Edu Falaschi diz que clima “era estranho” no Angra desde o “Temple of Shadows” e fala sobre saída da banda

Edu Falaschi foi o entrevistado do podcast Lado A, onde ele voltou a falar sobre a sua saída do Angra ano atrás e revelou durante a conversa que o clima na banda já era “estranho” desde o período do disco “Temple of Shadows“. Ele fala sobre o que levou a separação, conforme transcrito pelo Confere Rock:

É um monte de situações, né? E aí, quando veio o começo da minha carreira solo, por eu estar tocando no Angra na época, teve toda uma situação. A gente já, desde o Temple of Shadows, vinha com uma estranheza. Muitas coisas internas já bem complexas acontecendo, um monte de descontentamento e tal. Agora, daí eu saí. Claro, saí triste, não saí legal.

Eu saí porque estava mal para caramba. Saí porque estava com problema na voz e psicologicamente super abalado, super inseguro, triste. Os caras também tristes, não sabendo muito como lidar com aquilo, com o fato de o cantor da banda não estar conseguindo desempenhar o que desempenhava no Rebirth, no Temple of Shadows.

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Em seguida, Edu comenta como os problemas com sua voz desenvolveram outros diversos problemas além do profissional, afetando suas relações pessoais:

Aí vem a parada psicológica: você está com um problema e não consegue fazer o que fazia com o pé nas costas. Quando gravei o Rebirth, eu cantava com o pé nas costas; não tinha tido problema. Então você nem sabe o que é ter um problema, só chega lá e canta. Eu costumo dizer, brincando: imagina um ciclista profissional, de alto nível, hardcore de exigência, e um dia o cara levanta e não consegue subir na bicicleta. Ele anda e cai. Aí fala: “Como é que, do nada, eu não me equilibro mais?”. Na voz foi mais ou menos isso. Começou a me dar desespero. Eu ia aos médicos, e eles falavam: “Sua corda vocal não tem nada, está perfeita, não tem calo, não tem nada”. Ninguém identificava. É diferente de quebrar um braço: tem o osso quebrado, você vai lá e trata. A voz era um fantasma. Isso me deu muitos problemas: problema de pele, emocional, de segurança, de confiança, depressão, tristeza. Emagreci para caramba.

Tudo isso gera conflito com quem está ao redor — no caso, minha família e a banda. E, na época, eu via mais a banda do que a minha família. A gente estava sempre junto. Então teve várias faíscas ali no meio, muito por isso. Tivemos situações muito tristes e, quando saí, não saí legal. Depois teve umas situações no início da carreira solo que fomos tentando contornar, mas passou.

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Edu Falaschi então revela como está bem consigo mesmo e hoje comemora feitos na carreira e brinca que não pretende criar uma nova trilogia em algum momento da vida:

Estou contando uma história que todo mundo já meio que sabe. E o importante é que isso foi superado. Agora é um momento de celebração: Rebirth, minha carreira, 35 anos de estrada, o disco novo, que é a conclusão de uma trilogia. Fazer trilogia nunca mais faço na minha vida — é legal, mas é muito trabalho. É tudo muito amarrado: tem história, personagens. Não dá para simplesmente falar de outro assunto.

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Edu Falaschi e o Angra vão se reencontrar em um show especial no Bangers Open Air deste ano, sendo o headliner do domingo do festival, no dia 26 de abril. O evento acontece no Memorial da América Latina e os ingressos podem ser comprados no site do Clube do Ingresso. Posteriormente, ele sobe ao palco do Espaço Unimed.

Foto: André Tedim

Marcio Machado

Formado em História pela Universidade Estadual de Minas Gerais. Fundador e editor do Confere Só, que começou como um perfil do instagram em 2020, para em 2022 se expandir para um site. Ouvinte de rock/metal desde os 15 anos, nunca foi suficiente só ouvir aquela música, mas era preciso debater sobre, destrinchar a obra, daí surgiu a vontade de escrever que foi crescendo e chegando a lugares como o Whiplash, Headbangers Brasil, Headbangers News, 80 Minutos, Gaveta de Bagunças e outros, até ter sua própria casa!

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