A banda que os brasileiros provavelmente nunca verão devido ao medo de avião do vocalista

Para muitos fãs brasileiros de rock alternativo e hard rock moderno, existe uma banda que parece destinada a permanecer apenas nos fones de ouvido e playlists: o Breaking Benjamin.

Dona de sucessos como “The Diary of Jane“, “Breath“, “So Cold” e “I Will Not Bow“, a banda liderada por Benjamin Burnley construiu uma carreira impressionante nos Estados Unidos, acumulando milhões de discos vendidos e diversos álbuns de sucesso. Apesar disso, o grupo raramente se aventura para além da América do Norte. O motivo não envolve logística, mercado ou falta de interesse do público internacional, mas sim uma questão bastante pessoal: o medo de voar de seu vocalista.

Burnley sofre de uma severa aviofobia, condição que o acompanha há décadas e que chegou a inspirar diretamente o álbum “Phobia“, lançado em 2006. A própria arte do disco faz referência ao medo do cantor, retratando uma figura suspensa sobre uma pista de aeroporto.

Em uma entrevista concedida recentemente, o músico voltou a falar sobre o assunto ao explicar como faz para cumprir compromissos na Europa.

“Eu não voo, então preciso pegar um barco para chegar lá”, afirmou o cantor ao comentar a turnê europeia da banda em 2026.

A situação é tão séria que Burnley costuma partir vários dias antes do restante da banda. Em vez de embarcar em um avião, ele atravessa o Oceano Atlântico em navios de passageiros, uma viagem que pode durar cerca de uma semana.

Em outra declaração, ele admitiu que a experiência marítima também não é exatamente agradável, mas ainda assim parece muito melhor do que entrar em uma aeronave.

“Eu definitivamente tenho medo. Sempre que penso em voar, percebo que estou bem no navio”, comentou.

O vocalista já revelou que sua aversão não se limita apenas aos aviões. Segundo ele, velocidade, altura e viagens em geral estão entre suas maiores fontes de ansiedade.

“Eu não gosto de viajar. Estou na profissão errada. Não gosto de velocidade e certamente não gosto de estar muito alto”, declarou.

Essa condição acabou impactando diretamente a trajetória internacional do Breaking Benjamin. Durante muitos anos, a banda simplesmente não realizou shows fora dos Estados Unidos e Canadá. Apenas em 2016 o grupo fez sua primeira excursão pela Europa, justamente após Burnley aceitar enfrentar uma longa travessia marítima para chegar ao continente.

O medo é tão conhecido entre os fãs que virou parte da identidade artística do cantor. Em entrevistas mais antigas, Burnley chegou a brincar dizendo que iria “até onde um barco pudesse levá-lo”, uma frase que acabou se tornando praticamente uma filosofia para a carreira internacional da banda.

Para os fãs brasileiros, isso ajuda a explicar por que o Breaking Benjamin nunca conseguiu construir uma presença consistente na América do Sul. Embora não seja impossível imaginar uma visita ao país no futuro, a necessidade de longas viagens marítimas torna qualquer turnê sul-americana extremamente complicada.

Enquanto nomes como Disturbed, Three Days Grace e Shinedown visitam regularmente diferentes continentes, o Breaking Benjamin permanece como um fenômeno majoritariamente norte-americano — não por falta de demanda, mas por causa de uma das fobias mais conhecidas da história recente do rock.

Enquanto isso, a banda se prepara para lançar um novo disco, ainda sem data definida, mas que segundo Benjamin, já está pronto.

Marcio Machado

Formado em História pela Universidade Estadual de Minas Gerais. Fundador e editor do Confere Só, que começou como um perfil do instagram em 2020, para em 2022 se expandir para um site. Ouvinte de rock/metal desde os 15 anos, nunca foi suficiente só ouvir aquela música, mas era preciso debater sobre, destrinchar a obra, daí surgiu a vontade de escrever que foi crescendo e chegando a lugares como o Whiplash, Headbangers Brasil, Headbangers News, 80 Minutos, Gaveta de Bagunças e outros, até ter sua própria casa!

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