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M. Shadows relembra lançamento surpresa de “The Stage” e admite erros na estratégia do Avenged Sevenfold

O Avenged Sevenfold completa dez anos de “The Stage“, álbum que marcou uma das decisões mais ousadas da trajetória comercial da banda. Em uma nova entrevista com Ryan J. Downey (via Blabbermouth), o vocalista M. Shadows relembrou o lançamento surpresa do disco e reconheceu que a estratégia trouxe consequências negativas para sua divulgação.

Lançado em 28 de outubro de 2016, “The Stage” chegou às plataformas digitais sem uma campanha tradicional de divulgação. A banda anunciou o trabalho na mesma noite em que ele ficou disponível para compra, apostando na surpresa como parte da experiência.

A estratégia resultou em números comerciais inferiores aos dos trabalhos anteriores. O álbum vendeu aproximadamente 76 mil cópias na primeira semana, sendo 73 mil em formato físico. Foi o menor resultado de estreia do grupo em onze anos.

Ao explicar a decisão, M. Shadows afirmou que a banda sempre procurou experimentar e tomar iniciativas que despertassem seu interesse artístico. Segundo ele, essa postura garante satisfação criativa, mesmo quando os resultados comerciais não correspondem às expectativas.

“Acho que fazemos isso constantemente, sempre queremos ser os primeiros a fazer coisas que nos empolgam. O lado positivo é que estamos sempre artisticamente satisfeitos, porque conseguimos fazer coisas que nos motivam e nos dão muita energia.”

Avenged Sevenfold convenceu a gravadora a apostar no lançamento surpresa

O vocalista também relembrou os bastidores das negociações com a Capitol Records, gravadora responsável pelo lançamento. A banda precisou convencer os executivos a aceitar uma estratégia pouco convencional, especialmente pela ausência de uma campanha antecipada.

O plano inicial previa disponibilizar o álbum apenas digitalmente. A gravadora demonstrou resistência, mas encontrou uma alternativa para atender às necessidades comerciais sem revelar antecipadamente a novidade.

“Se você nos colocar em uma sala com um monte de executivos de gravadoras, somos convincentes o suficiente para conseguir o que queremos. Então, marcamos uma ligação com [nossa gravadora], e eles estavam um pouco céticos, mas também ficaram animados. E o único compromisso foi, novamente, que chegaríamos bem antes da hora. Faríamos o lançamento apenas digital. E eles disseram que não se sentiam confortáveis com isso, mas prometeram que fariam CDs e os enviariam para as lojas, mas com um rótulo diferente, para que ninguém soubesse. E assim, eles conseguiram cumprir tudo o que precisavam, e tivemos nosso lançamento surpresa.”

Depois de garantir o acordo, a banda precisava encontrar uma maneira de anunciar o disco ao público. A solução foi realizar uma apresentação surpresa no alto de um dos edifícios mais conhecidos da indústria musical.

Em 27 de outubro de 2016, o Avenged Sevenfold tocou quatro músicas no telhado do icônico prédio da Capitol Records, em Hollywood, na Califórnia. O evento marcou a divulgação oficial de The Stage.

Ao recordar a experiência, Shadows destacou a empolgação daquele momento:

“Então dissemos: ‘Bem, precisamos descobrir uma maneira de o mundo saber’, e essa maneira foi a Capitol Records no topo do prédio. Então foi…” “Muito emocionante.”

M. Shadows reconhece que a banda subestimou a velocidade da internet

Além da estratégia comercial, The Stage representava uma mudança artística significativa para o Avenged Sevenfold. O álbum era o trabalho mais ambicioso do grupo até então, com uma abordagem conceitual complexa sobre a evolução da inteligência artificial e suas possíveis consequências positivas e negativas para a sociedade.

Entretanto, a banda não previu como a ausência de uma campanha prolongada afetaria a repercussão do lançamento. Para M. Shadows, a velocidade com que as informações circulam na internet tornou muito mais difícil sustentar a atenção do público.

“Então, aqui estão as coisas que aprendi. Na época, e é ainda pior agora, a internet se move rápido. Se não houver uma campanha longa e elaborada, simplesmente perde uma grande parte das pessoas. Porque se não aparece no seu feed, e se não aparece na primeira semana, as pessoas já estão falando de outra coisa… E é uma daquelas coisas em que até mesmo o estado da nossa política e do mundo fez com que algo terrível aconteça, e dois dias depois você já está falando de outra coisa terrível. E o mesmo acontece com… Você vê escândalos na música. Você vê festivais que não acontecem. Você vê todo tipo de coisa acontecendo, e independentemente disso… Se é bom ou ruim, é esquecido em dois ou três dias. E naquela época, as coisas eram esquecidas em cerca de uma semana, duas semanas [no máximo].”

O vocalista explicou que a banda acreditava que o álbum conquistaria espaço gradualmente. O grupo vinha do sucesso de Hail to the King (2013), que apresentou seu maior desempenho nas rádios até aquele momento.

A expectativa era que as emissoras apoiassem o novo material naturalmente, especialmente pela confiança da banda na qualidade das composições. No entanto, a falta de preparação prévia provocou resistência.

“Então, o que não previmos foi isso. Achávamos que o disco simplesmente cresceria. Achávamos que as rádios o apoiariam. Tínhamos acabado de lançar ‘Hail To The King’, nosso maior sucesso de rádio de todos os tempos, e agora estávamos entrando nessa onda. Íamos entregar para eles. Eles iriam tocar porque ‘The Stage’ é demais, todas essas coisas, e nada disso aconteceu. As rádios disseram que não queriam nada com isso porque não houve preparação, e ‘nos sentimos enganados por vocês. Vocês não nos avisaram’.”

O problema não ficou restrito às emissoras. A gravadora tinha discos disponíveis nas lojas, mas enfrentava dificuldades para fazer o público descobrir o lançamento. Enquanto isso, a atenção da imprensa e dos fãs já começava a se deslocar para outras novidades.

Shadows reconheceu que a iniciativa perdeu força rapidamente porque a banda não conseguiu sustentar a divulgação depois do anúncio inicial.

“The Stage” se tornou uma das joias do catálogo

Apesar dos problemas comerciais, M. Shadows acredita que o tempo favoreceu o reconhecimento de The Stage. O vocalista afirmou que o álbum cresceu significativamente dentro do catálogo da banda e conquistou uma relação especial com os fãs.

Segundo ele, o disco nunca alcançou o mesmo apelo mainstream dos trabalhos anteriores. Por outro lado, desenvolveu uma identidade própria, especialmente entre os ouvintes que se dedicaram a compreender suas composições.

“E esses são os pontos negativos. O ponto positivo é que a música cresceu significativamente como parte do nosso catálogo. Se você gostava de ‘The Stage’ no começo, você estava de fora. Agora, se você não gosta de ‘The Stage’, as pessoas não dão ouvidos à sua opinião. Tipo, ‘Ah, você não… Ou você não ouviu ou não entendeu.'”

O vocalista também reconheceu que a banda praticamente desapareceu do mainstream durante esse período. Depois de Hail to the King, o grupo não voltou a ocupar o mesmo espaço nas rádios e na grande mídia.

Ainda assim, ele considera que The Stage criou algo difícil de medir comercialmente, mas muito importante para a identidade artística do Avenged Sevenfold.

“Então, acabou se tornando algo em que os fãs adoram ‘The Stage’ agora, mas nunca teve esse apelo mainstream. E aí, depois de três ou quatro anos desde ‘Hail To The King’, a banda simplesmente sumiu do mainstream por mais 10 anos. Não se ouve falar nada da gente desde ‘Hail To The King’ até ‘Life Is But A Dream…’.”

Shadows continuou destacando a atmosfera particular que o álbum desenvolveu ao longo dos anos. Para ele, trata-se de uma obra que exige atenção e pode dividir opiniões, mas recompensa quem mergulha em suas camadas musicais e conceituais.

“E ‘The Stage’ — mas o que ele fez foi criar algo realmente incrível, que é… Você não consegue quantificar. É algo que você sente. E existe uma aura em torno desse disco que é simplesmente muito especial agora. Então, há pontos positivos e negativos em termos de forçar o mainstream… É denso, e quando as pessoas entendem, esse disco se torna a joia da coroa do catálogo. E se não entenderem, é o disco que você não quer ouvir porque é muita coisa para assimilar.”

O cantor ainda destacou que a própria estrutura do álbum pode representar um desafio para quem espera composições mais diretas. A faixa-título, por exemplo, ultrapassa nove minutos, reforçando a proposta ambiciosa do trabalho.

“É isso que… Eu já vi. É tipo, ‘É’. A primeira música tem nove minutos… É que, sabe, a coisa toda é densa. Mas quando você entende, pensa: ‘Ah, essa é a minha favorita’. Então é legal ter isso no catálogo, especialmente porque sobrevivemos a tudo. Não é como se a banda estivesse pior por causa disso. É só parte da história da banda, e é uma coisa bacana.”

Desempenho comercial ficou abaixo dos discos anteriores

The Stage também marcou a estreia do Avenged Sevenfold pela Capitol Records. Apesar da repercussão artística e da importância que conquistou entre os fãs, seu desempenho inicial ficou muito abaixo dos dois lançamentos anteriores.

O álbum vendeu menos da metade do que Nightmare (2010) e Hail to the King (2013) comercializaram em suas respectivas primeiras semanas.

Marcio Machado

Formado em História pela Universidade Estadual de Minas Gerais. Fundador e editor do Confere Só, que começou como um perfil do instagram em 2020, para em 2022 se expandir para um site. Ouvinte de rock/metal desde os 15 anos, nunca foi suficiente só ouvir aquela música, mas era preciso debater sobre, destrinchar a obra, daí surgiu a vontade de escrever que foi crescendo e chegando a lugares como o Whiplash, Headbangers Brasil, Headbangers News, 80 Minutos, Gaveta de Bagunças e outros, até ter sua própria casa!

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