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Asia celebra álbum de estreia em “Live in England” que marca respeito ao legado da banda

Revisitar um disco tão importante quanto a estreia do Asia é uma responsabilidade considerável, principalmente quando a missão fica nas mãos de uma formação que não conta com alguns dos nomes mais emblemáticos de sua história. Em “Live in England” (2026), lançado pela Frontiers Records e distribuído pela Shinigami Records em versão com cd+dvd, encontramos justamente esse cenário: músicos de uma nova configuração encarando um repertório consagrado, com a difícil tarefa de manter viva a essência de composições que atravessaram gerações.

A escolha de dedicar a apresentação ao álbum de estreia, executando suas músicas na sequência original e acrescentando algumas faixas extras, funciona como uma celebração de uma fase fundamental da trajetória do grupo. É um repertório que dispensa grandes apresentações e cuja força está justamente na combinação de melodias marcantes, arranjos elaborados e acessibilidade. Nesse sentido, o registro encontra sua principal razão de existir na oportunidade de ouvir novamente esse material sob uma perspectiva diferente.

Evidentemente, não estamos diante da mesma experiência proporcionada pela formação clássica. A ausência de John Wetton, Steve Howe e Carl Palmer representa uma diferença importante, especialmente para quem acompanhou a trajetória do grupo desde seus primeiros trabalhos. Ainda assim, seria injusto avaliar o desempenho atual exclusivamente pela comparação com o passado. Geoff Downes permanece como uma figura central dessa continuidade, e seus companheiros demonstram competência para assumir um repertório que exige familiaridade com a identidade musical do Asia.

Entre os aspectos que mais chamam a atenção está o desempenho de Harry Whitley. Substituir uma voz tão associada à história de uma banda nunca é uma tarefa simples, mas o vocalista consegue evitar uma armadilha bastante comum nessas situações: transformar a apresentação em uma tentativa constante de reproduzir o intérprete original. Sua abordagem é segura, natural e respeita as características das canções, sem depender de imitações exageradas. É uma escolha inteligente que contribui bastante para a credibilidade desta formação.

O repertório também oferece inúmeras oportunidades para apreciar a qualidade das composições. “Heat of the Moment”, “Only Time Will Tell” e “Sole Survivor” continuam demonstrando por que conquistaram tamanha importância na discografia do grupo. A execução privilegia a clareza dos arranjos e a preservação das melodias, enquanto as guitarras encontram uma maneira própria de respeitar a linguagem musical popularizada por Steve Howe. A seção rítmica, por sua vez, mantém a apresentação firme e consistente, garantindo que as músicas conservem suas características originais.

Essa escolha por uma interpretação bastante fiel, entretanto, também impede que o registro alcance outros patamares. Existe pouca disposição para experimentar ou explorar caminhos diferentes daqueles já conhecidos. Embora isso favoreça a identificação imediata com o material, também deixa a sensação de que algumas oportunidades para acrescentar personalidade às versões foram desperdiçadas. Não chega a comprometer o resultado, mas torna a experiência menos surpreendente do que poderia ser.

Outro detalhe que merece atenção é “Video Killed the Radio Star”. A interpretação não apresenta problemas relevantes, mas sua presença acaba destoando do restante da apresentação. Em um lançamento tão concentrado na celebração do álbum de estreia, a faixa não encontra uma conexão particularmente convincente com o conjunto.

Apesar dessas ressalvas, “Live in England” entrega uma experiência que tem méritos próprios. Não é um registro que busca competir com a formação clássica ou oferecer uma nova leitura definitiva dessas músicas. Sua importância está em manter esse repertório em circulação, permitindo que outras gerações de músicos e ouvintes tenham contato com um trabalho que permanece relevante. A execução competente, a boa escolha de repertório e o desempenho vocal de Harry Whitley sustentam uma apresentação que, mesmo sem grandes ousadias, demonstra respeito pelo passado e compreensão daquilo que tornou o Asia tão especial.

Marcio Machado

Formado em História pela Universidade Estadual de Minas Gerais. Fundador e editor do Confere Só, que começou como um perfil do instagram em 2020, para em 2022 se expandir para um site. Ouvinte de rock/metal desde os 15 anos, nunca foi suficiente só ouvir aquela música, mas era preciso debater sobre, destrinchar a obra, daí surgiu a vontade de escrever que foi crescendo e chegando a lugares como o Whiplash, Headbangers Brasil, Headbangers News, 80 Minutos, Gaveta de Bagunças e outros, até ter sua própria casa!

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