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Sacriversum se distancia do convencional em “The Shadow of the Golden Fire”

A trajetória do Sacriversum remonta à década de 1990, quando a banda polonesa lançou seu álbum de estreia, “The Shadow of the Golden Fire“, em 1994. Ao longo dos anos, o grupo passou por transformações significativas, abandonando gradualmente o death metal tecnicamente elaborado em favor de uma sonoridade mais próxima do doom metal e do gothic metal. Depois de encerrar suas atividades, o grupo ressurgiu em 2022, retomando uma história marcada pela experimentação e pela busca por uma identidade própria. Essa disposição para explorar caminhos pouco convencionais permanece evidente em “Before the Birth of Light“, lançado pela Fireflash e distribuído pela Shinigami Records, álbum que aposta em uma combinação peculiar de elementos musicais.

O aspecto mais marcante do trabalho está no uso proeminente dos teclados, que acrescentam camadas sonoras incomuns ao death metal praticado pela banda. Em vez de se limitar a criar atmosferas sombrias, o instrumento assume um papel central nos arranjos, recorrendo a timbres de Hammond e órgão que remetem diretamente à tradição do hard rock clássico. Essa escolha confere ao disco uma personalidade particular, estabelecendo um contraste interessante com a agressividade das guitarras e a atmosfera obscura que permeia as composições.

Outro elemento importante são as linhas melódicas de guitarra, que demonstram uma ligação clara com o heavy metal tradicional. Em determinados momentos, as construções melódicas evocam a escola de Iron Maiden, especialmente quando os fraseados assumem protagonismo em meio aos riffs mais pesados. Quando essas melodias se encontram com as estruturas sombrias e a intensidade característica do death metal, surgem passagens capazes de despertar a curiosidade e valorizar a proposta musical do grupo. A mistura entre referências tão distintas oferece ao álbum momentos de genuína personalidade.

Entretanto, a busca por essa identidade também apresenta alguns obstáculos. Em certos trechos, “Before the Birth of Light” soa imprevisível demais, como se suas diferentes influências nem sempre encontrassem um ponto de equilíbrio. A transição entre as camadas atmosféricas dos teclados e as passagens mais agressivas do death metal pode provocar uma sensação de desorientação, prejudicando a fluidez de algumas composições. A experimentação é um dos principais atrativos do trabalho, mas nem todas as ideias parecem funcionar com a mesma naturalidade.

Ainda assim, o Sacriversum entrega um álbum com personalidade própria, distante de fórmulas convencionais e disposto a explorar possibilidades pouco usuais dentro do metal extremo. Embora algumas escolhas estilísticas dificultem a experiência em determinados momentos, a combinação de teclados de inspiração clássica, melodias tradicionais e peso sombrio torna “Before the Birth of Light” um lançamento que merece ser conhecido por quem aprecia sonoridades menos previsíveis.

Marcio Machado

Formado em História pela Universidade Estadual de Minas Gerais. Fundador e editor do Confere Só, que começou como um perfil do instagram em 2020, para em 2022 se expandir para um site. Ouvinte de rock/metal desde os 15 anos, nunca foi suficiente só ouvir aquela música, mas era preciso debater sobre, destrinchar a obra, daí surgiu a vontade de escrever que foi crescendo e chegando a lugares como o Whiplash, Headbangers Brasil, Headbangers News, 80 Minutos, Gaveta de Bagunças e outros, até ter sua própria casa!

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