Resenha: Cyhra – “The Vertigo Trigger” (2023)

O Cyhra é daqueles tais supergrupos que reúnem nomes de outras grandes bandas em um lugar só, para fazer algo que fica entre o mais do mesmo de seus projetos anteriores. Tendo lançado dois discos bastante mornos, a banda traz agora seu terceiro registro, “The Vertigo Trigger“, via Nuclear Blast Records e vindo ao Brasil pela Shinigami Records.

As duas peças centrais ali são Jake E (ex-Amaranthe) e o guitarrista Jesper Strömblad (The Halo Effect, ex-In Flames), que se juntam ao baterista Alex Landenburg (Kamelot, ex-Annihilator), o baixista/guitarrista Euge Valovirta (ex-Shining) e o guitarrista Marcus Sunesson (Engel, ex-The Crown).

Com a faixa inicial “Ready to Rumble“, você já é capaz de adivinhar o que vem pela frente. Uma mescla das duas bandas de seus chavões, e nada vai muito além disso. “Let’s Have My Story Told” é quase tão entediante quanto ler o seu nome. “Live a Little” tem um começo bastante estranho, com batidinhas eletrônicas que permeam a faixa toda, dando um gosto de algo bastante apático e um refrãozinho mixuruca que não empolga em absolutamente nada. “1,000,000 Fahrenheidt” (alguém precisa dizer a essa banda como batizar suas músicas), traz alguns bons momentos das vozes e guitarras, sendo o máximo a se extrair aqui. A mudança de andamento próximo ao final é a melhor parte do todo aqui. “Buried Alive” é talvez uma das mil e quinhentas faixas com esse nome mais sem graça que ouvi nesse tempo. Estamos aqui na metade do disco e até o momento, nada de marcante ou surpreendente aconteceu. Na segunda metade nos deparamos com coisas tão apáticas como a insonsa “The Voice You Need To Hear” e a boa “Life is a Hurricane“, com uma mensagenzinha bobinha, mas embalada em alguns riffs aqui e acolá bem apresentados. Ainda há tempo para a competente “If I“, que poderia ser o tipo de som que ditasse os rumos das coisas por aqui, funcionando de melhor forma que qualquer outra até aqui entregue. O mesmo vale para “Fear of Missing Out“, que traz um bom andamento e bons toques de vozes e guitarra.

Dado ao histórico de seus integrantes e sua vasta experiência em bandas que já passaram por palcos gigantes do mundo em enormes festivais, falta muito para o Cyhra entregar algo de fato marcante, o que passa longe de ser o que nos vemos por aqui. Há boa produção e uma boa intenção de soarem inovadores e misturando elementos, mas a fórmula correta para isso funcionar, ainda não foi achada. Quem sabe na próxima.

NOTA: 6

Marcio Machado

Formado em História pela Universidade Estadual de Minas Gerais. Fundador e editor do Confere Só, que começou como um perfil do instagram em 2020, para em 2022 se expandir para um site. Ouvinte de rock/metal desde os 15 anos, nunca foi suficiente só ouvir aquela música, mas era preciso debater sobre, destrinchar a obra, daí surgiu a vontade de escrever que foi crescendo e chegando a lugares como o Whiplash, Headbangers Brasil, Headbangers News, 80 Minutos, Gaveta de Bagunças e outros, até ter sua própria casa!

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