Madball reafirma sua força no hardcore nova-iorquino com “Not Your Kingdom”
O Madball reafirma sua importância para o hardcore nova-iorquino em “Not Your Kingdom“, lançado pela Nuclear Blast e distribuído pela Shimigami Records, um álbum que preserva a identidade construída ao longo de décadas, sem abrir mão de pequenas variações que enriquecem sua sonoridade. Com mais de 30 anos de carreira, a banda conhece bem os caminhos do gênero e demonstra que sua longevidade não depende de reinventar a própria essência, mas de continuar executando sua proposta com convicção. Liderado pelo vocalista Freddie Cricien, o grupo mantém distância de experimentações deslocadas e escolhas que comprometam sua agressividade característica.
Desde os primeiros instantes de “Tethered“, a banda estabelece o tom do trabalho com uma abordagem direta, pesada e marcada pelo impacto rítmico. Já “Stab Wounds” desenvolve uma narrativa mais contundente, alinhada à tradição do hardcore nova-iorquino. São exemplos de como o Madball permanece fiel aos elementos que consolidaram sua reputação, equilibrando intensidade, atitude e uma identidade musical facilmente reconhecível. Essa consistência, longe de representar acomodação, evidencia o domínio de uma linguagem que o grupo ajudou a estabelecer dentro da cena.
As pequenas variações aparecem em momentos como “Rebel Kids“, que incorpora elementos melódicos à fórmula habitual, e “Rebelude”, um interlúdio com influência do reggae que acompanha a faixa anterior. São escolhas pontuais, sem a pretensão de transformar radicalmente o direcionamento musical. Ainda assim, oferecem novos detalhes para uma sonoridade historicamente fundamentada na objetividade e na força. Para os ouvintes mais conservadores, essas incursões podem despertar ressalvas, mas não comprometem a identidade central do disco.
A passagem do tempo também parece influenciar a abordagem de Freddie Cricien. Na segunda metade de “Not Your Kingdom“, suas letras assumem um caráter mais introspectivo, revelando um lado menos exposto de sua personalidade. “Sunrise” se destaca por uma estrutura que percorre fragmentos sonoros como se sintonizasse diferentes estações de rádio antes de desembocar em “Life’s a Mural“. A faixa aborda o amadurecimento de alguém que construiu sua vida em torno da música que ama, enquanto também confronta um adversário que permanece sem identificação explícita. Essa perspectiva acrescenta profundidade ao repertório sem afastar o disco de suas raízes.
O encerramento ganha uma dimensão ainda mais significativa diante da morte de Lou Koller, vocalista do Sick of It All, ocorrida no mesmo dia do lançamento do álbum, conforme o contexto apresentado na resenha original. A proximidade desse acontecimento confere peso adicional a “The Ride” e “Chase a Dream“, respectivamente, a penúltima faixa e o encerramento do disco. Os temas abordados dialogam com questões recorrentes no hardcore nova-iorquino, enquanto a escrita mais reflexiva de Cricien encontra nesses momentos uma de suas expressões mais cruas.
Em “Not Your Kingdom“, o Madball não tenta conquistar públicos distantes de sua proposta por meio de mudanças artificiais. A banda continua apostando no hardcore em sua forma mais direta, sustentada pela experiência, pela identidade e pela convicção de quem conhece profundamente o próprio território. Para quem procura transformações radicais, o álbum talvez ofereça poucas surpresas. Para os fãs do gênero, porém, representa uma demonstração consistente de força e maturidade, reforçando a posição do grupo entre os nomes fundamentais do hardcore e entregando um dos trabalhos mais fortes do estilo no ano.
