Tony Iommi continua o mestre dos riffs e mostra ter lenha a queimar em “From the Dark”
Foram mais de 20 anos até este momento. Mais de duas décadas para que o mestre dos riffs Tony Iommi entrasse em um estúdio e lançasse sua magia em um trabalho completo e de inéditas.
Pouco mais de um ano de encerrar de vez o seu ciclo com o Black Sabbath no “End to the Beginning” ao lado de Ozzy Osbourne, Geezer Butler e Bill Ward, fechando um dos mais importantes capítulos da história do heavy metal, e de sofrer o luto pela perda de Madman, Iommi dá vida a “From the Dark“.
Sem os demais cavaleiros sagrados, coube a Tony liderar o trabalho e ele recrutou soldados de gabarito elevado. Estão com ele na jornada Jørn Lande, que, além de seus vocais, também coescreveu todas as oito faixas do trabalho. Além de Becky Baldwin, baixista do Mercyful Fate, o baterista Karl Brazil, e o produtor Mike Exeter, que também é encarregado dos teclados.
Lande não tem o lado obscuro de Butler e suas composições no Sabbath, mas como aqui não falamos de um trabalho do nome sagrado, isso não afeta em nada o desenrolar das coisas por aqui. Logo na abertura, “Over the Violent Sun“, os riffs marcantes, a guitarra cheia de presença e um refrão monstruoso são o cartão de visita e fazem uma senhora recepção aqui, com um solo hipnótico e que vontade de o tocar no repeat diversas vezes. “Black Times” é densa igual a um muro de concreto e te joga envolto em uma nuvem negra e carregada e é sem dúvidas a mais “sabbathica” do disco. Climática, pesada, arrastada, poderia figurar facilmente no “Heaven and Hell“. As dobras vocais de Lande aqui são por si só um charme e o refrão é tudo o que o fã de Iommi espera ouvir. “World Alone” foi o primeiro single a apresentar o disco ao mundo e é uma versão rápida, moderna e carismática de Iommi. Vale aqui ressaltar o trabalho vigoroso e cheio de punch de Karl nas baquetas, que dá uma vida enérgica à música.
“Beyond the Dead” tem uma introdução que é o eco de como Tony Iommi fez uma escola ao longo dos anos que vai do Slayer ao Lamb of God. As raízes do doom-metal também podem ser vistas por aqui e como o guitarrista ditou esses ritmos. Jorn Lande é a figura principal aqui, entoando versos raivosos e um refrão grandioso, que mescla as trevas, o melancólico e o melódico, tudo envolto num pacote embrulhado em preto. O solo é um dos mais belos registros do disco e a ponte é a “batida de martelo” do tenebroso que a faixa pede. “Stormwatcher” é arrastada, pesada e, mais uma vez, Lande brilha como um monstro no refrão, com as guitarras de Iommi o “cercando” por todos os lados e o baixo de Baldwin amarrando isso tudo cheio de presença. “Death Wake” é uma espécie de balada, sinistra e intensa, cheia de detalhes e de uma riqueza musical absurda. “Return of the Arbalist” traz a velocidade de volta e mostra uma música cheia de energia, cheia de vontade de ser executada e é feita com maestria por todos ali.
Encerrando o registro, “Legacy” e seus mais de 7 minutos soam tenebrosos, como qualquer coisa que leve o nome de Iommi tem que ser. Tudo soa com um peso de uma bigorna, denso e profundo. É o encerramento perfeito e cravado que o trabalho merecia e entrega aquele desfecho poético, dramático e marcante.
Tony Iommi continua o mestre dos riffs que sempre foi e falar sobre isso seria chover no molhado e prova que, ao longo de tantos anos e tantos trabalhos, ainda tem cartas na manga e lenha a queima, e consegue criar um disco necessário e que marca mais um degrau em sua rica trajetória, mesmo depois de tanto que já nos brindou.
