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Justin Sargent fala pela primeira vez como é ser vocalista do Skid Row

O Skid Row finalmente encontrou seu novo vocalista. Mais de dois anos e meio após a saída de Erik Grönwall, a banda anunciou Justin Sargent como integrante. O cantor tem uma trajetória de destaque na Broadway e já participou de produções como Rock of Ages, Bonnie & Clyde e Homem-Aranha: Turn Off the Dark.

Em entrevista ao programa Trunk Nation With Eddie Trunk (via Blabbermouth), da SiriusXM, exibida em 29 de outubro, Dave “Snake” Sabo e Justin Sargent contaram como aconteceu o processo que levou à entrada do novo vocalista.

Justin revelou que recebeu o primeiro contato após participar de um evento beneficente em Nova York chamado Rockers On Broadway. A iniciativa foi fundada por Pete Townshend, do The Who, e seu amigo Donnie Kehr.

O evento arrecadou centenas de milhares de dólares para o PATH Fund. No dia seguinte, o cantor recebeu uma mensagem do empresário do Skid Row, Robby Hoffman.

“Todo ano, em Nova York, participo de um evento beneficente chamado ‘Rockers On Broadway’. É um evento fundado por Pete Townshend e meu grande amigo Donnie Kehr. E, como todos os anos, foi um sucesso estrondoso. Arrecadamos centenas de milhares de dólares para o PATH Fund.

No dia seguinte, recebi um e-mail do empresário do SKID ROW, Robby Hoffman, dizendo: ‘Ei, eu gerencio a banda SKID ROW. Estamos procurando um novo vocalista. Eu te vi ontem à noite neste evento. Achei que você arrasou. Você toparia… Você tinha algum interesse em conhecer os caras e potencialmente ser o novo vocalista da banda?’

E eu fiquei tipo, ‘Você está brincando? Sim, eu adoraria. Isso seria incrível. Seria um sonho realizado.’ Então ele me apresentou à Rachel [Bolan, baixista do SKID ROW]. E eu fui até a casa da Rachel e conheci o Snake. Estávamos lá. E ficamos juntos por uns dois dias.

Ao longo de uma semana, eu fui e voltei algumas vezes. Gravamos algumas músicas clássicas e mandamos para os outros caras ouvirem. Depois, cada um seguiu seu caminho por algumas semanas, aí vieram as festas de fim de ano e tudo mais.

Então, recebi um telefonema perguntando se eu toparia ir até lá e participar de um ensaio com a banda completa, tocando algumas músicas como parte de uma seleção que eles estavam fazendo. Eles tinham reduzido a lista de possíveis integrantes e estavam nos convidando para conhecer a banda e cantar as músicas com todo mundo. E aí eu fui incluído nesse grupo.

E vou te dizer uma coisa, cara — desde o segundo em que entrei naquele espaço, naquele estúdio de ensaio, eu pensei: ‘Ah, vamos ser amigos. Isso vai ser ótimo.’ E aqui estamos nós.”

O cantor também descreveu a sensação de finalmente ser anunciado como integrante do grupo. Segundo ele, a confirmação representa a realização de um sonho que vinha sendo construído há meses.

“Tem sido surreal. Essa é a melhor palavra que posso usar. Não consigo acreditar que isso está acontecendo. Não consigo acreditar que estou aqui, que este dia finalmente chegou. Temos trabalhado nisso nos últimos meses, e cada dia que antecedeu hoje foi mais um daqueles dias de ‘não acredito que isso está acontecendo’.”

Skid Row priorizou a química entre os integrantes

Justin explicou que já sabia da escolha havia alguns meses. Segundo ele, a banda preferiu dedicar tempo ao processo para garantir que todos tivessem uma boa convivência antes de oficializar o anúncio.

“Sim, já faz alguns meses. E uma tática realmente ótima que esses caras usaram foi passar bastante tempo nos conhecendo antes de tudo se tornar oficial. Nada foi feito às pressas.

Queríamos ter certeza de que haveria uma boa sintonia, que todos nós pudéssemos estar juntos em um ambiente, conviver e ter uma ótima relação. E, curiosamente, desde o primeiro dia, a sensação foi sólida.

Então, era muito importante para todos garantir que aquele dia não fosse apenas uma anomalia e que isso pudesse ser algo duradouro. E, como eu disse, os últimos meses provaram que certamente é o caso.”

Questionado se já era fã do Skid Row antes de participar da seleção, Sargent confirmou que cresceu ouvindo rock clássico. Ele citou The Who, sua banda favorita, além de Led Zeppelin, Queen e The Rolling Stones.

O contato com o repertório do Skid Row aconteceu ainda durante sua trajetória no teatro musical. Uma das músicas do grupo, inclusive, tornou-se parte de um momento especial de sua rotina na Broadway.

“Ah, sim, cara. Por sorte, tive dois pais extremamente legais — tenho dois pais extremamente legais — que me criaram praticamente só ouvindo rock clássico. Quer dizer, eu cresci ouvindo… THE WHO é minha banda favorita de todos os tempos. Mas [desde cedo fui exposto a] THE WHO, [LED] ZEPPELIN, QUEEN e THE [ROLLING] STONES.

Então, quando comecei a me distanciar da música que meus pais amavam e a encontrar meu próprio estilo, a conhecer outras bandas, o SKID ROW foi uma daquelas bandas que me impactou profundamente. E eles se tornaram uma banda muito importante no início da minha carreira.

Quando estávamos fazendo ‘Rock Of Ages’ na Broadway, ’18 And Life’ [do SKID ROW] era a música que tocava no nosso pré-show, e era o meu sinal para subir ao palco. Então, todas as noites eu recebia… Estava pronto, e assim que ouvi os primeiros acordes, fui imediatamente tomado por uma alegria incrível, porque finalmente poderia subir ao palco e cantar as músicas que mais amo, algumas das canções mais incríveis, para milhares de pessoas.

E ’18 And Life’ sempre foi a música que me impulsionava para isso todas as noites. Então, é simplesmente uma daquelas coisas… Parece que o destino se manifestou de uma forma muito interessante.”

A trajetória de Justin Sargent na Broadway

Durante a entrevista, Justin também falou sobre sua carreira no teatro musical e explicou como encontrou um espaço profissional que combinava com sua voz e suas influências.

Leia também: Quem é o novo vocalista do Skid Row? 4 fatos sobre Justin Sargent

O cantor estreou na Broadway em 2011, no musical Rock of Ages, no qual interpretou Drew Boley. Ele realizou mais de 500 apresentações, em uma rotina de seis dias por semana e oito sessões semanais.

Depois, participou de Spider-Man: Turn Off the Dark, interpretando Peter Parker. A produção foi escrita por Bono e The Edge, do U2. Sargent também integrou o elenco de Bonnie & Clyde e participou de Jesus Christ Superstar.

“Existe uma pequena facção de cantores quase exclusivamente de rock na Broadway, no mundo da Broadway e do teatro musical. E o que isso significa para nós é que há um número muito limitado de espetáculos. Há um número limitado de espetáculos que podemos fazer.

Então, ‘Rock of Ages’ foi um grande sucesso. Fiz mais de 500 apresentações. Fazíamos seis dias por semana, oito apresentações por semana. Foi uma época muito intensa. E depois ‘Spider-Man: Turn Off the Dark’, interpretei Peter Parker nesse espetáculo, escrito por Bono e The Edge [do U2]. E depois ‘Jesus Christ Superstar’ — todos esses espetáculos exigem vozes e personalidades autênticas do rock. E foi aí que realmente comecei minha trajetória nesse meio.

E para muitos atores, existe aquele velho ditado: você é ator 10% do tempo e o resto do tempo está trabalhando como garçom. E isso é muito verdade para a maioria das pessoas.

Mas, para mim, por causa desse nicho que eu havia encontrado, eu cantava em bandas. Cantava em bandas em Jersey e Long Island, na cidade de Nova York, em Connecticut. Eu viajava por todo o país.

Fazia muitos desses shows sinfônicos de rock, onde eu subia ao palco e cantava 18 músicas do Led Zeppelin em uma noite com a Orquestra Sinfônica de St. Louis. E isso é algo que faz parte da minha vida há — nossa, 17 anos.”

Sobre a possibilidade de continuar trabalhando na Broadway enquanto estiver no Skid Row, Justin deixou clara sua prioridade. O cantor não descarta outras oportunidades, mas pretende concentrar sua energia na banda.

“Quer saber? Cara, o SKID ROW é a prioridade. Essa banda é a prioridade. É nisso que vou concentrar a maior parte da minha energia, se não toda.

Se surgir uma oportunidade, conversaremos sobre isso. Se fizer sentido para a banda, sim, eu topo. Se não fizer, é isso que vou fazer.”

Dave “Snake” Sabo explica o que procurava no novo vocalista

Dave “Snake” Sabo também comentou os critérios utilizados durante a busca. Para o guitarrista, encontrar um grande cantor era fundamental, mas a personalidade e a convivência com os demais integrantes tinham o mesmo peso.

A banda precisava encontrar alguém com quem pudesse compartilhar não apenas os palcos, mas também os bastidores de uma rotina intensa de turnês.

“Uma das coisas mais importantes para nós, como sempre foi, é a necessidade de nos darmos bem com as pessoas com quem dividimos o palco, o ônibus, os hotéis e assim por diante. Quer dizer, basicamente, estamos convivendo juntos a cada momento de cada dia.

Então, para nós, era importante garantir que pudéssemos rir e conversar sem sentir, tipo, ‘Preciso sair daqui agora porque não aguento mais esse cara’.

Então, todas essas coisas são… Quer dizer, obviamente você quer que a pessoa seja um ótimo artista, um ótimo músico e tudo mais, mas, cara, poder entrar numa sala com alguém, sentar e conversar sobre a família dessa pessoa ou sobre qualquer coisa, só para poder conversar, se dar bem e rir, porque todo esse processo é… O motivo pelo qual fazemos isso é porque é uma experiência prazerosa.

É por isso que estamos numa banda, porque amamos fazer música, amamos criar música e tocar para as pessoas, e você quer fazer isso num ambiente onde o sorriso no seu rosto seja genuíno. Não é fingimento. É real.

E então, depois de passarmos um bom tempo juntos, percebemos bem rápido que, se isso não desse certo musicalmente, ainda poderíamos sair juntos e continuar amigos. E isso foi algo muito fácil de superar rapidamente.”

Snake também contou que Justin surpreendeu os integrantes durante os ensaios. Enquanto a banda estava preparada para tocar apenas algumas músicas, o novo vocalista chegou com o repertório completo na ponta da língua.

“Aí você entra numa sala, começa a tocar e tal, e logo de cara [o Justin] diz: ‘Vamos tocar o set inteiro.’ E a gente pensou: ‘Só estamos preparados para tocar umas três ou quatro músicas.’ Ele disse: ‘Eu aprendi o repertório inteiro, cara. Vamos nessa.’ E aí começamos do início, com ‘Slave To The Grind’ e fomos até ‘Youth Gone Wild’.”

O guitarrista reforçou que a experiência com Justin foi positiva desde o primeiro encontro. Para ele, a nova formação trouxe uma sensação de entusiasmo que a banda deseja levar aos próximos shows.

“Olha, todo mundo diz: ‘Ah, foi ótimo desde o primeiro dia’, e tudo mais. Mas a verdade é que não foi uma luta. Não foi um parto. Foi tipo: ‘Nossa, isso é muito legal’.

Estou ansioso para tocar no estúdio do Dave DiPietro em Hazlet e apresentar o repertório como se já fizéssemos isso há muito tempo.

E, de novo, ter alegria em fazer o que fazemos é realmente… Especialmente nesta fase da nossa carreira, cara, você só quer ser feliz. Você só quer sair e se divertir, e espero que isso seja contagiante e se transmita para o público. E acho que vai ser. Espero que sim.

Quer dizer, obviamente daremos o nosso melhor, mas até agora tem sido uma ótima experiência. Todo esse processo tem sido… Não teve nada de tedioso. Não teve nada de angustiante ou algo do tipo. Tem sido muito divertido.

E poder ter esse tipo de sentimento depois de 40 anos de carreira da banda é muito gratificante, cara. Muito especial. E posso falar por todos quando digo que somos muito, muito gratos pelo momento que estamos vivendo agora.”

Novo álbum do Skid Row não chegará antes da turnê

Snake também comentou os planos para o retorno do Skid Row aos palcos. Depois de um longo período de espera, a banda pretende retomar as atividades ao vivo e voltar a fazer aquilo que considera sua principal especialidade.

“Ficamos parados por muito tempo — tempo demais. Mas a espera valeu a pena. Fomos muito meticulosos durante todo o processo. Nos reunimos com muita gente ótima.

Mas queríamos ter certeza de que não estávamos simplesmente nos jogando de cabeça em algo, e esse é um dos motivos pelos quais ficamos tanto tempo fora. Mas valeu a pena.

E estamos ansiosos para voltar e fazer o que fazemos de melhor: tocar ao vivo e criar música.”

O guitarrista também esclareceu quando os fãs poderão esperar um novo álbum de estúdio com material inédito e Justin nos vocais. Segundo ele, o lançamento não acontecerá antes do início da turnê.

A banda já trabalha em novas composições, mas deseja primeiro apresentar a nova formação ao público. Snake também quer entender melhor como as ideias de Justin poderão contribuir para o processo criativo.

“Não será lançado antes do início da turnê. Queremos sair em turnê e tocar, mas estamos compondo constantemente. E também queremos ver o que o Justin traz para a banda.

No fim das contas, ‘a melhor ideia vence’. Sempre foi assim. É basicamente cinco caras jogando suas ideias na sala, e o que funcionar melhor, funciona.

E, obviamente, eu e a Rachel temos essa parceria desde o início, e tem dado muito certo, sem dúvida. Somos muito afortunados nesse aspecto. E, novamente, ainda nos divertimos muito fazendo o que fazemos, criando juntos.

Então, todo esse processo será um pouco diferente porque o Justin está na banda agora, e vamos ver o que ele traz para a banda. Tenho certeza de que ele vai criar coisas ótimas. Mas, novamente, só queremos garantir que seja o melhor material possível.

É isso aí. Não queremos nos precipitar. No fim das contas, estamos loucos para tocar. Estamos loucos para sair e arrasar.”

O anúncio oficial de Justin Sargent aconteceu na quinta-feira, 29 de outubro. Para apresentar o novo vocalista, o Skid Row divulgou uma versão de Won’t Get Fooled Again, clássico do The Who.

Marcio Machado

Formado em História pela Universidade Estadual de Minas Gerais. Fundador e editor do Confere Só, que começou como um perfil do instagram em 2020, para em 2022 se expandir para um site. Ouvinte de rock/metal desde os 15 anos, nunca foi suficiente só ouvir aquela música, mas era preciso debater sobre, destrinchar a obra, daí surgiu a vontade de escrever que foi crescendo e chegando a lugares como o Whiplash, Headbangers Brasil, Headbangers News, 80 Minutos, Gaveta de Bagunças e outros, até ter sua própria casa!

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