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Família de Andre Matos faz apelo para que não criem conteúdo de IA com imagem do cantor

A família do músico Andre Matos fez um apelo aos fãs do cantor. Durante uma Live da série “Contos da Live“, realizada no canal do Youtube, Andre Matos Doc, a irmã do ex-vocalista do Viper, Angra e Shaman, Helena Matos, pediu para que pessoas não criem conteúdos de imagens e vídeos de Andre usando Inteligência Artificial.

Helena fala sobre o trabalho que Anderson Bellini vem desenvolvendo com os documentários da vida de Andre Matos e também da proteção em torno da imagem do artista. Ela diz, conforme transcrito pelo Confere Rock:

A gente, enquanto família, é muito grato. Nós somos extremamente felizes por receber todo o carinho e respeito que vocês enviam para o Andre. Porém, a gente precisa entender que a proteção que a gente busca com a relação com o Anderson e com a forma como a gente se posiciona com o legado dele não é sem motivo. A proteção que a gente busca nada mais é do que uma proteção do direito de imagem e do direito à honra dele. O que isso quer dizer? É seguir conduzindo o pós-mortem, tudo que ele deixou após a passagem, de acordo e da forma com a qual ele gostaria. Então, o primeiro ponto é esse. Tudo que a gente se posicionar, ou tudo que eventualmente o Anderson veicular, ou tudo que a gente solicitar que não seja feito nesse sentido, é sempre conduzido de acordo com o que a gente acredita que ele ficaria satisfeito e realizado.

Em seguida, Helena faz um apelo para que não criem nenhum tipo de material usando IA:

Dito isto, a gente, enquanto família, gostaria de pedir encarecidamente que não sejam utilizados recursos de inteligência artificial com a imagem ou com o legado do Andre, por inúmeras razões. Existem razões relacionadas a direitos de imagem e direitos autorais, mas existem também razões socioafetivas. A gente precisa lembrar que a Sônia, mãe do Andre, está viva. Ela é uma pessoa de outra geração, uma pessoa que segue sendo exposta a determinados conteúdos que a gente não entende que sejam pertinentes. Eu, o Dani, o Dudu, até o Adra, talvez a gente tenha mais familiaridade para entender: “Ah, isso aqui foi gerado, não vou ver”. Mas, às vezes, isso pode assustar outras pessoas. Então, gostaria que vocês soubessem que nós não nos sentimos confortáveis com esse tipo de conteúdo e que, se vocês puderem, aqui eu deixo o meu pedido: não compartilhem, não fomentem.

Ela segue com o relato de um perfil de Instagram de uma mulher que dizia ser casada e ter um filho com Andre Matos:

Existe até um grau um pouco mais avançado, que é de um perfil, agora eu esqueci o nome da moça, mas parece que ela tem alguma questão de sofrimento psíquico. Eu não sei exatamente o que é, mas ela produz imagens de inteligência artificial como se casada com o Andre fosse. Eu denunciei a página assim que chegou para mim. E vocês também me mandaram, tá? Vocês, fãs de verdade, me mandaram. Obrigada. Eu sei que vocês me mandam, mas qual é a minha preocupação? Alguns tipos de conteúdo com inteligência artificial são só de homenagem. Outros fomentam algum descontrole, eventualmente alguma falta de percepção da realidade. Eventualmente, tem pessoas no Instagram, vários perfis, vários perfis de fotos de família, como se o Andre fosse o pai de uma criança, com a criança com o Adrian e uma criança ao lado. A ponto de eu já ter recebido uma mensagem, por exemplo, de uma pessoa que claramente estudou a vida do Andre, leu os depoimentos que a gente deu e aí ela me relata como se fosse fulana, beltrana, que me conheceu não sei aonde, que não sei o quê, não sei o que lá. E aí eu, claro, não consigo responder sempre, mas eventualmente eu consigo responder. Então, eu fui responder: “Obrigada pelo carinho, etc., não sei o quê, pá, pá, pá”. E aí, quando eu entrei no perfil, eu me deparei com imagens absolutamente não adequadas ao direito de proteção à imagem e à honra do Andre.

Helena mais uma vez reforça o seu pedido sobre a criação com IA:

Então, eu gostaria de pedir encarecidamente que vocês não fomentem, não compartilhem, não induzam, por respeito à história dele. Ele não iria ficar satisfeito. Isso não é respeitoso. Com a idade da Sônia, com a história de vida da Sônia, ela perdeu um filho, que é preciso que a gente lembre: é a maior dor do mundo. Eu sou irmã. O Dani é irmão, o Dudu é primo, o Adrian é filho e a Sônia é mãe. Uma criança perdeu o pai e uma senhora perdeu o filho. Por favor, a gente tem que saber o lugar de cada um nessa dinâmica. Todos temos uma dor com relação à partida do Andre, mas o Adrian e a Sônia precisam ser preservados. Esse é um pedido em nome da família, de fato: que vocês não só não produzam como não compartilhem. Que denunciem. Não precisa ficar mandando para a gente, assim, em looping, porque, de fato, a gente não consegue gerenciar tudo. Mas, sim, se for algo muito fora da curva, podem nos avisar, pessoal. Não compartilhem. Se virem, tentem movimentar campanhas de denúncia dessas páginas, porque é assim que a família fica mais confortável.

Em seguida, Helena fala ainda sobre alguns perfis que exaltam a beleza de Andre e o seu estilo rockstar, mas que isso não era o principal ponto que o cantor se importava em sua vida:

E, com relação a ficar fomentando a imagem do André como um rockstar ou como um rostinho bonito, gente, ele está morrendo de rir, tá? Ele está morrendo de rir. Ele não levava isso tão a sério. É claro que ele deve ter curtido muito. Pô, sabe, ter… Claro que é muito agradável, né? Mas ele zero levava isso a sério. Ele não levava a vida assim. E eu confesso, Anderson, que até te ouvi falar isso: “Ah, o ser um símbolo de não sei o quê”. Gente, não era a percepção que a gente tinha dentro de casa. Não era a forma como ele conduzia a vida dele. Não era o valor que sobressaía. Ele deu sorte de ser bonito, digamos assim. E, lógico, a gente fica superfeliz. Eu amo. Eu já brinquei, né? Vocês postam alguma coisa que eu falo: “Gente, parece que sou eu”, que realmente, às vezes, em algumas fotos, eu acho que ele é muito parecido comigo, eu sou com ele e tal. Mas, se vocês quiserem fazer uma homenagem para o Andre, o drive, o vetor que deve movimentar vocês é de valorização da música, do que ele produziu, do que ele quis comunicar. Não se apeguem a isso. Não era isso que faria dele feliz e realizado. E eu acho que não é assim que a gente tem que se realizar por ele.

Marcio Machado

Formado em História pela Universidade Estadual de Minas Gerais. Fundador e editor do Confere Só, que começou como um perfil do instagram em 2020, para em 2022 se expandir para um site. Ouvinte de rock/metal desde os 15 anos, nunca foi suficiente só ouvir aquela música, mas era preciso debater sobre, destrinchar a obra, daí surgiu a vontade de escrever que foi crescendo e chegando a lugares como o Whiplash, Headbangers Brasil, Headbangers News, 80 Minutos, Gaveta de Bagunças e outros, até ter sua própria casa!

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