Jayler e Dirty Honey agradam os cariocas com seu hard blues rock

Texto: Carlos Monteiro
Fotos: Ian Dias

Não é a primeira vez que vemos uma banda de jovens músicos emulando o Led Zeppelin. Mais recentemente e de forma mais clara, o Greta Van Fleet ocupou esse posto, agora, é a vez dos ingleses do Jayler, formada em 2022 e que se apresentou no Rio de Janeiro neste domingo de Páscoa (5/4), como banda de abertura para o Dirty Honey e Lynyrd Skynyrd, no Qualistage

Direto de Los Angeles, o Dirty Honey, é um pouco mais veterana, de 2017, mas também tem lá as suas semelhanças com bandas clássicas, como Black Crowes e Aerosmith. Devido ao tempo de estrada, o show é até mais coeso e envolvente que o Jayler

Mas o que ainda se pode inovar em se tratando de blues rock e hard rock? É com esse pensamento que se deve encarar o show dessas bandas: um excelente divertimento traduzido em canções bem executadas e com boa presença de palco.

Tudo bem que os gestos do vocalista do Jayler, James Bartholomew (que também toca guitarra) são muito, mas muito, semelhantes aos de Robert Plant. E isso dificulta um pouco a experiência de encarar a banda. Ela é composta também por Tyler Arrowsmith (guitarra), Ricky Hodgkiss (baixo) e Ed Evans (bateria). 

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Não tem como evitar falar da famosa banda clássica se os demais integrantes, em vários momentos, soam também como Jimmy Page, Jason Bonham e John Paul Jones. Porém, mesmo assim, o Jayler ao vivo é muito bom. Devido à juventude (idades em torno de 20 anos), os caras não param. 

E mesmo com público ainda reduzido, às 19h15, os “garotos” fizeram um set, apesar de curto, competente. Destaque para “Riverboat Queen” e “Lovemaker”. Eles ainda não tem um álbum completo, só EP e singles. Por isso, uma inédita no setlist: “Need Your Love”, que vai integrar, ainda esse ano, o lançamento de “Voices Unheard”, o primeiro álbum completo. A canção, aliás, faz a ponte para a parte final do show, com as pedradas “Over The Mountain” e “The Rinski”. 

A resposta do público foi boa, e esse “gostinho” de blues rock seria intensificado pelo Dirty Honey, a partir das 20h da mesma noite.


Composta por Marc LaBelle (vocais), John Notto (guitarra), Justin Smolian (baixo) e Jason Ganberg (bateria), a banda teve uma projeção inusitada quando “When I´m Gone” integrou a trilha sonora do blockbuster “A Minecraft Movie”, de 2025. O setlist foi mesclado principalmente dos dois registros completos da banda: “Dirty Honey” (2021) e “Can´t Find The Breaks” (2023).

Logo com “Won´t Take Me Alive”, o Dirty Honey mostrou a que veio, com seu hard rock potente. O pique continuou com “California Dreamin´” e “Heartbreaker” (não a do Led, mas sim de autoria deles mesmos). Em “Don´t Put Out The Fire”, o vocalista pegou um banco e levou até o meio da plateia, para cantar em cima dela e melhor ser visto pelo resto da casa. Em seguida, “Another Last Time” é uma ótima balada, digna dos (bons) clichês do gênero.

Devido à presença no filme, não à toa, “When I´m Gone” foi a penúltima canção do show, ela que tem uma vibe bem Black Crowes. Foi seguida pela swingada “Rolling 7s” com Marc indo de novo à galera, cantando em pé na grade do “gargarejo”.

Se ainda não desfrutam da popularidade e longevidade dos anfitriões Lynyrd Skynyrd, Jayler e Dirty Honey fizeram um excelente aquecimento e ainda mostraram que podem voltar a fazer shows por aqui. A escalação do trio, derivado do festival Monsters of Rock, realizado no dia anterior, em São Paulo, foi certeira e agradou os cariocas. 

Marcio Machado

Formado em História pela Universidade Estadual de Minas Gerais. Fundador e editor do Confere Só, que começou como um perfil do instagram em 2020, para em 2022 se expandir para um site. Ouvinte de rock/metal desde os 15 anos, nunca foi suficiente só ouvir aquela música, mas era preciso debater sobre, destrinchar a obra, daí surgiu a vontade de escrever que foi crescendo e chegando a lugares como o Whiplash, Headbangers Brasil, Headbangers News, 80 Minutos, Gaveta de Bagunças e outros, até ter sua própria casa!

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