Eloy Casagrande fala sobre influências brasileiras em novas músicas do Slipknot
O Slipknot está trabalhando em seu próximo álbum de estúdio. A confirmação veio do baterista brasileiro Eloy Casagrande, que revelou, em entrevista ao programa de Camilo Guzmán of Colombia’s Radiónica (via Blabbermouth), que os integrantes estão gravando o novo material e já trabalham em diversas músicas.
O disco será o primeiro álbum completo da banda com Casagrande, que entrou para o grupo em 2024, após sua saída do Sepultura. Segundo o músico, o processo de composição tem sido positivo, com os integrantes satisfeitos com o material desenvolvido até agora.
“Neste momento, estamos gravando o novo álbum. Estamos fazendo o novo disco e compondo muitas músicas, muitas mesmo. Por isso, não posso falar muito sobre elas nem explicar exatamente o que estamos fazendo no estúdio. O que posso dizer é que a banda está realmente feliz com a música que criamos até agora. Todos estão em um clima muito bom. Estamos sendo muito honestos com nossos fãs. Fazemos o que queremos fazer e o que sentimos que é certo neste momento. Estamos fazendo música de verdade. Não estamos pensando em negócios nem se as pessoas vão gostar ou não. Estamos fazendo aquilo que acreditamos ser correto. É um processo tranquilo, muito bom, natural e descontraído. Estamos aproveitando a experiência de tocar música, e isso é o mais importante.”
Eloy também explicou que a banda está priorizando a liberdade criativa, sem colocar o desempenho comercial como objetivo central do novo trabalho. Para ele, a experiência representa uma oportunidade de explorar a música de maneira autêntica, sem a pressão de atender às expectativas do mercado.
“Acreditamos na música. Agora que estou aqui, vivendo minha primeira experiência gravando um disco com a banda, fico muito feliz por poder ver e experimentar essa situação. Estamos no estúdio fazendo música de verdade. Não estamos pensando em negócios nem em vender nossa música. Estamos pensando apenas na arte da maneira mais pura e honesta possível, respeitando o que queremos fazer neste momento e sendo sinceros, verdadeiros e transparentes com nossos fãs. Estamos fazendo música de verdade, e é isso.”
O baterista acrescentou que muitos artistas parecem concentrados em resultados comerciais, como vender mais discos ou conseguir tocar em grandes arenas. Segundo ele, a abordagem atual do Slipknot segue outro caminho.
“Hoje em dia, você vê muitos artistas pensando no futuro, se vão vender bem ou se conseguirão tocar em arenas enormes. Aqui, estamos fazendo exatamente o contrário. Estamos concentrados em criar algo de que gostamos e do qual possamos nos orgulhar.”
Eloy Casagrande diz que Slipknot permite que ele seja autêntico
Durante a entrevista, Casagrande também falou sobre a preocupação que tinha antes de entrar para o Slipknot. Depois de 12 anos no Sepultura, ele queria ter certeza de que poderia preservar sua identidade musical e continuar explorando novas possibilidades como baterista.
“Antes de entrar para a banda, é claro que eu tinha isso em mente. Ficava preocupado se conseguiria ser eu mesmo, tocar da maneira que gosto e fazer coisas de verdade, música de verdade. Estar aqui dentro e ver todos aproveitando o que fazem, perceber que somos honestos com a arte, com nossos instrumentos e com a música, torna tudo especial. Esse é o maior objetivo na vida de qualquer músico: poder tocar seu instrumento da maneira que deseja e ser verdadeiro com seus fãs. Estamos vivendo um momento muito bom. É isso que posso dizer. O sentimento dentro da banda, entre todos os integrantes, é realmente positivo. Estamos simplesmente nos divertindo tocando música.”
O brasileiro também descreveu sua entrada no Slipknot como a realização de um sonho antigo. Ele relembrou o impacto que teve ao assistir ao primeiro videoclipe da banda ainda na infância e descobrir o trabalho do baterista original, Joey Jordison.
“Foi um sonho que se tornou realidade na minha vida. Definitivamente, acho que esperei por isso durante toda a minha vida. Lembro que era criança quando vi pela primeira vez um videoclipe do Slipknot tocando, e aquilo mudou minha personalidade como músico. Quando você é um músico de metal, escuta muitas bandas de heavy metal e descobre o Slipknot, especialmente sendo baterista, é algo chocante. Você pensa: como um ser humano, como Joey Jordison, consegue tocar algo assim?”
Para Casagrande, uma das características mais especiais do Slipknot é a capacidade de combinar diferentes estilos sem perder a identidade. Essa variedade permite que os integrantes explorem ideias distintas e mantenham a criatividade durante o processo de composição.
“O que também gosto muito na banda é que o Slipknot mistura estilos diferentes. Não estou tocando apenas nu metal, thrash metal, death metal ou metal melódico. O Slipknot reúne muitas coisas diferentes e, no fim, continua sendo o Slipknot. Isso é muito único. A banda tem uma personalidade muito forte, mas dentro dela existem muitas influências diferentes. Como são muitos integrantes, cada um traz perspectivas e ideias distintas.”
Ele acrescentou que nunca quis fazer parte de uma banda na qual não pudesse pensar criativamente ou ultrapassar os próprios limites.
“Manter minha criatividade e continuar criando coisas novas sempre foi algo que quis para minha vida. Nunca me imaginei tocando em uma banda na qual não pudesse pensar no que estou fazendo, ser criativo, expandir meus limites e ir além deles. Agora, estando no estúdio com a banda, consigo ser eu mesmo. Eles querem que eu seja eu mesmo. Isso é surreal.”
Influência brasileira continua presente na bateria
Outro aspecto abordado por Eloy foi a influência da música brasileira em sua maneira de tocar. O baterista cresceu ouvindo tanto metal quanto ritmos tradicionais do Brasil e explicou que não consegue separar essas experiências, mesmo quando executa as passagens mais extremas do Slipknot.
“É impossível eu ser uma pessoa diferente. Especialmente como músico, não consigo simplesmente sentar na bateria e pensar: ‘Agora vou ser apenas o Eloy, o baterista do inferno, o baterista de metal, e vou esquecer toda a minha origem brasileira’. Sou uma pessoa só. Portanto, mesmo quando toco metal extremo ou death metal, é impossível não trazer essa influência brasileira.”
Casagrande explicou que algumas pessoas identificam essa característica até mesmo quando ele toca passagens rápidas ou trechos mais tradicionais do metal. Segundo ele, existe uma sensação rítmica particular que permanece presente em sua execução.
“Algumas pessoas me dizem que, mesmo quando estou tocando muito rápido ou executando uma parte de metal mais reta, ainda existe algum tipo de groove, uma pulsação brasileira, esse tempero brasileiro por trás. É algo de que não consigo me livrar.”
O músico relembrou uma situação curiosa durante um dos primeiros ensaios com o Slipknot. Na ocasião, ele começou a tocar ritmos brasileiros enquanto se divertia com os demais integrantes, despertando a curiosidade de Clown, percussionista da banda.
“Lembro que aconteceu algo engraçado quando entrei para o Slipknot. Estávamos fazendo nosso primeiro ensaio, e Clown veio até mim. Eu estava simplesmente me divertindo durante a sessão, tocando algumas coisas brasileiras. Ele perguntou: ‘O que você está tocando?’. Respondi: ‘Ah, este é um ritmo brasileiro’. Não me lembro exatamente do que toquei. Então, ele disse: ‘Tudo bem, mas você sabe que esta é uma banda de metal, certo? Esta é uma porra de uma banda de metal. Não tem problema você ter sua origem brasileira, mas esta é uma banda de metal’.”
Com o passar do tempo, porém, essa percepção mudou. Eloy contou que, durante as gravações atuais, Clown chegou a sugerir que ele incorporasse ritmos brasileiros às músicas.
“Hoje está tudo bem, porque, durante as gravações, em algumas ocasiões, ele veio até mim e perguntou o que eu achava de acrescentar algumas coisas brasileiras, alguns ritmos brasileiros. Pensei: ‘Tudo bem, acho que você mudou de ideia ao longo dos anos, e isso é muito bom’.”
O baterista ressaltou que não pretende reproduzir os ritmos tradicionais brasileiros exatamente como faria em uma banda dedicada a esse estilo. Seu objetivo é adaptar essas influências ao universo sonoro do Slipknot sem perder sua própria identidade.
“É claro que não estou tocando em uma banda tradicional brasileira da maneira como deveria tocar nesse contexto. Estou mudando e evoluindo para me encaixar no universo do Slipknot. Mesmo assim, consigo manter meu DNA musical e me expressar dentro da banda.”
Respeitar o legado de Joey Jordison sem imitá-lo
A entrevista também abordou o desafio de assumir o posto de baterista do Slipknot após a saída de Jay Weinberg e a importância de respeitar o legado de Joey Jordison, responsável por estabelecer boa parte da identidade percussiva original do grupo.
Ao ser chamado de um dos melhores bateristas de metal do mundo pelo entrevistador, Casagrande demonstrou humildade e afirmou que não busca títulos ou reconhecimento desse tipo.
“Não tenho certeza sobre isso que você acabou de dizer, sobre eu ser um dos melhores bateristas de metal. Não concordo com você. Estou apenas fazendo o que gosto e sendo quem sou. Nunca busquei esse tipo de título, prêmio ou competição. Só faço o que gosto e tento dar o meu melhor para apoiar a música da banda.”
Sobre a responsabilidade de substituir Jordison, o brasileiro reconheceu que se tratava de uma tarefa difícil. Ele explicou que estudou as partes do antigo baterista e procurou respeitar os arranjos originais, mas ressaltou que tocar Slipknot envolve muito mais do que executar as notas corretamente.
“Acredito que foi muito difícil substituir Joey. São sapatos enormes para preencher. Fiz o melhor que pude para aprender suas partes de bateria e respeitar os arranjos antigos. Mas não se trata apenas de tocar os arranjos dele, e sim de manter a energia viva. Tocar Slipknot não significa apenas executar as notas corretamente. É preciso ter uma atitude diferente, transmitir energia e manter viva a alma da banda.”
Eloy revelou ainda que Clown o orientou desde o primeiro dia a não se preocupar excessivamente com a perfeição técnica. Segundo ele, a prioridade da banda sempre foi preservar sua personalidade, sua energia e sua essência.
“Lembro que, desde o primeiro dia em que toquei com eles, Clown veio até mim e disse: ‘Cara, você não precisa se preocupar em tocar tudo perfeitamente. Não existe certo ou errado. Mas existe a alma da banda. Existe a ideia da banda, a atitude e a energia. É isso que queremos’. Entendi isso desde o primeiro dia. Eles não estão procurando perfeição. Estão procurando algo maior do que isso. É o que estou tentando fazer. Quero honrar o legado de Joey e, agora, com as novas músicas que estamos criando, também quero me expressar e ser eu mesmo.”
O brasileiro destacou que os integrantes nunca esperaram que ele se transformasse em uma cópia de Jordison. A intenção era encontrar um músico capaz de acrescentar novas ideias e contribuir para a evolução do grupo.
“Eles deixaram muito claro desde o primeiro dia que não querem outro Joey na banda. Não estão tentando me fazer tocar como ele. Isso não faria sentido. Caso contrário, bastaria encontrar um clone de Joey Jordison que tocasse exatamente como ele e colocá-lo na banda. Não foi isso que procuraram. Queriam alguém com personalidade, capaz de trazer ideias, trabalhar com os outros integrantes e acrescentar coisas novas.”
Casagrande concluiu que sua principal responsabilidade é contribuir para que a música funcione coletivamente, ajudando os outros integrantes e apresentando o resultado ao público da melhor maneira possível.
“Estou fazendo o melhor que posso para apoiar a banda. Acima de tudo, independentemente da minha maneira de tocar ou de tudo o que pratico e estudo, estou aqui para apoiar a música do Slipknot. Quero fazer os outros músicos felizes com aquilo que estou tocando e apresentar esse trabalho às pessoas da melhor maneira possível.”
“Arsenal” marcou o retorno do Slipknot com música inédita
O próximo álbum será o primeiro trabalho completo do Slipknot desde “The End, So Far“, lançado em 2022. Em setembro de 2026, a banda apresentou “Arsenal”, seu primeiro single inédito em mais de três anos.
A faixa também marcou uma nova etapa na trajetória do grupo após mudanças na formação. Além da entrada de Eloy Casagrande, o lançamento veio depois das saídas de integrantes antigos, incluindo o percussionista Sid Wilson e o tecladista Craig Jones, conforme o histórico apresentado pela fonte original.
O videoclipe de “Arsenal” foi dirigido por Clown. A música também marcou a estreia fonográfica da banda pelo próprio selo, o Est. 1999 Records, após o encerramento do contrato de aproximadamente 25 anos com a Roadrunner Records.
