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Robert Trujillo revela como ligações de Ozzy e Lars Ulrich mudaram sua carreira

Duas ligações telefônicas, com apenas um dia de diferença, ajudaram a definir as próximas duas décadas da carreira de Robert Trujillo. A primeira veio de Ozzy Osbourne. A segunda, de Lars Ulrich.

O baixista do Metallica relembrou a sequência de acontecimentos durante sua participação no episódio mais recente de “Trying Not To Die“, podcast em vídeo apresentado por Jack Osbourne e Ryan Drexler. Na conversa, Trujillo falou sobre sua trajetória desde o circuito de clubes de Los Angeles, passando pelo Suicidal Tendencies e pela banda solo de Ozzy, até chegar ao Metallica.

Trujillo era o baixista da banda de Ozzy quando recebeu o convite para substituir Jason Newsted no Metallica. O processo de negociação e o constrangimento de deixar um trabalho para assumir outro foram registrados no documentário de 2004, “Some Kind Of Monster“.

Segundo Trujillo, sua entrada no Metallica aconteceu de maneira parecida com sua contratação por Ozzy: as decisões demoraram a se concretizar e, por algum tempo, ele não sabia exatamente o que estava acontecendo.

“Bem, minha entrada no Metallica foi semelhante [a como consegui o trabalho com o Ozzy no sentido de que levou um tempo até eu entender o que estava acontecendo. E nessas situações, decisões como essa nem sempre acontecem da noite para o dia. Pode levar uns três meses e você fica tipo, ‘O que está acontecendo?’. E eu sei que levou um tempo com o seu pai [Ozzy]. Não sei por quê, mas levou um tempo, e depois levou outro tempo com o Metallica”, explicou.

O baixista contou que, naquele período, recebeu uma ligação inesperada de Ozzy. O cantor o convidou para acompanhá-lo em uma turnê do Ozzfest.

“Mas seu pai ligou e disse… Talvez ele soubesse de algo que eu não sabia, porque ele ligou e disse que ia sair em turnê para o Ozzfest e disse: ‘Vamos lá’. E eu respondi: ‘Sim, vamos lá’. E aí, no dia seguinte, o Lars Ulrich ligou e disse: ‘Ei, queremos que você venha a São Francisco. Precisamos conversar com você’.”

Trujillo reconheceu que a coincidência foi marcante. Em um intervalo de apenas 48 horas, duas das figuras mais importantes de sua carreira estavam entrando em contato para falar sobre seu futuro.

“É meio estranho como, naquelas 48 horas, duas das figuras mais poderosas do hard rock estavam me procurando. E eu me lembro de ter ido até eles e dito… Eles disseram: ‘E aí?’. Me ofereceram o trabalho e eu disse algo como: ‘Queria ter certeza de que cuidaria do seu pai, faria a turnê e cumpriria meu compromisso’.”

A resposta dos integrantes do Metallica deixou claro que a banda precisava de uma decisão rápida.

“E eles responderam: ‘Bom, o trem está em movimento e está indo rápido’. Porque o Metallica ia lançar um novo álbum e tudo mais. Então foi um daqueles raros momentos em que duas coisas incríveis acontecem ao mesmo tempo e você precisa tomar uma decisão para o futuro. E foi mais ou menos isso.”

O álbum que estava prestes a ser lançado era “St. Anger“, que chegou ao mercado em junho de 2003. Jason Newsted havia deixado o Metallica em janeiro de 2001, e a contratação de Trujillo foi confirmada em fevereiro de 2003.

O processo de chegada do baixista ao grupo ganhou ainda mais notoriedade por causa de “Some Kind Of Monster”. No documentário, Lars Ulrich entrega a Trujillo um bônus de assinatura de US$ 1 milhão, em uma das cenas mais lembradas do filme.

Trujillo e Ozzy Osbourne

Antes de entrar para o Metallica, Robert Trujillo tocou na banda solo de Ozzy Osbourne entre 1996 e 2003 e participou da composição de material para o álbum “Down To Earth“, lançado em 2001.

A relação entre os dois, porém, começou antes disso.

Ozzy havia se interessado pelo Infectious Grooves, projeto de funk metal liderado por Trujillo ao lado de Mike Muir, vocalista do Suicidal Tendencies. O cantor chegou a participar dos vocais de apoio da música “Therapy“.

Posteriormente, Ozzy levou o Infectious Grooves para abrir shows de sua turnê em 1991 e 1992, em um momento em que o projeto ainda estava começando.

Em julho de 2025, um dia antes do funeral de Ozzy, Trujillo publicou uma homenagem ao cantor e destacou a importância que ele teve em sua vida profissional e pessoal.

“Ozzy foi o canal para tantos novos relacionamentos, tanto colaborações criativas quanto amizades reais e duradouras. Quero dizer, Joe Holmes é padrinho do Lullah, e Mike Bordin é padrinho do Tye; ambas as conexões vieram diretamente da minha amizade com Ozzy. Graças a Ozzy, o Infectious Grooves conseguiu fazer turnê em 1991 como uma banda totalmente nova e, na época, nem era bem uma banda, apenas algumas músicas divertidas que tínhamos gravado. Não estávamos prontos para pegar a estrada, mas ele nos fez dar um passo à frente e fazer acontecer.”

Ozzy Osbourne morreu em 22 de julho de 2025, aos 76 anos. Poucas semanas antes, o Metallica havia se apresentado ao lado do cantor no evento “Back To The Beginning”, em Birmingham, que marcou o último show de Ozzy.

Trujillo também esteve presente no funeral realizado na mesma cidade, em 30 de julho.

Da cena de Los Angeles ao Metallica

Nascido em 23 de outubro de 1964, em Santa Monica, na Califórnia, Robert Trujillo entrou para o Suicidal Tendencies em 1989 e permaneceu na banda até 1995. Durante esse período, participou de trabalhos como “Lights…Camera…Revolution!” e manteve o Infectious Grooves em paralelo.

As trajetórias de Trujillo e Metallica já haviam se cruzado antes de sua contratação. Em uma entrevista de 2021, o baixista relembrou que, durante uma turnê conjunta em 1993, o Suicidal Tendencies tinha o hábito de terminar tudo o que o Metallica deixava para trás.

Desde 2003, Trujillo ocupa o posto de baixista do Metallica. Sua permanência na banda já supera duas décadas e ultrapassa o período combinado de Jason Newsted, Cliff Burton e Ron McGovney no grupo.

Em 2009, ele foi incluído no Rock and Roll Hall of Fame ao lado dos demais integrantes do Metallica.

Cliff Burton morreu em setembro de 1986, quando o ônibus da banda capotou na Suécia durante a turnê “Damage Inc.”, realizada em divulgação ao álbum “Master Of Puppets”.

Marcio Machado

Formado em História pela Universidade Estadual de Minas Gerais. Fundador e editor do Confere Só, que começou como um perfil do instagram em 2020, para em 2022 se expandir para um site. Ouvinte de rock/metal desde os 15 anos, nunca foi suficiente só ouvir aquela música, mas era preciso debater sobre, destrinchar a obra, daí surgiu a vontade de escrever que foi crescendo e chegando a lugares como o Whiplash, Headbangers Brasil, Headbangers News, 80 Minutos, Gaveta de Bagunças e outros, até ter sua própria casa!

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