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Anders Colsefni quer gravar sua própria versão de “MFKR” do Slipknot

O ex-vocalista original do Slipknot, Anders Colsefni, voltou a comentar a repercussão de “Mate. Feed. Kill. Repeat.“, álbum lançado em 1996 e considerado um registro fundamental dos primeiros anos da banda. Em entrevista a Will McLeod, do podcast Minnesota Music Note, o músico falou sobre os shows recentes em que voltou a apresentar essas músicas, criticou a regravação de 2024 realizada com a banda neozelandesa Kaosis e revelou que pretende gravar uma nova versão do trabalho, desde que consiga resolver as questões legais envolvidas.

Colsefni foi responsável pelos vocais principais de “Mate. Feed. Kill. Repeat.” e participou da fase inicial do Slipknot antes da entrada de Corey Taylor. Ao falar sobre voltar a interpretar essas composições ao vivo, ele descreveu a experiência como positiva, embora tenha admitido que precisou se preparar para recuperar o condicionamento necessário.

“É incrível. Levei um tempinho. Tive que pesquisar algumas das minhas letras, especialmente as de ‘The Crowz’, uma coletânea de músicas posteriores a ‘Mate. Feed. Kill. Repeat.’, com gravações demo minhas e do atual vocalista do Slipknot, Corey Taylor, nos vocais. Não sei por que não tenho mais cadernos. Talvez eu os tenha vendido há algum tempo ou algo assim. Mas é divertido. E, meu Deus, eu não me lembrava de como era difícil fazer tudo isso. Tocar bateria, gritar, berrar, cantar, fazer rap, rosnar mais um pouco, cantar mais um pouco, tocar bateria, barris de cerveja, tentar desviar de alguma coisa que voava na minha cabeça vinda do Clown, do outro lado do palco, coisas assim. Eu realmente tive que me esforçar para manter meu velho traseiro em forma para fazer isso.”

Entre as músicas que voltaram ao repertório, algumas continuam sendo especialmente populares entre os fãs. O vocalista citou “Slipknot”, “Gently”, “Do Nothing”, “Bitchslap” e “Killers Are Quiet” como destaques das apresentações.

“Hoje em dia, eu diria que são praticamente as mesmas favoritas que as pessoas tinham naquela época. Elas querem ouvir ‘Slipknot’, a música ‘Slipknot’, simplesmente porque é uma diferença gritante em relação ao que a banda se tornou. Elas querem ouvir ‘Gently’ e adoram ‘Do Nothing’ e ‘Bitchslap’. Elas simplesmente adoram. Bem, na verdade, parece que gostam de todas. Elas até gostam de ‘Killers Are Quiet’, e nós podemos pegar essa música e estendê-la por 20 minutos, se quisermos. Podemos transformá-la num grande festival de drones.”

O músico também se mostrou satisfeito ao perceber que o material dos primeiros anos do Slipknot está alcançando novas gerações. Segundo ele, os shows recentes reuniram pessoas de diferentes idades e até espectadores que não costumam acompanhar o metal.

“É ótimo. É mesmo. No show de 6 de junho que fizemos aqui na cidade, vi crianças pequenas, adolescentes, fãs de música country mais velhos, e todos vieram até mim e disseram: ‘Sou fã de country, mas isso foi legal’. Todos tinham um motivo para estarem no show, por serem fãs de country. Algum membro da família os arrastou, e coisas assim, e eles ficaram tipo: ‘Uau’. Não era só raiva, gritos, berros, gente irritada. Muita coisa… eu toco pandeiro. Você só consegue expressar tanta raiva com um pandeiro durante um show pesado. Mas a atmosfera estava mais divertida, mesmo que um pouco mais agitada, caótica e dispersa.”

Anders Colsefni explica por que rejeita a versão de 2024

Um dos principais assuntos da entrevista foi a regravação de Mate. Feed. Kill. Repeat. lançada em 2024 com a participação do Kaosis. Colsefni já havia classificado essa versão como uma representação ruim das músicas originais. Agora, explicou que o resultado surgiu de um desentendimento sobre a participação de músicos tocando os instrumentos ao vivo.

Segundo o vocalista, ele concordou em regravar os vocais acreditando que os músicos envolvidos executariam as partes instrumentais. Entretanto, isso não aconteceu como esperava. Para Anders, a decisão de produzir as faixas digitalmente comprometeu o resultado e transformou o projeto em algo que não correspondia à proposta inicial.

“Vou simplificar, porque já respondi a essa pergunta recentemente. Houve uma falha de comunicação entre outra pessoa e eu em relação à regravação dessas músicas, e tinha a ver com a presença de músicos tocando ao vivo. Deixei bem claro que precisava de músicos tocando as músicas ao vivo. Elas não podiam ser simplesmente digitalizadas e gravadas por um programa. Regravei meus vocais ao vivo no pequeno estúdio do meu filho e fiquei feliz com o resultado, mas nunca consegui o que esperava. Acontece que a pessoa em questão tomou algumas decisões comerciais visando ao lucro, então não contrataram músicos para tocar ao vivo. Basicamente, fizeram tudo no computador, e o resultado foi essa versão horrível de um álbum que já tinha um som muito bom. Não melhorou em nada e não trouxe nada de novo. Só o tornou péssimo. E detesto dizer isso, porque eu tinha um bom relacionamento com as pessoas envolvidas até então.”

Colsefni afirmou que a repercussão do lançamento foi intensa e que precisou esclarecer repetidamente que não concordava com aquela versão. Segundo ele, algumas pessoas acreditaram que a decisão havia sido sua e passaram a responsabilizá-lo pelo resultado.

“Foi uma situação muito séria. Fiquei em alerta máximo, e as pessoas começaram a ligar sem parar assim que aquilo foi divulgado. Venho explicando há bastante tempo que aquela não foi minha decisão. Elas achavam que tinha sido eu e ficaram bravas comigo por isso. É tipo: ‘Não, eu também não estou feliz com isso’.”

O cantor também explicou por que publicou uma mensagem nas redes sociais pedindo que os fãs não ouvissem a edição de 2024 em plataformas de streaming. A capa verde utilizada no lançamento, segundo ele, foi um dos fatores que motivaram sua manifestação.

“Continuo vendo aquela capa verde no Spotify e em tudo mais, e foi isso que realmente me motivou a fazer aquela postagem. Depois do Palefest, conversei com alguns dos caras com quem tocamos em Ohio. Eles não faziam ideia de que eu não apoiava aquele lançamento e acharam que era uma representação ruim, como eu também acho. Esclareci isso com eles. E aí, o que você faz agora? Não dá para baixar offline. Está lá, simplesmente. Então, senti que precisava publicar: ‘Não ouçam’. Vocês podem encontrar a versão original no YouTube ou em qualquer lugar. Podem ouvir o álbum original inteiro agora mesmo, se quiserem, em praticamente qualquer lugar. Só não podem ter uma cópia física.”

Quando perguntado sobre como encontrar a gravação original, Anders recomendou que os fãs procurem a edição com a capa original do álbum, em vez da versão com a arte verde.

“Você pode encontrar o ‘MFKR’ original no YouTube. Tem vários lá. Não vá para aquele que é todo verde brilhante; vá direto para o que tem a capa do álbum, a capa original do ‘MFKR’. Não tem como errar.”

Vocalista quer regravar o álbum com músicos tocando ao vivo

Apesar das críticas à edição de 2024, Colsefni continua interessado em disponibilizar uma nova versão de Mate. Feed. Kill. Repeat.. O músico afirmou que está avaliando as possibilidades legais, já que parte do catálogo do Slipknot teria sido vendida por Corey Taylor e Shawn “Clown” Crahan a outra empresa no ano anterior.

A intenção de Anders é gravar as músicas com sua formação atual, preservando a execução instrumental ao vivo e oferecendo aos fãs uma alternativa que considere mais próxima da proposta original.

“Estamos analisando nossas opções legais, obviamente. Corey e Shawn venderam seu catálogo para outra empresa no ano passado, eu acho, e agora estamos tentando localizar os novos proprietários e descobrir se posso fazer isso sem problemas legais. Mas, se dependesse de mim, os caras com quem tenho me apresentado nesses dois primeiros shows, celebrando o 30º aniversário de ‘Mate. Feed. Kill. Repeat.’, gravariam todas as músicas e as disponibilizariam para todo mundo. Acho que não conseguiríamos lucrar com isso, mas o material estaria disponível para as pessoas ouvirem. Claro, seria regravado com muitas outras pessoas. Ainda estamos avaliando como tudo vai funcionar. Eu adoraria fazer isso. Adoraria lançar algo com minha banda, gravado de verdade, e não tudo computadorizado, fazendo do jeito certo para permitir que as pessoas que querem ouvir a versão mais próxima possível da original tenham uma nova gravação.”

O projeto ainda depende da resolução dessas questões. Até o momento, Anders não confirmou uma data para as gravações nem anunciou quando uma possível nova edição poderia chegar ao público.

O vocalista também refletiu sobre a importância que o álbum continua tendo, mesmo décadas depois de seu lançamento. Para ele, o material representa uma fase em que a banda ainda estava descobrindo sua identidade sonora, algo que fica mais evidente quando as músicas são comparadas às composições posteriores reunidas em The Crowz.

“É impressionante como esse álbum do qual participei fez tanto sucesso, mesmo hoje em dia. Ainda me impressiona. Pensando bem, era realmente uma demo, porque ainda estávamos tentando descobrir qual seria o nosso som. O que fizemos em ‘Mate. Feed. Kill. Repeat.’ é diferente do que começamos a explorar nas faixas de ‘The Crowz’. Começamos a buscar uma sonoridade diferente, algo mais conciso e fácil de entender. Mas amo todas essas músicas e passei muitos anos sem ouvi-las. Passei algumas décadas ignorando tudo, tentando seguir com minha vida e manter minha sanidade. Mas, há apenas três anos, tudo despertou em mim, e tudo isso, na minha idade atual, faz muito mais sentido do que faria quando eu tinha 24 anos.”

Questionado novamente sobre a regravação de 2024 com o Kaosis, Anders reforçou que havia recebido uma estrutura instrumental pela internet e gravado seus vocais com a expectativa de que os músicos originais participariam da execução.

“Eu simplesmente recebi uma estrutura online e gravei meus vocais por cima, com o entendimento de que os músicos originais iriam tocar suas partes. Mas não foi isso que aconteceu. Tudo foi feito digitalmente, e foi aí que surgiu o desentendimento. Foi uma falha de comunicação muito, muito grave.”

Anders esclarece a história de “The Crowz” e a participação de Corey Taylor

Durante a conversa, Colsefni também explicou como as músicas de The Crowz foram desenvolvidas e por que algumas gravações apresentam Anders e Corey Taylor dividindo os vocais. Segundo ele, o material surgiu depois que o Slipknot enviou Mate. Feed. Kill. Repeat. para a Roadrunner Records, que queria entender a direção musical que a banda pretendia seguir.

Anders esclareceu que The Crowz não foi um trabalho gravado em conjunto com Corey desde o início. As músicas eram composições que o grupo preparava para apresentar à gravadora como uma possível direção para o próximo álbum.

“Bem, ‘The Crowz’ não foi algo que eu e Corey gravamos juntos. Foi logo depois de termos enviado ‘Mate. Feed. Kill. Repeat.’ para a Roadrunner, quando eles quiseram saber para onde estávamos indo. Disseram algo como: ‘Este é um grupo de músicas bem desconexas que não fazem nenhum sentido juntas. Vamos ver que direção vocês estão seguindo’. Então, as músicas de ‘The Crowz’ eram o que estávamos compondo para o nosso próximo trabalho. ‘Me Inside’, ‘Prosthetics’, ‘Heartache And A Pair Of Scissors’, que acabou virando ‘Scissors’, além de várias outras, como ‘Crowz’ e ‘Carve’, eram nossas próximas propostas para a Roadrunner.”

O vocalista explicou que a participação de Corey aconteceu enquanto ele estava fora, passando um fim de semana com a família em Minnesota. Nesse período, Taylor foi chamado para gravar vocais sobre as partes que Anders já havia registrado.

“O único motivo pelo qual os vocais de Corey estão em algumas dessas músicas é que o chamaram enquanto eu estava fora, passando um fim de semana com minha família em Minnesota, e o convidaram para gravar os vocais por cima dos meus ou junto com os meus. Quando voltei, me convenceram dizendo: ‘Isso vai funcionar melhor. Você vai fazer os vocais de apoio e ele vai fazer os vocais principais, porque precisamos de um vocalista principal’. E eu concordei com isso. Eles precisavam de alguém na frente com um microfone que não estivesse batendo em outra coisa.”

Anders reconheceu que a mudança de vocalista ajudou a banda a encontrar uma direção que permitiu alcançar um público maior. Embora tenha admitido que a situação o abalou durante algum tempo, afirmou que hoje está em paz com o que aconteceu e não guarda arrependimentos.

“Na verdade, as músicas de ‘The Crowz’ eram minhas primeiro. Depois, chamaram Corey para regravá-las e venderam o material para a Roadrunner para conseguir o contrato com a gravadora. E não me arrependo de nada. Sou um cantor de death metal de coração, e eles tiveram a oportunidade de seguir em frente e fazer o que estão fazendo agora porque conseguiram gravar algumas músicas que tocariam no rádio, algo que nada do que eu fizesse conseguiria. Eu já sabia disso. Mas não era essa a minha intenção.”

O ex-vocalista comparou sua experiência à de outros cantores que deixaram bandas antes de elas alcançarem grande sucesso. Ele citou o Korn como exemplo e afirmou que precisou de tempo para aceitar seu papel na história do Slipknot.

“O fato de isso ter acontecido, embora tenha me abalado um pouco por um tempo, me fez perceber que sou apenas mais um na longa lista de vocalistas originais que não foram os responsáveis por tornar a banda famosa. Podemos começar com o Korn, por exemplo. Levou um tempo, mas aceitei. Certamente estou bem com isso agora. Não me arrependo de nada. Só fiz o que podia, considerando o que estava acontecendo na época. Se foi preciso trazer um vocalista diferente para que uma banda local da qual eu fazia parte se destacasse e tivesse um impacto tão grande na história, eu aceito totalmente.”

Colsefni também destacou que sua realidade profissional é diferente daquela vivida por músicos que conseguem se dedicar integralmente à carreira artística. Segundo ele, continua trabalhando e conciliando a rotina profissional com a música.

“Eu não vivo o estilo de vida rock and roll como todos eles. Ainda preciso trabalhar de 40 a 60 horas por semana, faço todas essas coisas normais e tento encaixar a música depois, mas é o que a maioria das pessoas faz. A maioria dos músicos por aí faz isso. Só alguns poucos escolhidos conseguem alcançar o sucesso.”

Anders Colsefni considera “Mate. Feed. Kill. Repeat.” um álbum completo

Em outra entrevista, ao The Phase Remains The Same, Anders relembrou o local em que o Slipknot compôs as músicas que formariam o disco de 1996. Segundo ele, as composições nasceram no porão de sua casa, em Des Moines, no estado de Iowa, em condições improvisadas e com pouco espaço para os integrantes.

“No meu porão, o porão de um duplex bem no centro de Des Moines, com meu vizinho de cima constantemente irritado por causa do barulho. Sim, escrevemos tudo naquele meu porão minúsculo e imundo, com todo mundo amontoado lá dentro, com carpete pendurado por todo lado, tentando abafar o som. Era horrível.”

Questionado se considera Mate. Feed. Kill. Repeat. uma demo ou o primeiro álbum completo do Slipknot, Colsefni afirmou que a resposta depende da perspectiva de cada pessoa. Embora reconheça que a banda ainda procurava sua identidade naquele período, ele considera que o tempo e o investimento dedicados à gravação justificam tratar o trabalho como um álbum completo.

“Bem, isso depende do ponto de vista. Na maioria das vezes, no mundo da música, se você assina um contrato, seu primeiro álbum é uma demo, e depois que você assina e consegue o apoio, tudo segue a partir daí. Mas, com todo o tempo e dinheiro que investimos naquele primeiro trabalho, ele poderia muito bem ter sido um álbum. Levou mais de um ano para ser feito, com muitas discussões sobre como as coisas deveriam ser realizadas, e simplesmente demorou uma eternidade. Então, considero um álbum completo. É um trabalho de longa duração. Foi gravado, mixado e produzido com maestria, e o resultado final soa muito, muito bom. Para mim, é um álbum completo. Mas não me incomoda se alguém diz que é apenas uma demo.”

O músico também comentou a quantidade de cópias físicas produzidas originalmente. Segundo sua lembrança, a primeira tiragem teve mil unidades, e uma segunda edição, organizada por meio da gravadora -ismist Records, teria acrescentado outras mil cópias. Anders, porém, ressaltou que não participou diretamente da segunda prensagem e não pode confirmar o total exato.

“A primeira tiragem foi de mil cópias, e então Shawn ‘Clown’ Crahan tinha alguém da gravadora -ismist Records que topou fazer uma pequena distribuição. Foi algo pequeno, mas fizeram mais mil, pelo que me disseram, embora eu não tenha participado diretamente disso. Só me disseram: ‘Ei, fizemos isso’. E eu respondi: ‘Ok’. Então, talvez tenham sido feitas duas mil cópias no total, mas não vou afirmar com certeza. É só o que acho que aconteceu.”

Retorno do Painface ajudou a recuperar a motivação musical

Além de revisitar o material dos primeiros anos do Slipknot, Anders falou sobre o retorno do Painface, banda que formou em 1998, após deixar o Slipknot em setembro de 1997. O grupo mudou de nome para On a Pale Horse em meados de 2001, e Colsefni saiu em 2003. Em 2010, ele decidiu reativar o Painface com uma nova formação.

Em 2025, a banda lançou “Welcome, Mother of Death” e “Temple”, seus primeiros singles em mais de uma década. O vocalista explicou que voltar a se apresentar ao vivo com o repertório de Mate. Feed. Kill. Repeat. teve um papel importante nessa retomada, depois de um período marcado por dificuldades pessoais e problemas de saúde.

“Sair em turnê há três anos para fazer a turnê de ‘Mate. Feed. Kill. Repeat.’ na Austrália revitalizou minha vida, na verdade. Eu estava em um momento de profunda depressão. Passei por algumas cirurgias, coisas que me afetaram muito pessoalmente, e, por um tempo, pensei: ‘Chega. Cansei de tentar fazer qualquer coisa dar certo’, porque parece que tudo o que começo acaba sendo interrompido por alguma coisa. Às vezes, a culpa é minha. Mas, dessa vez, voltei da Nova Zelândia e vi um monte de mensagens de pessoas querendo ver isso e saber o que estava acontecendo. Então pensei: ‘Ok’. Recebi muitas dessas mensagens e decidi: ‘Certo, vamos nessa’.”

Anders contou que reuniu pessoas de confiança para ajudar a organizar as atividades relacionadas ao legado de Mate. Feed. Kill. Repeat.. Ele chamou esse grupo de “Comitê MFKR” e explicou que prefere tomar decisões coletivamente, em vez de concentrar toda a responsabilidade em si mesmo.

“Juntei um grupo de pessoas que chamo de ‘Comitê MFKR’. Não me é permitido tomar nenhuma decisão sozinho. Vamos passar por um comitê para determinar tudo o que acontecer relacionado ao ‘MFKR’, porque decidimos que é muito maior do que eu. Em vez de deixar tudo nas minhas mãos e nos meus caprichos pessoais — e, sendo um cara com TDAH, que às vezes pode divagar um pouco —, nos reunimos e juntamos pessoas realmente boas que querem ver tudo isso dar certo. São pessoas que têm seus próprios empregos, seus próprios negócios e que estão investidas neste projeto.”

A retomada do projeto também incentivou Colsefni a reunir novamente o Painface. A banda voltou a ensaiar e organizou um show de aniversário em Las Vegas para seu empresário, mas precisou enfrentar mudanças na formação antes de estabilizar o grupo.

“Quando comecei a ver isso, pensei: ‘Vamos reunir o Painface. Vamos fazer o Painface voltar!’. Voltamos a tocar juntos e decidimos fazer um show de aniversário em Las Vegas para nosso empresário. Fizemos isso. Passamos um mês e meio preparando tudo para a apresentação, incluindo a troca de baterista e baixista, que por sua vez trocou de guitarrista — coisas assim, só para que o show acontecesse. Então pensamos: ‘É, vamos continuar fazendo isso’.”

O vocalista afirmou que a formação atual procura preservar uma sonoridade baseada no groove, em vez de priorizar velocidade extrema ou passagens técnicas constantes. Para ele, a escolha de um baterista adequado a essa proposta foi importante para manter o projeto viável a longo prazo.

“Passamos por algumas mudanças na formação depois daquele show e nos firmamos com um novo baterista que é simplesmente incrível. Não precisamos de alguém que saiba tocar blast beats. Não somos uma banda super-rápida; somos uma banda de groove. Gostamos de manter aquele ritmo pulsante, e as pessoas ainda podem tocar com força no meio da música, acredite. Mas queríamos manter tudo realista para que pudéssemos continuar, porque existem poucos bateristas por aí e certamente nenhum que consiga tocar blast beats o tempo todo. Assim, eu posso simplesmente gritar por cima, o que adoro.”

Anders descreveu o som atual do Painface como uma espécie de death metal com forte presença de groove. Ele também afirmou que pretende explorar ainda mais seus vocais extremos sem abrir mão de refrões marcantes.

“Temos um estilo — não sei, um novo death metal. Não sei como chamar, já que surgimos em 1999, mas tem groove. Ultimamente, tenho me concentrado mais nos meus vocais de death metal e só quero colocar o máximo de potência possível: o máximo de profundidade, o máximo de gritos, mas ainda mantendo algum refrão cativante.”

O grupo já trabalha em novas composições. Segundo o cantor, há cerca de uma dúzia de músicas em desenvolvimento, além de outras duas, três ou quatro que estão prontas para serem lançadas. A estratégia é disponibilizar os próximos singles aos poucos, em pares, até que exista material suficiente para um álbum completo.

“Das duas músicas que lançamos, temos mais uma dúzia em que estamos trabalhando. Mais umas duas, talvez três ou quatro, estão prontas para lançamento. Só não vamos lançá-las ainda. Vamos disponibilizá-las em pares até termos material suficiente para um álbum completo. É um mundo novo na indústria da música. Se você está fazendo tudo sozinho, é melhor lançar a música o mais rápido possível. Nós mesmos fazemos todo o trabalho de estúdio agora. Não que não aceitássemos qualquer tipo de ajuda de uma gravadora, mas não sei o quanto as gravadoras ainda ajudam bandas como a nossa. Tudo mudou muito desde que realmente me envolvi nisso.”

Em junho de 2026, Colsefni celebrou o 30º aniversário de Mate. Feed. Kill. Repeat. com uma apresentação especial no Wooly’s, em Des Moines, Iowa. Para o show, foi acompanhado por um grupo de músicos veteranos do Meio-Oeste dos Estados Unidos, apresentado sob o nome The Crowz.

Marcio Machado

Formado em História pela Universidade Estadual de Minas Gerais. Fundador e editor do Confere Só, que começou como um perfil do instagram em 2020, para em 2022 se expandir para um site. Ouvinte de rock/metal desde os 15 anos, nunca foi suficiente só ouvir aquela música, mas era preciso debater sobre, destrinchar a obra, daí surgiu a vontade de escrever que foi crescendo e chegando a lugares como o Whiplash, Headbangers Brasil, Headbangers News, 80 Minutos, Gaveta de Bagunças e outros, até ter sua própria casa!

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