Ritchie Blackmore vai se reunir com Deep Purple no palco pela primeira vez em 33 anos
O mundo do rock está prestes a testemunhar um daqueles momentos que pareciam pertencer apenas à história. Ritchie Blackmore vai voltar a dividir o palco com o Deep Purple nesta quarta-feira, 12 de agosto, durante o show da banda no Northwell at Jones Beach Theater, em Wantagh, Nova York. Será a primeira apresentação do guitarrista com o grupo em mais de três décadas.
A participação foi revelada pelo próprio Blackmore, de 81 anos, durante uma transmissão ao vivo no Instagram realizada na terça-feira, 11 de agosto, ao lado de sua esposa, Candice Night. O músico inicialmente tratou a informação como um segredo, mas acabou entregando a surpresa aos fãs.
“Há algo que queríamos mencionar sobre amanhã à noite… Bem, é um segredo e eu não quero que ninguém saiba, mas provavelmente vou subir e fazer um bis com a banda, o Deep Purple. Mas você não pode contar para ninguém, e eu sei que isso vai ser mantido em segredo. E será? Suponho que sim.”
A última vez que Blackmore tocou com o Deep Purple foi em 1993, durante a turbulenta fase que marcou sua segunda e definitiva saída da banda. Naquele período, o grupo havia reunido novamente a formação clássica conhecida como Mark II, com Ian Gillan, Ritchie Blackmore, Roger Glover, Jon Lord e Ian Paice, mas as tensões internas voltaram a crescer rapidamente.
O reencontro desta quarta-feira, portanto, não representa apenas uma participação especial. É o retorno de um dos músicos mais importantes da história do Deep Purple ao palco que ajudou a transformar em referência do hard rock e do heavy metal.
“Por causa dos velhos tempos”
Segundo Blackmore, a ideia de participar do show partiu dele. O guitarrista contou que procurou Ian Gillan para saber se haveria espaço para uma participação rápida durante o bis.
“Na verdade, eu liguei… não liguei para ele, enviei meu pombo de inteligência artificial para o Ian Gillan, em Portugal, onde ele vive atualmente. E disse: ‘Como você se sentiria se eu subisse apenas para um bis? Uma das músicas. Não quero me intrometer’. E disse: ‘Sem pressão — apenas pelos velhos tempos’. Tenho 81 anos agora. Então ele pareceu adorar a ideia, levou para a banda, recebeu sinal verde e parece que talvez façamos isso.”
A proposta foi aceita por Gillan e pelos demais integrantes do Deep Purple, abrindo caminho para um encontro que durante muitos anos parecia improvável.
A expectativa é de que Blackmore participe de apenas uma música. O guitarrista, inclusive, já preparou seu equipamento para a ocasião e revelou que seu roadie estava montando o amplificador antes do show.
“Meu roadie está lá agora, preparando meu amplificador. Vou usar um amplificador pequeno, mas ele é muito alto. É o que uso quando gravo. Espero conseguir competir com o guitarrista atual do Deep Purple, Simon McBride, porque vejo que ele tem amplificadores enormes atrás dele.”
Blackmore também contou que voltou a preparar sua velha Stratocaster para a apresentação — algo que, segundo ele, não fazia há mais de 25 anos.
“Troquei as cordas da minha Strat, coisa que não faço há mais de 25 anos. Espero que o cara da frente consiga aumentar meu volume. Meu roadie está lá para a passagem de som.”
E qual música Blackmore vai tocar?
Um dos grandes mistérios do reencontro é justamente o repertório. Candice Night revelou que a música não será “Highway Star”, já que o Deep Purple abre o show justamente com esse clássico.
Isso deixa em aberto qual será a faixa escolhida para o reencontro. Entre as possibilidades naturais estão alguns dos maiores clássicos associados à guitarra de Blackmore, mas a banda ainda não havia confirmado oficialmente a música no momento da publicação das informações.
Independentemente da escolha, a expectativa é enorme. Afinal, será a primeira vez desde 1993 que Blackmore e Deep Purple estarão juntos no palco.
Um reencontro depois de uma das despedidas mais turbulentas do rock
A última passagem de Blackmore pelo Deep Purple ficou marcada por conflitos. Em 1993, a banda lançou “The Battle Rages On…”, seu último álbum de estúdio com o guitarrista. O trabalho nasceu durante a segunda reunião da formação Mark II, mas o processo foi marcado por divergências, principalmente entre Blackmore e Gillan.
A situação chegou ao limite durante a turnê. O show de 1993 documentado posteriormente em “Come Hell or High Water” ficou famoso pelo comportamento de Blackmore, que chegou a entrar no palco atrasado em “Highway Star” e teve um confronto com um cinegrafista.
O guitarrista deixou oficialmente o Deep Purple após um show em Helsinque, na Finlândia, em novembro daquele ano. Joe Satriani foi chamado para completar algumas datas e, posteriormente, Steve Morse assumiu definitivamente o posto.
Agora, 33 anos depois, Blackmore e Gillan voltarão a dividir o mesmo palco.
Blackmore enfrenta limitações físicas
A participação também acontece em um momento delicado para o guitarrista, que falou abertamente sobre suas atuais limitações físicas. Blackmore sofreu um forte ataque de vertigem no fim de 2025, que chegou a provocar o cancelamento de shows, além de conviver com problemas crônicos como gota e artrite.
Antes da apresentação desta quarta-feira, ele revelou que precisou receber uma injeção de esteroide na região lombar para conseguir permanecer em pé durante o show.
“Tive uma injeção na região lombar ontem. É uma injeção especial que tenho, que me permite ficar parado em um lugar, porque, se estou tocando uma Strat no palco, tenho problemas nos ombros e na região lombar. Tenho quatro discos de hérnia, caso alguém queira.”
O músico também brincou com a possibilidade de precisar de apoio durante a apresentação.
“Tenho um banquinho lá, só para o caso de começar a tombar ou alguma coisa assim.”
Apesar das dificuldades, Blackmore afirmou estar se recuperando e demonstrou disposição para encarar novamente o palco ao lado de seus antigos companheiros.
Um palco com três gerações de guitarristas
O reencontro também coloca Ritchie Blackmore ao lado de Simon McBride, atual guitarrista do Deep Purple. O irlandês assumiu oficialmente a posição em 2022, sucedendo Steve Morse, que deixou a banda para cuidar de sua esposa durante um período de problemas de saúde.
Longe de demonstrar qualquer rivalidade, Blackmore fez questão de reconhecer a qualidade dos guitarristas que ocuparam seu antigo posto.
“Simon é um guitarrista muito bom. Assim como Steve Morse era, e é, um grande guitarrista.”
A declaração reforça que a participação desta quarta-feira não deve ser encarada como uma tentativa de retomada de seu antigo posto, mas como uma celebração de uma história que ajudou a definir o rock pesado.
Ritchie Blackmore foi peça fundamental na criação da identidade do Deep Purple durante a formação clássica. Ao lado de Ian Gillan, Roger Glover, Jon Lord e Ian Paice, participou de trabalhos históricos como “Deep Purple in Rock”, “Machine Head” e “Made in Japan”, além de contribuir diretamente para clássicos como “Smoke on the Water”, “Highway Star” e “Burn”.
