Dave Lombardo relembra impacto de “Reign in Blood”: “Recebemos muitas críticas negativas”
O clássico “Reign in Blood“, terceiro álbum de estúdio do Slayer, completa 40 anos em 2026. Considerado um dos discos mais importantes da história do thrash metal, o trabalho ajudou a redefinir os limites da velocidade e da agressividade no gênero.
Em uma nova entrevista com Ed Hack, do canal This Day In Metal, o ex-baterista Dave Lombardo relembrou o impacto do álbum e contou quando percebeu que a banda havia criado algo realmente influente.
Segundo o músico, o reconhecimento não aconteceu imediatamente. A percepção de que o disco estava mudando o cenário do metal surgiu gradualmente, conforme o público crescia e outras bandas começavam a reproduzir elementos do som do Slayer.
“Bem, acho que foi por volta de quando nossa carreira começou a decolar. As pessoas estavam realmente interessadas. Elas estavam indo aos shows. Tinha que ter sido — obviamente, o álbum foi lançado [em 1986], então ’87, ’88, e depois lançamos ‘South Of Heaven’. Foi um processo contínuo. Não foi algo que aconteceu de repente.
Acho que bandas com um legado e discos lendários e coisas assim, levam tempo para serem construídos. Leva tempo para compreender ou alcançar.”
Lombardo explicou que perceber a influência da banda sobre outros músicos foi um dos sinais mais claros de que Reign in Blood estava deixando sua marca.
“Quando outras bandas começam a te imitar, você começa a perceber: ‘Nossa, estamos realmente influenciando muitos fãs’.
Quando te entregam uma fita demo e você decide ir para o fundo do ônibus ouvir, e soa exatamente como [você]. Imitação é a maior forma de elogio, mas era óbvio.
E então, com o passar do tempo e os shows que você faz… Por exemplo, na nossa cidade natal, tocamos em Los Angeles, no Hollywood Palladium. E houve um tumulto do lado de fora. Eles venderam ingressos demais para o show. Mandaram uma tropa de choque. Estavam todos enfileirados, prontos com seus cassetetes, prontos para entrar e começar a quebrar cabeças. E você pensa: ‘Ei, nós devemos estar fazendo algo certo.’
E o mais legal é que, olhando para trás, você percebe aquela atitude de: ‘Fazemos o que queremos. É a nossa música. Somos músicos. Somos artistas. Fazemos o que bem entendermos. Se você gosta, seja bem-vindo. Se não [curte agora], bem, a gente espera.’
Porque, eventualmente, as pessoas vão se acostumar, porque isso não vai desaparecer.”
Reign in Blood também recebeu críticas negativas
Apesar da influência que conquistaria ao longo dos anos, Reign in Blood não foi recebido com unanimidade quando chegou às lojas. Dave Lombardo lembrou que parte da imprensa não compreendeu imediatamente a importância do trabalho.
Para o baterista, a dimensão do legado só ficou mais evidente com o passar do tempo.
“Naquela época, você realmente não tem noção [de quão influente sua música se tornará]. De vez em quando, você vai ao supermercado ou à banca de jornal, pega uma revista e vê seu rosto nela e lê uma resenha.
Às vezes, essas resenhas não eram todas boas na época. Vocês pensam: ‘Nossa, este é um ótimo álbum’, mas recebemos muitas críticas negativas por esse disco. Mas depois de um tempo, obviamente, eles tiveram que se adaptar.”
Lançado em 7 de outubro de 1986 pela Def Jam Recordings, Reign in Blood marcou a primeira colaboração do Slayer com o produtor Rick Rubin. Seu trabalho ajudou a banda a desenvolver ainda mais a sonoridade rápida, agressiva e direta que se tornaria uma de suas principais características.
A revista Kerrang! descreveu o álbum como “o álbum mais pesado de todos os tempos”, reconhecendo sua importância para o thrash metal e o speed metal.
Angel of Death provocou controvérsia
O lançamento do disco sofreu atrasos devido a preocupações envolvendo a capa e o conteúdo das letras. O principal ponto de controvérsia foi Angel of Death, faixa de abertura que aborda Josef Mengele, médico nazista associado a experimentos humanos no campo de concentração de Auschwitz.
O conteúdo provocou acusações de simpatia ao nazismo contra a banda. Os integrantes, porém, afirmaram repetidamente que não apoiavam essa ideologia e que o interesse pelo tema não representava uma defesa de suas práticas.
Mesmo diante das controvérsias, o álbum conquistou resultados comerciais importantes. Reign in Blood foi o primeiro trabalho do Slayer a entrar na parada Billboard 200, alcançando a 94ª posição.
Em 20 de novembro de 1992, o disco recebeu certificação de ouro da RIAA (Recording Industry Association of America), por ultrapassar 500 mil cópias vendidas.
Slayer retorna ao Brasil este ano
Em 2026, o Slayer traz as comemorações dos 40 anos de “Reign in Blood” ao Brasil. A banda se apresenta em show único em São Paulo, na Nubank Parque, no dia 17 de dezembro. Eles serão acompanhados pelo Kreator e pelo Korzus. Os ingressos podem ser adquiridos pelo site da Livepass.
