Jon Bon Jovi diz que sua voz está “fenomenal”
Jon Bon Jovi afirmou que recuperou a confiança na própria voz após quatro anos de tratamento e reabilitação vocal. Em entrevista ao programa australiano A Current Affair, o cantor falou sobre as dificuldades enfrentadas após uma cirurgia nas cordas vocais em 2022 e explicou por que decidiu esperar antes de voltar a fazer turnês com o Bon Jovi.
A banda anunciou recentemente a “Forever Tour”, que terá sete apresentações em estádios em 2027, nos Estados Unidos, Reino Unido, Canadá e Austrália. O anúncio veio após uma residência de nove shows no Madison Square Garden, em Nova York, em julho, além de três apresentações em estádios britânicos entre agosto e setembro.
Segundo o vocalista, a experiência recente nos palcos ajudou a revitalizar o grupo, mas o retorno só aconteceu quando ele sentiu que poderia corresponder ao padrão de qualidade que acompanha a banda há décadas.
“Passei por um inferno e não iria, não poderia comprometer o legado. Eu não poderia sair por aí segurando o microfone para o público cantar. [Risos.] Manter o padrão que estabelecemos há mais de 40 anos é importante para mim. Quero que sejamos o melhor que pudermos ser.”
Questionado sobre as condições atuais de sua voz, Jon respondeu com entusiasmo e afirmou que já se sente preparado para cantar novamente.
“Fenomenal. [Bate na mesa.] Eu poderia subir ao palco e cantar hoje à noite, sem problema.”
Jon Bon Jovi explica por que esperou quatro anos para voltar
O cantor explicou que a recuperação levou quatro anos, mas ressaltou que a decisão de adiar o retorno foi sua. Mesmo com pessoas próximas sugerindo que ele voltasse antes, Jon preferiu esperar até sentir que estava pronto.
“Percebi que levei quatro anos para colocar minha voz em forma novamente. Esses quatro anos foram uma decisão minha. Eu não sairia em turnê depois de apenas dois anos. As pessoas diziam: ‘Está tudo bem. Vamos nessa’. Perguntem ao promotor australiano, Paul Dainty, quantas vezes ele já teve uma turnê marcada no papel. Eu dizia: ‘Não, não posso fazer isso. Simplesmente não vou fazer, não posso’. Depois desse processo de quatro anos, finalmente pensei: ‘Sim, agora está pronta’.”
A decisão esteve ligada à preocupação de preservar a qualidade das apresentações. Para Jon, voltar aos palcos sem conseguir cantar como gostaria não seria uma opção aceitável, especialmente diante das expectativas construídas ao longo da carreira do Bon Jovi.
Médico adotou abordagem diferente durante o tratamento
Durante a entrevista, Jon também contou como encontrou o médico que o acompanhou no processo de recuperação. Segundo o cantor, ele havia consultado outros profissionais, mas ficou assustado com a postura de alguns especialistas que prometiam resultados com excesso de confiança.
A abordagem de um médico da Filadélfia, que estava próximo da aposentadoria, acabou conquistando sua confiança. O profissional explicou que havia se dedicado à medicina vocal depois de enfrentar dificuldades como cantor.
“Certamente eu tinha muito trabalho pela frente. Precisava confiar em um médico. Imaginem, para quem está assistindo e não entende desse assunto: alguns médicos especializados em voz têm uma espécie de complexo de Deus. Dizem: ‘Só eu posso curar você e, se eu decidir…’. Eu ficava aterrorizado com pessoas assim.
Então encontrei um homem na Filadélfia, na Pensilvânia, que estava literalmente prestes a se aposentar. Era um senhor idoso, usava uma gravata-borboleta, um suéter por cima da gravata e um paletó por cima do suéter. Ele entrou na sala com uma postura muito imponente, mas perguntou: ‘Você sabe por que me tornei médico de cantores?’. Respondi: ‘Não, me conte’. Ele disse: ‘Porque eu era cantor, tive problemas e não conseguia entender o motivo nem descobrir quem poderia me ajudar. Por isso, dediquei minha vida a esse trabalho’. Depois, escreveu vários livros sobre o assunto.
Ele também disse que estava prestes a se aposentar. E foi o que realmente me convenceu: ‘Não prometo nada. Siga os protocolos. Faça esta operação, porque é sua única opção, e, com o tempo, você ficará melhor do que está agora. Confie no processo’. Não consigo agradecer o suficiente por isso. Ele era o médico certo para mim.”
Jon acrescentou que outros especialistas se apresentavam como responsáveis pela recuperação de grandes artistas, mas que essa postura não lhe transmitia segurança. Para ele, a honestidade do médico escolhido foi fundamental para enfrentar o longo tratamento.
Recuperação exigiu anos de terapia vocal
O vocalista também revelou que, durante parte do processo, chegou a ter dificuldades até mesmo para cantar músicas simples. Embora não tenha perdido a esperança, ele reconheceu que talvez tivesse reconsiderado a carreira se soubesse desde o início quanto tempo levaria para recuperar a voz.
“Não perdi a fé. Mas, se ele tivesse me dito que seriam quatro anos, talvez eu tivesse pensado em dizer: ‘Foi ótimo enquanto durou’. O processo foi longo demais. Eu percebia o progresso, mas era gradual, acontecia aos poucos. Eu não conseguia cantar nem ‘Parabéns para você’.
Mais uma vez, esse médico tinha uma terapeuta vocal trabalhando em seu consultório em tempo integral e também contava com uma fonoaudióloga em tempo integral. Com qualquer outro médico especializado em voz que eu tivesse consultado, a orientação era: ‘Procure a Jane, procure o Joe quando eu terminar com você’. Eles faziam a cirurgia, conversavam com você mais duas vezes e pronto.
Com esse médico, eu trabalhava quatro dias por semana, duas horas por dia, durante três anos. Depois desse período, quando achei que estava pronto e a banda olhou para mim e disse: ‘Sabemos que você está melhor’, troquei de profissional. Não poderia ter pedido mais daquela terapeuta vocal.”
O relato mostra a dimensão do trabalho necessário para que o cantor voltasse a confiar na própria capacidade de sustentar as músicas do repertório do Bon Jovi.
“Agora consigo cantar sem pensar em cantar”, diz o vocalista
Ao recordar o retorno aos palcos, Jon descreveu a experiência como uma fonte de alegria. Ele explicou que, antes da cirurgia, cada apresentação era acompanhada pela preocupação constante com a afinação e a qualidade da voz.
“Foi maravilhoso. Simplesmente maravilhoso. E vou explicar o motivo: agora consigo cantar sem ficar pensando em cantar. Posso sentir a vibração da música, da banda e do público.
Preciso dizer que, em 2019 e, com certeza, em 2022, eu segurava o microfone com toda a força, como se estivesse lutando por ele, a cada nota. ‘Está afinada? Está afinada? Está boa o suficiente? Ah, e agora sorria. Certo, apresente esse grande sucesso. Está bom o suficiente? Está bom o suficiente?’ Era assim todas as noites. Não valia a pena continuar fazendo aquilo.
Quando saí daquele palco em Nashville, em abril de 2022, no último show do Bon Jovi antes da cirurgia, disse à minha esposa, Dorothea: ‘Foi muito bom’. E eu realmente acreditava nisso. Pensei: ‘Foi muito bom’. Ela respondeu: ‘Não foi’.”
A lembrança evidencia o contraste entre a insegurança que sentia antes do procedimento e a tranquilidade que afirma ter recuperado agora.
Bon Jovi voltou a cantar músicas exigentes do repertório
Jon também foi questionado sobre a possibilidade de evitar determinadas músicas por causa das exigências vocais. O cantor negou que esteja preocupado com alguma faixa específica e destacou que voltou a interpretar sucessos importantes na mesma tonalidade utilizada anteriormente.
“Não. ‘Livin’ on a Prayer’ continua na mesma tonalidade em que sempre a apresentamos. Também estou cantando ‘Bed of Roses’ da mesma maneira. Agora estamos tocando ‘Always’, ‘I’ll Be There for You’, ‘Bed of Roses’ e ‘Livin’ on a Prayer’ todas na mesma noite, todas as noites.”
A declaração reforça a confiança do vocalista para a próxima etapa da carreira ao vivo do Bon Jovi. Com a “Forever Tour” prevista para 2027, a banda se prepara para voltar aos grandes estádios
