Morre aos 93 anos, Tinto Brass; cineasta italiano marcou o cinema erótico com “Calígula” e outros clássicos
O cineasta italiano Tinto Brass morreu aos 93 anos. A informação foi divulgada nesta quarta-feira (4) pela agência de notícias italiana Ansa. Conhecido por suas produções provocativas, o diretor construiu uma carreira marcada por controvérsias e filmes que se tornaram referências do cinema erótico europeu.
Nascido em 26 de março de 1933, em Milão, Brass iniciou sua trajetória no cinema durante os anos 1960, trabalhando como assistente de direção. Antes de assumir o comando de seus próprios projetos, passou pela Cinemateca Francesa, em Paris, onde teve contato com a Nouvelle Vague. Também colaborou com nomes como Roberto Rossellini, Joris Ivens e Alberto Cavalcanti.
Sua estreia na direção aconteceu com “Chi lavora è perduto” (1963), longa que já apresentava o espírito experimental que acompanharia sua filmografia. Ao longo dos anos, Brass transitou por diferentes gêneros até encontrar no erotismo uma das principais marcas de sua identidade cinematográfica.
“Calígula” se tornou o filme mais controverso de sua carreira
Um dos momentos mais conhecidos da trajetória de Brass aconteceu em 1975, quando dirigiu “Salão Kitty”. Ambientado na Alemanha nazista, o drama explorava as relações entre sexo, poder e política. A produção chamou a atenção de Bob Guccione, fundador da revista Penthouse, que posteriormente convidou o cineasta para dirigir “Calígula” (1979).
Estrelado por Malcolm McDowell, Helen Mirren, Peter O’Toole e John Gielgud, o longa retrata a ascensão e o reinado do imperador romano Calígula. A produção entrou para a história por suas cenas explícitas de sexo e violência, além dos conflitos criativos entre Brass e Guccione.
A relação entre o diretor e o produtor foi marcada por divergências sobre os rumos do projeto. O resultado foi uma obra controversa, que ultrapassou os limites do cinema histórico tradicional e se tornou um dos títulos mais comentados de sua época.
Outros filmes marcantes de Tinto Brass
Embora “Calígula” seja frequentemente associado ao nome do cineasta, sua filmografia reúne diversas outras produções conhecidas. Entre elas está “A Chave” (1983), um dos títulos que ajudaram a consolidar sua reputação no cinema erótico italiano.
Brass também dirigiu “Miranda” (1985), “Capriccio” (1987) e “Paprika” (1991), obras que mantiveram a exploração da sensualidade como elemento central de sua linguagem. Em 1992, lançou “Todas as Mulheres Fazem”, inspirado na ópera “Così fan tutte”, de Wolfgang Amadeus Mozart.
Outro trabalho conhecido é “Monella” (1998), que também ganhou espaço entre os títulos mais lembrados de sua carreira. Ao longo de décadas, Brass desenvolveu um estilo próprio, frequentemente associado à provocação e à representação explícita da sexualidade.
Diretor foi homenageado no Festival de Veneza em 2026
Em setembro de 2026, “Col cuore in gola” (1967) ganhou uma versão restaurada em 4K durante a abertura da programação do Festival de Veneza. Brass não conseguiu comparecer à sessão por questões de saúde.
Na ocasião, o cineasta recebeu o Prêmio Pietro Bianchi, concedido pelo Sindicato Nacional dos Jornalistas Cinematográficos Italianos. A homenagem reconheceu sua trajetória e sua contribuição ao cinema italiano.
Brass deixa a esposa, Caterina Varzi, com quem se casou em 2017, e os filhos Bonifacio e Beatrice. Segundo informações divulgadas pela família, o funeral será realizado em uma cerimônia privada.
