajudou Scott Weiland a abandonar a heroína
Ao conversar com Pattison, McKagan explicou que estava em uma fase diferente da vida quando o Velvet Revolver começou. O baixista já havia conhecido sua atual esposa, Susan, e era pai de duas filhas. Embora ainda faltassem dez anos para alcançar a sobriedade, ele sentia que estava preparado para aquele novo capítulo.
A escolha de Weiland aconteceu depois de testes com diversos candidatos. Segundo McKagan, a audição do vocalista deixou uma impressão imediata nos integrantes.
“Eu já tinha amadurecido bastante naquela época. Faltavam dez anos para eu ficar sóbrio. Eu tinha conhecido minha atual esposa, Susan, e já tínhamos duas filhas. Acho que estava pronto para isso. Chamamos o Scott. Fizemos testes com vários cantores, e ele entrou na sala e cantou. Obviamente, todos pensamos: ‘Ah, esse é o cara’.”
McKagan contou que conversou com Weiland sobre drogas e que os dois passaram cerca de dois meses na região do lago Chelan, no estado de Washington. O baixista ajudou o cantor durante o processo de abandono da heroína e o apresentou às artes marciais, uma prática importante em sua própria recuperação.
“Ele e eu fomos para o lago Chelan por uns dois meses, e eu o ajudei a se livrar de tudo e a praticar artes marciais. Havia um mestre de artes marciais, um cara que eu conhecia porque tinha uma casa em Wenatchee. Fomos para lá e ficamos na casa dele, no alto de uma colina. Nem era exatamente uma casa: ficava no subsolo, como se tivesse sido construída dentro do chão. Ele morava isolado. Era como um acampamento do Bruce Lee lá em cima. Incrível.”
O músico também explicou que Weiland estava disposto a buscar a sobriedade e queria seguir um caminho semelhante ao dele.
“Ajudei o Scott a largar a heroína. Ele tomou um medicamento chamado Buprenex, ou algo assim. Ele queria ficar sóbrio e me disse: ‘Quero ficar sóbrio como você ficou, com as artes marciais’. Eu respondi: ‘Bom, vai ser muito sofrimento’. E ele conseguiu.”
O declínio de Scott Weiland durante o Velvet Revolver
De acordo com McKagan, Weiland conseguiu permanecer sóbrio durante a gravação de Contraband e a primeira turnê do grupo. No entanto, o baixista percebeu que aquela estabilidade era frágil. A situação piorou durante o período do segundo álbum, quando os problemas pessoais do vocalista começaram a afetar cada vez mais sua vida.
“Quando o primeiro disco do Velvet Revolver foi gravado, Scott estava sóbrio e se manteve limpo durante a primeira turnê. Foi ótimo, mas dava para perceber que ele estava por um fio. No segundo disco, tudo desmoronou, e foi difícil. Tivemos muito sucesso com o primeiro álbum. A banda cresceu. De repente, éramos uma grande banda de rock.”
O baixista lamentou especialmente acompanhar a deterioração da vida pessoal de Weiland e o impacto que isso teve em sua família.
“Ver o Scott em declínio e perder a esposa… Ele tinha dois filhos, e eles simplesmente foram embora. ‘Scott, você vai perder sua família, cara. É disso que se trata’. Foi muito triste.”
Apesar dos problemas, McKagan fez questão de separar a pessoa que conheceu do comportamento associado ao período de dependência química. Para ele, Weiland tinha muitas qualidades que nem sempre eram percebidas pelo público.
“Eu o conheço. Eu conheço ele mesmo, não o Scott drogado. E que cara legal. Que atleta! Ele era um grande fã de futebol americano e de Notre Dame. Conhecia todas as táticas e tudo mais. Havia muitas outras coisas sobre Scott que eram muito legais e divertidas. Os sábados de futebol americano universitário eram ótimos. Era o feriado dele.”
O fim da banda e a morte do vocalista
Ao concluir a lembrança, McKagan afirmou que acompanhar a situação de Weiland foi doloroso e que os problemas durante a turnê do segundo disco contribuíram para o fim daquela fase do Velvet Revolver.
“Então, sim, ver aquilo acontecer foi horrível, e foi o fim da linha, na verdade. Saímos da turnê do segundo álbum, e as coisas estavam desmoronando durante toda a turnê. Foi difícil de assistir.”
Weiland foi encontrado morto em dezembro de 2015, aos 48 anos, dentro do ônibus de turnê do The Wildabouts, banda com a qual estava excursionando por Minnesota. Sua morte encerrou a trajetória de um vocalista que marcou o rock alternativo com o Stone Temple Pilots e, posteriormente, integrou a formação original do Velvet Revolver.
