Anika Nilles fala sobre como é conviver com Geddy Lee e Alex Lifeson no Rush
Em uma nova entrevista ao Thomann’s Drum Bash, a baterista alemã Anika Nilles, escolhida para assumir a bateria do Rush durante as turnês de 2026 e 2027, falou sobre o desafio de ocupar o posto que pertenceu ao lendário Neil Peart, falecido em janeiro de 2020.
Nilles, que excursionou com o lendário guitarrista Jeff Beck em 2022, atualmente está na estrada ao lado do baixista e vocalista Geddy Lee e do guitarrista Alex Lifeson como parte da turnê de retorno do Rush, batizada de “Fifty Something”. A formação ao vivo também conta com o tecladista Loren Gold, conhecido por seus trabalhos como músico de turnê do The Who e do Chicago.
Questionada se já conhecia a música do Rush antes de ser convidada para tocar com Lee e Lifeson, Nilles revelou que sua familiaridade com a banda estava muito mais ligada a Peart e à reputação do baterista entre outros músicos:
“Na verdade, eu conhecia o Neil como baterista, especialmente em combinação com a música ‘Tom Sawyer’. É um clássico na comunidade de bateristas, é claro. Mas eu realmente não tinha ouvido a música do Rush, mesmo tendo crescido com rock e música progressiva. Por alguma razão, nunca tinha me deparado com o catálogo do Rush.”
Anika Nilles estudou cada detalhe de Neil Peart
Ao explicar como se preparou para a turnê “Fifty Something” e aprendeu todo o repertório que vem sendo apresentado nos shows, Nilles destacou que tomou muito cuidado para respeitar tanto as composições do Rush quanto a identidade de Peart como baterista.
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Segundo ela, o desafio não consistia simplesmente em reproduzir as partes do músico, mas entender quais elementos deveriam ser mantidos exatamente como foram concebidos e em quais momentos havia espaço para acrescentar sua própria personalidade.
“Eu trato a música com grande respeito aos caras e também às partes do Neil, porque o Neil é uma grande parte da música. Então, tento tomar decisões cuidadosas, com muita sensibilidade, sobre o que vou tocar originalmente e onde existe espaço para tocar de maneira mais livre, mais como eu mesma ou improvisar mais. Mas vou de música em música e tomo essas decisões. E essa foi, na verdade, a minha preparação em casa. Minha tarefa, primeiro de tudo, foi aprender as músicas, porque cada música era como uma página em branco para mim. Então, realmente tive que começar do zero, aprendendo os arranjos e a composição da bateria dentro do arranjo da música. A maneira de o Neil tocar bateria é basicamente uma composição própria, e é isso que quero dizer. Eu trato isso com muito respeito porque é uma habilidade enorme que ele trouxe para a música, e quero honrar isso.”
Nilles explicou que seu processo de preparação continuou durante os ensaios, quando passou a avaliar se as escolhas feitas durante o estudo individual funcionavam dentro do contexto da banda.
“Então, preciso tomar essas decisões com muito cuidado, música por música, sobre o que vou tocar originalmente e onde vou ser mais livre. Essa foi a minha preparação em casa, mas quando ensaiamos, foi uma questão de prestar mais atenção à energia e ao sentimento da música. Depois, voltávamos para analisar se minhas decisões estavam funcionando ou se havia alguma coisa que precisávamos ajustar.”
“Toda música do Rush é complexa”
Perguntada sobre qual música do Rush havia sido mais difícil de aprender, Nilles não apontou uma faixa específica. Para ela, praticamente todo o repertório da banda apresenta um grau elevado de complexidade devido à quantidade de detalhes presentes tanto nos arranjos quanto nas partes de bateria.
“Toda música do Rush é complexa e difícil de aprender. É tudo tão rico em detalhes de todas as maneiras. Quero dizer, o próprio arranjo é cheio de detalhes, mas as partes de bateria também são cheias de detalhes, então é complexo e há muitas coisas para aprender e memorizar.”
O processo de estudar as partes de Peart também acabou influenciando a própria visão de Nilles sobre a bateria. A alemã explicou que precisou pesquisar profundamente a maneira como o músico tocava, desde sua sonoridade até a forma como organizava suas ideias musicais no instrumento.
“Ser capaz de tocar as partes do Neil exige pesquisar a maneira como ele tocava e realmente estudar sua forma de tocar, seu sentimento e a maneira como ele se organizava na bateria. Como as cores que ele usa, os diferentes sons de bateria que utiliza ou a abordagem musical que ele tem em relação ao instrumento. E, enquanto estudo tudo isso, aprendo muito, é claro.”
A baterista revelou ainda que um dos aspectos que mais chamou sua atenção foi a maneira como Peart tratava suas partes de bateria praticamente como composições próprias. Segundo Nilles, esse é um conceito que ela pretende levar para seu próprio trabalho.
“Especialmente a maneira como ele compõe as partes de bateria é realmente interessante para mim, porque eu também adoro fazer isso na minha própria música, e ele é realmente, realmente bom nisso. Já aprendi algumas coisas que talvez eu adapte à minha música em algum momento. Então, sim, definitivamente estou aprendendo coisas enquanto estudo as partes dele e a música.”
Anika Nilles elogia Geddy Lee e Alex Lifeson
Além dos desafios musicais, Nilles também falou sobre sua relação com Geddy Lee e Alex Lifeson. A baterista destacou que a personalidade dos dois músicos tornou muito fácil a criação de uma conexão desde os primeiros momentos de trabalho.
“Se você conhece esses dois caras, eles são muito engraçados e muito humanos. E isso tornou muito fácil criar uma conexão entre nós. Então, desde o primeiro minuto, eles me trataram no mesmo nível. Quero dizer, eles são lendas. Eles poderiam ser qualquer coisa — arrogantes ou qualquer coisa. Eles não são. Eles são engraçados. São muito humanos. E essa é uma maneira que torna fácil ter acesso um ao outro.”
Nilles também ressaltou que encontrou em Lee e Lifeson uma paixão pela música e pelo trabalho com detalhes que combina diretamente com sua própria maneira de enxergar a arte.
“Mas eles também adoram tocar música. São muito entusiasmados quando se trata de tocar música. Eles adoram trabalhar nos detalhes. São detalhistas quando trabalham juntos, e você vê como eles se divertem e a energia que os dois têm juntos, e eu realmente consigo me conectar com essa atitude. Então, eu amo música energética. Adoro quando alguém está realmente focado na música e trabalhando nos detalhes. Esses são todos pontos nos quais também me vejo com a minha música. Então, acho que foi uma maneira que tornou fácil para nós criarmos uma conexão uns com os outros. E isso aconteceu, na verdade, imediatamente.”
Por que o Rush escolheu Anika Nilles?
Em uma entrevista ao programa brasileiro Fantástico, Geddy Lee e Alex Lifeson também foram questionados sobre a escolha de uma baterista com forte influência de jazz, fusion e prog para assumir o lugar de Peart na turnê “Fifty Something”.
A pergunta fazia uma comparação direta com outras possibilidades que poderiam parecer mais óbvias, como alguém de uma banda tributo ao Rush ou um baterista conhecido do universo do rock, como Mike Portnoy, do Dream Theater.
Geddy explicou que a decisão foi tomada justamente para evitar comparações diretas com Peart e buscar uma abordagem diferente para essa nova fase do Rush.
“Bem, há algumas razões para isso. Primeiro de tudo, acho que Alex e eu queríamos ficar longe das comparações óbvias. Quando você…”
O Rush continua a sua turnê de retorno, e no ano que vem, a banda chega ao Brasil pela primeira vez com Anika Nilles como baterista. Os shows passam por diversas capitais, incluindo duas noites em São Paulo. Os ingressos estão sendo vendidos no site da Eventim.
