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Masterplan retorna após 13 anos com “Metalmorphosis” e reafirma sua força no power metal

A trajetória do Masterplan começou a partir de uma iniciativa de Roland Grapow e Uli Kusch, quando os dois ainda integravam o Helloween. O que inicialmente funcionava como um projeto paralelo ganhou protagonismo após a saída dos músicos da lendária banda alemã de power metal. Em 2003, o grupo lançou seu álbum de estreia e iniciou uma carreira que renderia cinco discos de estúdio ao longo de aproximadamente uma década. Depois de “Novum Initium”, o último trabalho completo com material original, a banda passou por um longo intervalo criativo. “PumpKings”, por sua vez, representou uma iniciativa especial, sem o mesmo caráter de um álbum convencional de inéditas.

Treze anos depois de seu último disco com composições originais, o Masterplan apresenta “Metalmorphosis”, um trabalho com dez faixas inéditas que busca recuperar o espaço da banda no cenário do metal melódico. Com uma formação relativamente estável desde 2016, o grupo mantém suas raízes no power metal, mas também explora momentos mais próximos do hard rock. O resultado combina elementos tradicionais de sua identidade musical com energia, refrões marcantes e arranjos que valorizam tanto o peso quanto a melodia.

A abertura com “Chase the Light” estabelece rapidamente a atmosfera do álbum. A introdução dramática prepara o terreno para uma composição que evidencia uma banda em boa forma, recuperando parte da força que marcou seus melhores momentos. Rick Altzi merece destaque desde os primeiros instantes. O vocalista demonstra segurança ao construir melodias memoráveis, acrescentando uma aspereza à interpretação que impede as linhas vocais de soarem excessivamente polidas. Sua presença é um dos trunfos do disco e ajuda a conferir personalidade às novas composições.

Na sequência, “Shadow Man” conduz o álbum por um caminho mais sombrio, sem abandonar a base melódica que sustenta o repertório. “Pain of Yesterday” segue uma direção semelhante, preparando a entrada da faixa-título, “Metalmorphosis”. Os teclados ganham maior protagonismo no início da composição, antes que a música se transforme em uma demonstração de força do power metal, com energia, ganchos marcantes e uma estrutura voltada para envolver o ouvinte. Essa alternância entre atmosferas e intensidade ajuda a manter o repertório dinâmico, sem comprometer a identidade do grupo.

Um dos pontos altos chega com “The Call”, que ultrapassa oito minutos e oferece espaço para o Masterplan desenvolver sua abordagem musical com mais liberdade. Os riffs pesados sustentam uma composição vigorosa, enquanto Rick Altzi explora diferentes possibilidades vocais e reforça a dimensão dramática da faixa. A seção intermediária mais contida introduz uma mudança de ritmo bem-vinda, evitando que a duração se transforme em um obstáculo. Na sequência, Roland Grapow assume o protagonismo com um solo de guitarra bem construído, que reforça a importância de sua contribuição para a identidade musical da banda.

“Metalmorphosis” é um álbum que recompensa a escuta atenta e repetida. A primeira audição oferece uma impressão positiva, mas o disco não depende de um impacto imediato para conquistar o público. Conforme as faixas retornam, novas melodias e detalhes dos arranjos ficam mais evidentes, ampliando a percepção sobre suas qualidades. Essa característica favorece uma experiência gradual, na qual o material ganha força sem precisar recorrer constantemente a soluções grandiosas ou surpreendentes.

O retorno do Masterplan não representa uma ruptura com o passado, mas uma reafirmação de suas qualidades dentro do power metal melódico. A combinação de riffs contundentes, melodias acessíveis, teclados bem posicionados e uma atuação vocal expressiva sustenta um trabalho consistente. Após treze anos sem lançar um álbum de inéditas, Roland Grapow e seus companheiros demonstram que ainda têm repertório e criatividade para oferecer ao gênero. “Metalmorphosis” não precisa reinventar a banda para justificar sua existência: seu mérito está em recuperar uma identidade reconhecível e transformá-la em um retorno convincente.

Marcio Machado

Formado em História pela Universidade Estadual de Minas Gerais. Fundador e editor do Confere Só, que começou como um perfil do instagram em 2020, para em 2022 se expandir para um site. Ouvinte de rock/metal desde os 15 anos, nunca foi suficiente só ouvir aquela música, mas era preciso debater sobre, destrinchar a obra, daí surgiu a vontade de escrever que foi crescendo e chegando a lugares como o Whiplash, Headbangers Brasil, Headbangers News, 80 Minutos, Gaveta de Bagunças e outros, até ter sua própria casa!

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