Alter Bridge ganha plateia em segunda noite de abertura para o Iron Maiden
Texto: Marcio Machado
Fotos: André Tedim
Abrir para bandas consagradas nunca é uma tarefa fácil. Em suas últimas passagens pelo Brasil, o Iron Maiden trouxe junto com eles o Avatar (2022), o Volbeat (2024) e agora o Alter Bridge. É claro que há um nervosismo nessa tarefa, ainda mais ao se tratar dos fãs brasileiros que são tão exigentes e tão fanáticos pela banda principal.



O quarteto retorna ao Brasil após três anos longe, quando fez sua última passagem durante a turnê do disco “Pawns & Kings“, em 2023 em um show solo no Espaço Unimed. Eles trazem na bagagem o seu trabalho mais recente, o disco homônimo lançado no início deste ano e encaram um estádio quase já cheio e plena terça-feira.
Pontualmente às 19:10, as luzes se apagam e o logo do Alter Bridge surge ao fundo e os primeiros riffs da pesada e “sabbathica” “Silent Divide“, que também abre o novo trabalho, são os que dão início a esta segunda noite no NuBank Parque. Há uma sonora ovação do público e um largo sorriso no rosto do vocalista Myles Kennedy já aparecem de início. Com um som muito bem equalizado, na medida certa (pelo menos na lateral direita onde me posicionei), a sequência emendada com a raivosa “Addicted to Pain” é um combo animal para a abertura que já ganha a plateia naquele momento em meio à fúria da guitarra de Mark Tremonti, afiada e pronta para o ataque. Myles retira os seus óculos e os pendura no colar que usa e vem adotando essa estética durante toda a turnê e emenda um “boa notche” em um sotaque carregado. Os rufares de tambores de Brian Marshall surgem em meio ao dedilhado latino da introdução de “Cry of Achilles” e com o reforço do baixo de Scott Phillips que “amarra” a artilharia.


E parece que o álbum “Fortress” foi o escolhido para ser o agraciado. Além das duas anteriores, a própria faixa-título foi quem deu as caras em seguida. Ao longo dos seus 7 minutos, a banda mostra o seu domínio musical em uma composição forte, rica em seus momentos e um trabalho vocal de Kennedy impecável, com plena força no que está fazendo.
Em seguida, uma mudança para o show de domingo. Sai “Silver Tongue” e entra “Ghost of Days go Bye“. Uma semi-balada e mais uma vez o Alter Bridge mostra como é uma banda extremamente competente e tem total força naquilo que faz. A composição vai ganhando um crescendo ao longo dos minutos e explode em um refrão marcante, com direito a palmas da plateia e um carisma impressionante da banda, que, a essa altura, tinha ganhado os presentes que, mesmo ansiosos pela atração principal, deram uma recepção calorosa a esses quatro.

Já caminhando para o final, “Metalingus“, um dos principais hits da banda, é quem chega. Myles se livra da guitarra, assume o posto de vocalista e, com microfone em punho, apresenta a banda durante a introdução da faixa. Tremonti pesa a mão nos riffs violentos e raivosos; o groove entre Brian e Scott é incrível. No meio da faixa, Kennedy brinca com a plateia pedindo mãos ao ar de cada lado do campo, até pedir para todos em uníssono e tudo vira um espetáculo em um campo que a essa hora já se via bem mais cheio.

Passado o peso, é hora da épica “Blackbird“, que dá título ao segundo disco da banda. Também uma das mais conhecidas do grupo, a música emociona os fãs presentes e explode em um refrão poderoso, cantado por vozes em uníssono na plateia. Não a toa, a música é uma das mais poderosas na artilharia do Alter Bridge e sua mensagem é tocante, ainda mais aliada à expressiva apresentação de Myles, que soa impecável. Para o encerramento, mais uma mudança. Ao invés de “Isolation“, “Rise Today” é quem marca a despedida, que mesmo após um show curto, mostrou sua competência e ganhou a plateia nesta segunda noite.
Myles se despede agradecendo e promete nos ver em breve. De fato, ele já tem o seu passaporte de retorno confirmado, mas junto a Slash, que passará pelo Brasil no próximo ano com sua nova turnê. Mas um retorno solo do Alter Bridge em nossas terras não seria de nada ruim, pois eis aqui uma das melhores bandas da atualidade em atividade e que merece ter seu próprio espetáculo e dar esse presente aos seus fãs.


