Kreator: 7 anos de “Gods of Violence”

Há 7 anos, em 27 de janeiro de 2017, o Kreator lançava “Gods of Violence“, o álbum de número 14 na discografia desta linda banda antifascista alemã e que é tema do nosso bate papo neste sábado.

Este álbum colocou fim em um jejum de 5 anos sem álbuns, o que não significa que a banda ficou parada, muito pelo contrário. Foram diversas turnês e dois álbuns ao vivo lançados neste período. Até então havia sido o maior tempo que a banda ficou sem lançar álbuns, que depois eles acabaram igualando, entre este álbum e seu sucessor, o excelente “Hate Über Alles“, lançado em 2022.

Em 2016, a banda resolveu retornar à Suécia, mais precisamente no Fascination Street Studios, na cidade de Örebro, onde gravaram o antecessor, “Phantom Antichrist” e novamente na companhia do produtor Jens Borger e por lá fizeram todo o processo de gravação, mixagem e masterização do álbum. Este foi o último álbum a ser gravado pelo baixista Christian Giesler, pois ele saiu da banda em 2019. Esse é o segundo álbum que a banda lançou pela Nuclear Blast, selo com o qual está com contrato vigente.

Colocando a bolacha para rolar, temos a intro “Apocalypticon” que traz um clima épico e dura pouco mais de um minuto e logo chega a poderosa “World War Now“, trazendo riffs incríveis da dupla Mille Petrozza e Sami Yli-Sirniö, além de boas viradas executadas por Ventor na introdução. A música se desenvolve com a velocidade e técnica já conhecidas do Kreator. Melhor início não poderia haver.

Satan is Real” vem a seguir e é uma música onde os caras tiram o pé do acelerador de forma brutal, e apostam em uma música mais cadenciada e até mesmo com uma certa melodia. É escutar pela primeira vez e o refrão gruda na mente. Em “Totalitarian Terror“, a velocidade está de volta, com a adição de melodias no refrão, uma combinação que ficou arrasadora. Impossível ficar com a cabeça parada diante dos riffs que são executados aqui.

A faixa título chega e engana a todos, pois começa com uma gaita de fole sendo a protagonista e o ouvinte inocente pode achar que a música vai ser uma balada. Só que não, logo logo os riffs avisam que se trata da maior banda de Thrash Metal da Alemanha e o pau quebra durante os quase seis minutos de duração. Tal como a faixa anterior, eles incluem mais melodia no refrão.

Army of Storms” tem riffs na sua introdução que lembram demais a faixa “Coma of Souls“, mas as semelhanças param por aí, pois a música se desenvolve mostrando um Kreator moderno e soando ainda mais brutal que eles próprios soavam lá em 1990. E aqui com um plus, temos um dueto de guitarras, que lembram muito um certo Iron Maiden. E assim já se foi metade do álbum, sem que a gente sequer percebesse.

Hall to the Hordes” combina peso e melodia de uma forma poucas vezes vistas na carreira do Kreator. A música que tem um andamento mais arrastado, tem certamente as guitarras mais pesadas de todo o álbum. Não que as outras músicas não sejam pesadas, mas aqui eles capricharam ainda mais no peso. E ainda conta com a adição de harpas. “Lion With Eagle Wings” começa com uma orquestração que alguém pode até achar que se trata de outra banda alemã, no caso, o Blind Guardian. Mas logo as guitarras chegam gritando e aqui o protagonismo é do baterista Ventor que tem nesta faixa a sua melhor performance em todo o play.

Fallen Brother” é bem pesada, mas foge do Thrash Metal que brilhou durante o álbum. É uma música mais Metal, com um bom solo. É legal ver a banda abrindo seus horizontes musicais, sem abrir mão do peso mas guitarras. “Side by Side” traz a banda de volta ao Thrash Metal e nesta vertente, nós sabemos que o Kreator dá sempre o melhor de si e a gente já espera aquela pedrada. Tal como nas músicas anteriores, eles mais uma vez incluíram melodias no refrão e em um dado momento, as guitarras estão flertando com o Power Metal. Ainda há espaço para uma inserção de acordes sem distorção.

Death Becomes my Light” é a faixa que encerra o play e tem um início um tanto quanto melancólico, mas logo logo os caras viram o jogo e a música vai ficando mais rápida, não tão rápida quanto as anteriores, mas ganha no clima épico que toma conta de tudo, com direito a influências da NWOBHM. São sete minutos de duração, a maior do disco. E assim se vão 51 minutos que podemos definir em uma única palavra: deleite.

A edição japonesa do play ainda ganhou uma faixa bônus: “Earth Under the Sword” e há também versões que incluem a apresentação da banda em Wacken no ano de 2014 em CD/ DVD e Blu-ray, além de outra versão trazendo mais um CD bônus, com 5 das músicas do álbum em versões demo. São itens que os colecionadores disputam a tapas.

O aniversariante do dia foi muito bem recebido tanto pela crítica quanto pelo público. Estreou em 1° nos charts da Alemanha, o que também foi um marco, pois era a primeira vez que o Kreator emplacava um álbum no topo das paradas em seu país natal. Na Áustria ficou em 4°, na Hungria ficou em 5°, na Finlândia e República Tcheca ficou em 7°, na Suíça ficou em 13°; 20° na Bélgica, 21° na Polônia, 28° na Espanha, 30° na Austrália, 33° em Portugal, 37° na Escócia, 55° no Japão, 59° na França; 72° no Reino Unido, 90° no Canadá e 118° na “Billboard 200”, sendo que nas subcategorias das paradas estadunidenses o álbum foi bem: 6° na Top Hard Rock Albuns, 8° na categoria de Álbuns independentes e 19° na categoria Top Rock Álbuns. Nada mal para uma época onde as vendaa de álbuns deixaram de ser uma constante para quem consome música via streaming.

Depois disso a banda caiu na estrada, o que incluiu uma passagem pelo Brasil na companhia do Arch Enemy. Depois a pandemia forçou a todos nós a ficarmos em casa, até que, cinco anos depois, em 2022, eles retornaram com o já citado “Hate Über Alles“. E para nossa alegria, a banda segue ativa, passou sem sustos pela pandemia e segue nos dando alegria, tanto com sua sonoridade quanto com sua mensagem.

Hoje é dia de celebrar o aniversário deste lindo play. Vamos escutá-lo no talo, enquanto aguardamos com ansiedade por mais uma passagem do Kreator em terras brasileiras. Esses alemães têm muito a ensinar para aqueles que insistem em achar que o Rock combina com fascismo e conservadorismo. Felizmente eles passaram com louvor na aula de iniciação no estilo e seria bom se os que insistem em tentar combinar duas coisas antagônicas pudessem compreender a mensagem desta banda maravilhosa. Longa vida ao Kreator.

Gods of Violence – Kreator

Data de lançamento – 27/01/2017

Gravadora – Nuclear Blast

Faixas:

01 – Apocalypticon

02 – World War Now

03 – Satan is Real

04 – Totalitarian Terror

05 – Gods of Violence

06 – Army of Storms

07 – Hall to the Hordes

08 – Lion With Eagle Wings

09 – Fallen Brother

10 – Side by Side

11 – Death Becomes my Light

Formação:

Mille Petrozza – vocal/ guitarra

Ventor – bateria

Sami Yli-Sirniö

Christian Giesler – baixo

Participações especiais:

Francesco Ferrini – orquestração

Francesco Paolli – orquestração

Ronny Milianowicz – vocal (coral)

Björn Kromm – vocal (coral)

Jens Borger – vocal (coral)

Mattias Lövdahl – vocal (coral)

Henrik Andersson – vocal (coral)

Lars Höjer – vocal (coral)

Boris Peifer – gaita de fole em “Gods of Violence”

Tekla-Li Wadensten – harpa em “Hall to the Hordes”

Dagobert Jäger – vocal adicional em “Fallen Brother”

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