Big Big Train continua sua jornada pelo rock progressivo e aposta em seu primeiro conceitual
Meu encontro com o Big Big Train aconteceu por acaso. Em algum momento eu “tropecei” na faixa “Lanterna“, do disco “Welcome To The Planet“, e devorei o seu conteúdo todo em dias seguidos. Pouco tempo depois desse encontro, me deparei com a morte do cantor David Longdon, o que acabou por me fazer “esquecer” a banda por tempos.
Eis que agora surge um novo encontro inesperado, com eles lançando o novo “Woodcut“, pela InsideOut e lançado no Brasil pela Shinigami Records, sendo este, seu primeiro trabalho conceitual.
Ao longo dos seus mais de 60 minutos, o disco é um deleite sonoro carregado de maestria. A começar pela sua produção cristalina, limpa e de um polimento absurdo, exatamente como uma obra desse porte precisa ter. O interlúdio “Inkwell Black” é só o cartão de visitas para a magistral “The Artist“, que é dona de uma introdução melancólica e que poderia figurar entre algo vindo do Opeth ou de Steven Wilson. Quem acompanha o Train, sabe que eles nunca esconderam suas influências do Jethro Tull, e isso está escancarado nessa faixa que flerta com a sonoridade dos veteranos do rock progressivo. A transição sutil e dinâmica para “The Lie of the Land” é brilhante e faz as duas faixas se completarem de forma magistral e com uma beleza incendiária. Já “The Sharpest Blade” bebe do folk e tem a bela voz de Claire Lindley. O crescendo em seu final dá a vez para “Albion Press“, um dos melhores momentos do disco. Mais pesada e sombria, Nick D’Virgilio cria linhas monstruosas na bateria que guiam o ritmo por aqui e momentos vocais de Alberto Bravin que são hipnóticos de tão melódicos que soam dentro de um refrão que explode na mente do ouvinte.
A história aqui é a seguinte: o personagem principal é o Artista, que luta com sua arte e sua vida. Um dia, ele produz uma obra de arte belíssima – a xilogravura – e se vê imerso no mundo que criou. É real ou imaginário? Ele se perdeu ou encontrou a resposta? E para contar esses temas nos deliciamos com 16 faixas ao longo do disco, que além das citadas, temos viagens mais brandas como a bonita “Arcadia“, a poderosa “Warp and Weft” onde Virgilio mais uma vez gasta um estoque de inspiração avassaladora e “Counting Stars” que traz um suspiro aos fãs mais anigos do Big Big Train, sendo essa a faixa mais a “carater” da banda por aqui.
Aos fãs do rock progressivo e de seus nomes mais famosos, “Woodcut” é um deleite e traz referências à diversos desses, mas criando uma obra única e de musicalidade ímpar, carregado de beleza, poesia e maestria. Claro que por se tratar de um disco conceitual, alguns momentos podem soar mais enfadonhos ou cumprirem somente seu papel transitório, mas isso não é algo que vá estragar sua audição. Então, aperta o play e se deleite nos momentos que você irá experimentar por aqui.
NOTA: 8
