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Dave Lombardo revela por que “Reign in Blood”, do Slayer, ainda lhe causa arrepios após 40 anos

O Slayer celebrou recentemente os 40 anos de Reign in Blood, terceiro álbum de estúdio da banda e um dos discos mais importantes da história do thrash metal. Em entrevista ao podcast Loaded Radio (via Loudwire), publicada no YouTube em 9 de outubro, o ex-baterista Dave Lombardo explicou por que o trabalho ainda provoca reações intensas mesmo quatro décadas após seu lançamento.

Considerado um marco do gênero, Reign in Blood consolidou a reputação do Slayer com sua combinação de velocidade, agressividade e composições extremas. Para Lombardo, revisitar o álbum continua sendo uma experiência física e emocional.

“Ainda sinto arrepios quando escuto esse álbum. As palmas das mãos ficam suadas, sabe? Os batimentos cardíacos aumentam, e você fica completamente imerso naquele momento. Toquei essas músicas tantas vezes no palco ao longo da minha vida que basta pensar naquela adrenalina ou ouvir as faixas para que ela volte. Isso me deixa energizado”, explicou o baterista.

“Se eu entrar em parada cardíaca, coloquem ‘Angel of Death’ ou ‘Raining Blood’ para tocar e vejam como eu volto à vida, tipo: ‘Ei, o que está acontecendo?’”, brincou.

A declaração reforça a conexão de Lombardo com o material que ajudou a transformar o Slayer em uma das bandas mais influentes do metal extremo.

Dave Lombardo critica a produção do thrash metal moderno

Durante a conversa com o apresentador Scott Penfold, Lombardo também comentou sua relação atual com o thrash metal. O músico afirmou que continua apreciando o estilo, mas fez uma ressalva sobre a sonoridade de parte das produções mais recentes.

“Gosto de thrash quando ouço um thrash bom, sabe? Existem muitas tentativas bastante positivas — ou melhor, não necessariamente positivas, mas dignas de reconhecimento. Porém, desde que os programas de computador para gravação musical se tornaram comuns, muita música ficou estéril.”

“Você acaba sentindo falta daquela dinâmica de tensão e resposta dos álbuns antigos. Eles eram quase inquietos, sabe? Eram muito agressivos, e dava para ouvir isso na gravação. Eu conseguia perceber como essa energia chegava ao disco.”

Lombardo também relembrou a intensidade das sessões de gravação do Slayer. Segundo ele, a banda buscava capturar a energia de cada execução, incentivando uns aos outros a tocar com mais velocidade e agressividade.

“Quando estávamos gravando aquelas músicas, olhávamos uns para os outros e dizíamos: ‘Vamos lá. Vamos detonar. Vamos acertar essa. Vamos gravar essa música’. Alguém perguntava: ‘Mais rápido?’. E a resposta era: ‘Sim, toque um pouco mais rápido’. Então contávamos até quatro e a banda entrava de uma vez.”

“Raiva, angústia, adrenalina — tudo isso estava ali.”

O relato ajuda a explicar a sensação de urgência que caracteriza Reign in Blood, álbum conhecido por sua intensidade e por concentrar suas dez faixas em menos de 30 minutos.

Baterista homenageia Jeff Hanneman

A entrevista também reservou espaço para Jeff Hanneman, guitarrista e um dos fundadores do Slayer, que morreu em 2013 em decorrência de insuficiência hepática.

Lombardo destacou tanto a personalidade do músico quanto sua importância como compositor para a história da banda e do gênero.

“Ele era um cara incrível. Era engraçado, um compositor extraordinário e um verdadeiro pioneiro. Ele chegou à banda sem formação musical formal, aprendeu por conta própria e seguiu em frente, criando algumas das músicas mais impressionantes do nosso gênero.”

Hanneman foi responsável por composições fundamentais do repertório do Slayer, incluindo faixas que ajudaram a definir a identidade musical do grupo.

“Reign in Blood” permanece como um dos grandes discos do thrash metal

Lançado em 1986, Reign in Blood é amplamente considerado o trabalho mais emblemático do Slayer. O álbum reúne clássicos como “Angel of Death” e “Raining Blood”, esta última encerrando o disco após a introdução de “Postmortem”.

A combinação de riffs cortantes, bateria veloz e estruturas diretas ajudou a estabelecer novos parâmetros para o thrash metal. Mesmo com menos de meia hora de duração, o disco se tornou uma referência para gerações de músicos e fãs.

O álbum também ocupa uma posição de destaque entre os trabalhos das quatro grandes bandas do thrash metal: Metallica, Megadeth, Slayer e Anthrax.

Slayer estará em “Grand Theft Auto VI”

Além das lembranças sobre Reign in Blood, o Slayer também está ligado a uma novidade envolvendo o mundo dos games. O vocalista Tom Araya e o guitarrista Kerry King serão responsáveis pela apresentação da estação de rádio de metal 106.6 The Chamber, em Grand Theft Auto VI.

Na estação, os músicos usarão os nomes DJ Tom e DJ Kerry. Uma prévia divulgada pela Rockstar Games apresenta trechos de músicas como “I”, do Black Sabbath, “I’m Broken”, do Pantera, e “Raining Blood”, do próprio Slayer.

Em um dos momentos do material promocional, Araya anuncia a proposta da programação:

“O mundo é um lugar pesado. Dê a ele a trilha sonora de thrash que merece.”

Grand Theft Auto VI tem lançamento previsto para 19 de novembro de 2026.

Slayer retorna ao Brasil este ano

O Slayer retorna ao Brasil este ano. A banda faz um show único em São Paulo, no dia 17 de dezembro, no Nubank Parque. Como atrações de abertura, estão o Kreator e o Korzus. Os ingressos estão disponíveis no site da LivePass.

Marcio Machado

Formado em História pela Universidade Estadual de Minas Gerais. Fundador e editor do Confere Só, que começou como um perfil do instagram em 2020, para em 2022 se expandir para um site. Ouvinte de rock/metal desde os 15 anos, nunca foi suficiente só ouvir aquela música, mas era preciso debater sobre, destrinchar a obra, daí surgiu a vontade de escrever que foi crescendo e chegando a lugares como o Whiplash, Headbangers Brasil, Headbangers News, 80 Minutos, Gaveta de Bagunças e outros, até ter sua própria casa!

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