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Resenha: Black Pantera – “Continental” (2026)

Dois anos depois do lançamento do ótimo “Perpétuo“, o Black Pantera está de volta com “Continental“, o 5° álbum desta banda que realmente entende o que é consciência de classe.

O álbum viu a luz do dia em 21 de agosto, através da Deck Discos, e também presente nas principais plataformas de streaming, que atualmente parecem mais comuns do que se pegar o disco físico e colocar no CD player para escutar. O redator que vos escreve acaba de se entregar, ele é da geração 40+ e de fato não é fã da digitalização das músicas, mas tenta se adaptar a essa nova (e triste) realidade.

No novo trabalho, os mineiros de Uberaba trazem alguns convidados especiais que ultrapassam as fronteiras do Rock, o que fará com que a turma que tem má vontade com a banda promova ainda mais ataques, o que não abala nem um pouco o trio. Aqui temos gente como Derrick Green, Chico César, Sandra de Sá, além da rapper Duquesa, o que não tira o peso nem a pegada Rock que o Black Pantera sempre se propôs, mas nos apresenta novas perspectivas.

Contando com produção assinada por Rafael Ramos e tem uma capa emblemática, desenhada pelo artista Ramon Álvaro. Ainda que não seja um álbum conceitual, “Continental” traz a ideia de um Brasil continental, tão grande e tão cheio de particularidades, que parece ser composto de vários Brasis dentro de uma gigante nação. E claro, a banda não deixa de fora a sua principal bandeira, que é a luta antirracista, o que deveria ser desnecessário em um país tão miscigenado como o nosso, mas tão repleto de gente sem a menor noção da história do próprio país, fomentada principalmente pela força da população preta.

Dando play na bolacha, “Continental” nos apresenta um Black Pantera ainda mais pesado, mas como já dito antes, com mais aberturas para novas influências. O álbum é composto por 13 faixas e tem duração total de 42 minutos. Os destaques ficam por conta da faixa-título, “Start the Game“, “Obsoleto“, a irônica “W.P.P.“, que é uma ironia com os playboys brancos, que acham que seus problemas realmente importam, sendo que jamais passarão pelos percalços que a minoria passa, e também “Punhos Cerrados“. A banda faz acontecer quando faz o Crossover ser a vertente mais poderosa.

Continental” é sério candidato ao título de melhor álbum entre as bandas nacionais. Se você não gosta da sonoridade da banda, tudo bem, faz parte do jogo. O que mais existem são estilos, mas falar mal dos caras somente pelo prazer de desfazer da bela atitude dos caras em defesa de suas origens, não vai te fazer uma pessoa melhor, ao contrário, só vai demonstrar que o Black Pantera sempre esteve do lado certo da história e que eles devem seguir por esse caminho, mesmo que isso vá contra aos pensamentos de uma elite que precisa ser combatida com todas as forças.

Flávio Farias

Fã de Rock desde a infância, cresceu escutando Rock nacional nos anos 1980, depois passou pelo Grunge e Punk Rock na adolescência até descobrir o Heavy Metal já na idade adulta e mergulhar de cabeça na invenção de Tony Iommi. Escreve para sites de Rock desde o ano de 2018 e desde então coleciona uma série de experiências inenarráveis.

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