NewsNotícias

O que Ian Gillan disse sobre tocar novamente com Ritchie Blackmore

Nesta semana, os fãs do rock clássico tiveram um momento realmente histórico. Após 33 anos, o Deep Purple se juntou novamente a Ritchie Blackmore durante um show que aconteceu no Northwell at Jones Beach Theater, em Wantagh, Nova York.

Durante o reencontro, Ian Gillan exaltou o acontecimento e falou algumas palavras ao guitarrista. Ele se aproximou de Blackmore, e com os braços em volta do músico, ele disse:

Eu tenho que dizer uma coisa. Há alguns dias, recebi uma mensagem de um sujeito local. Recebi uma carta desse homem dizendo: “Eu moro logo ali na esquina. Você se importa se eu for tocar com vocês?” E eu…digo que foi um prazer absoluto ter de volta ao palco o membro fundador, a grande lenda, o imortal…Ritchie Blackmore. Obrigado, Ritchie. Tenho que dizer que foi um grande prazer. Vejo você no bar.

A rivalidade entre Ritchie Blackmore e Ian Gillan foi uma das relações mais explosivas da história do Deep Purple. Os dois tinham personalidades muito diferentes, divergiam sobre a direção musical da banda e acumulavam ressentimentos que, em determinados momentos, chegaram a transformar os bastidores em uma verdadeira guerra. A situação foi tão grave que, em mais de uma ocasião, a formação clássica acabou sendo desfeita.

A primeira separação, em 1973

A primeira grande ruptura aconteceu durante a fase mais bem-sucedida do Deep Purple. Gillan e Blackmore já estavam em conflito durante as gravações de “Who Do We Think We Are”, e o relacionamento entre os dois havia se deteriorado profundamente. Gillan chegou a entregar sua carta de demissão ainda em 1972, deixando claro que pretendia sair no ano seguinte.

Em 29 de junho de 1973, após o último show da turnê em Osaka, no Japão, Gillan deixou oficialmente a banda. A situação também levou à saída do baixista Roger Glover, que era próximo do vocalista.

A banda seguiu com David Coverdale nos vocais e Glenn Hughes no baixo, inaugurando a chamada Mark III.

A reunião não resolveu nada

Quando o Deep Purple voltou com a formação clássica em 1984, com Gillan e Blackmore novamente lado a lado, muitos imaginaram que os problemas haviam ficado no passado. Não foi o que aconteceu.

As tensões reapareceram durante os anos seguintes e, em 1989, Blackmore conseguiu novamente a saída de Gillan. O guitarrista queria Joe Lynn Turner, seu ex-companheiro no Rainbow, como vocalista. O resultado foi o álbum “Slaves & Masters”, de 1990, que desagradou parte dos integrantes e dos fãs por se aproximar muito da sonoridade do Rainbow.

A pressão dos demais integrantes, da gravadora e dos fãs acabou levando Gillan de volta ao Deep Purple para “The Battle Rages On…”, de 1993.

E foi aí que a rivalidade chegou ao nível mais absurdo.

O episódio do espaguete

Durante a turnê de “The Battle Rages On…”, em Cleveland, nos Estados Unidos, aconteceu um dos episódios mais famosos.

A banda havia terminado a passagem de som e estava jantando. Blackmore acusou Gillan de ter colocado ketchup no molho de seu espaguete. Gillan negou ter feito isso. Blackmore então pegou o prato e despejou a comida na cabeça do vocalista.

Gillan posteriormente explicou que não reagiu fisicamente porque sabia que, se agredisse Blackmore, poderia acabar sendo responsabilizado pela situação e até perder seu lugar na banda. Segundo o relato publicado pela Billboard Brasil, Gillan entendeu que era justamente isso que Blackmore queria.

O copo d’água no palco

Outro episódio aconteceu durante uma apresentação em Birmingham, na Inglaterra, em 1993, que acabou sendo registrada para o vídeo “Come Hell or High Water”.

Blackmore estava irritado com a presença de uma câmera que filmava a banda de uma posição que ele não havia autorizado. Durante “Highway Star”, o guitarrista procurou algum objeto no palco e arremessou um copo de água contra o cinegrafista que estava atrás de Gillan. A confusão interrompeu momentaneamente a apresentação.

É importante fazer uma correção: o copo d’água não foi jogado diretamente no rosto de Ian Gillan. Ele foi arremessado contra o cinegrafista que estava atrás do vocalista. A cena acabou sendo associada à rivalidade entre os dois porque aconteceu justamente durante um período de extrema tensão entre Blackmore e Gillan.

As provocações públicas

A guerra também saiu dos bastidores. Em outubro de 1993, os dois deram entrevistas separadas ao programa sueco Metal Magazinet e praticamente aproveitaram a oportunidade para atacar um ao outro.

Blackmore afirmou que os dois tinham personalidades muito fortes e que estavam constantemente entrando em choque. Ele criticou o comportamento de Gillan, dizendo que havia muito consumo de álcool e que o vocalista não estaria fazendo muito além de beber e ficar “louco”. Blackmore chegou a defender a ideia de substituí-lo.

Gillan, por outro lado, foi surpreendentemente autocrítico. Ele admitiu que poderia ter sido tão responsável quanto Blackmore — ou até mais — pelas separações, mencionando suas próprias atitudes, suas opiniões sobre a direção musical do Deep Purple e as frustrações que acumulava.

O fim definitivo

A situação chegou ao limite durante a turnê de “The Battle Rages On…”. Blackmore não estava satisfeito com a banda, com Gillan e até com determinados aspectos da produção dos shows.

Em 17 de novembro de 1993, em Helsinque, na Finlândia, ele fez sua última apresentação com o Deep Purple e abandonou a banda.

A intenção de Blackmore, segundo relatos posteriores, era que os demais integrantes percebessem que não conseguiriam continuar sem ele e eventualmente pedissem seu retorno — algo que poderia também significar a saída de Gillan. Isso não aconteceu.

O Deep Purple decidiu continuar. Joe Satriani entrou temporariamente para completar a turnê, e posteriormente Steve Morse assumiu definitivamente a guitarra. Blackmore, por sua vez, voltou suas atenções para o Rainbow e depois para o Blackmore’s Night.

Assim, a rivalidade que havia ajudado a alimentar parte da química do Deep Purple durante os anos 1970 acabou contribuindo diretamente para duas separações de Ian Gillan e, finalmente, para a saída definitiva de Ritchie Blackmore em 1993.

Foto: Andy Hawkes/Instagram

Marcio Machado

Formado em História pela Universidade Estadual de Minas Gerais. Fundador e editor do Confere Só, que começou como um perfil do instagram em 2020, para em 2022 se expandir para um site. Ouvinte de rock/metal desde os 15 anos, nunca foi suficiente só ouvir aquela música, mas era preciso debater sobre, destrinchar a obra, daí surgiu a vontade de escrever que foi crescendo e chegando a lugares como o Whiplash, Headbangers Brasil, Headbangers News, 80 Minutos, Gaveta de Bagunças e outros, até ter sua própria casa!

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *