Camisa de Vênus: 41 anos de “Batalhões de Estranhos”
Há 41 anos, em julho de 1985, o Camisa de Vênus lançava “Batalhões de Estranhos“, o segundo álbum da discografia da clássica banda de Rock baiana, e que é tema do nosso bate-papo desta sexta-feira.
Após o lançamento do álbum de estreia, em 1983, que causou uma boa impressão, a banda foi surpreendida com uma reunião promovida pela gravadora Som Livre. A pauta era a exigência da mudança no nome da banda, sob a alegação de que o nome era anticomercial. Mas os integrantes nem abriram conversas. Com isso, eles foram expulsos da gravadora e o disco retirado de catálogo.
Uma outra banda talvez pudesse até determinar o fim das atividades. Mas o Camisa de Vênus fez exatamente o contrário. Eles se concentraram em fazer shows por todo o país, pois eles queriam ganhar mais fãs antes de fecharem com outro selo e gravar um novo disco. Eles trocaram a Bahia por São Paulo, e os shows foram agendados principalmente na região sul e no eixo Rio-São Paulo, que efervescia naquele momento propício ao Rock nacional.
Neste período, surgiu o interesse do selo RGE em contratar a banda e comprar a matriz do primeiro álbum para relançar. Contrato fechado, o Camisa de Vênus se juntou para escrever e gravar o nosso homenageado de hoje. Eles utilizaram dois estúdios: o SIGLA e o Intersom, ambos localizados em São Paulo. “Batalhões de Estranhos” foi gravado durante o primeiro semestre de 1985 e contou com a produção de Reinaldo Barriga.
Sobre a capa, uma das crianças que aparecem na foto é Penélope Nova, a filha do vocalista Marcelo Nova. Quem vê essa menina tão linda e meiga, jamais poderia imaginar que ela se tornaria uma adulta desprezível, capaz de falar as maiores atrocidades, sendo inclusive, apelidada de Regina Duarte da MTV. E ela não parece preocupada com o que pensam dela, pois segue polemizando.
Neste segundo álbum, o Camisa de Vênus manteve um pouco da veia Punk do primeiro álbum, mas inovou em incluir baladas, como “Lena” e “Rosto e Aeroportos“, mas a essência ácida da banda, em letras como “Eu não Matei Joana D’Arc“, que é o grande hit da banda, “Ladrão de Banco” e “Crime Perfeito“, além do cover para “Gotham City“, de Jards Macalé. Temos onze faixas em 38 minutos, e uma audição divertida.
O álbum recebeu críticas positivas, mas havia uma divisão. O lado da imprensa do Rio de Janeiro meio que deixou a banda de lado depois do rompimento com a Som Livre, mas o Camisa de Vênus ganhou popularidade com a imprensa e o público paulistano. Eles aumentaram sua rotina de shows, e o álbum acabou sendo certificado com Disco de Ouro, pela venda de cem mil cópias.
Quando o tema é músicas tocadas nos shows da banda, “Batalhões de Estranhos” é o segundo álbum com mais faixas lembradas, perdendo apenas para o clássico “Correndo o Risco“, que é o sucessor. As músicas “Hoje“, “Gotham City” e “Eu não Matei Joana D’Arc” são as mais executadas quando o Camisa de Vênus está no palco. Em 1995, o álbum ganhou uma versão em CD.
Vamos celebrar este play que envelhece muito bem, obrigado. O Camisa de Vênus segue em plena atividade até os dias atuais, hoje tendo somente Marcelo Nova como membro original. A banda não lança um álbum de inéditas desde o ano de 2021, com “Agulha no Palheiro“. Eles são uma pérola do Rock brasileiro e merecem todos os confetes.
Batalhões de Estranhos – Camisa de Vênus
Data de lançamento – julho de 1985
Gravadora – RGE
Faixas:
01 – Eu Não Matei Joana D’Arc
02 – Casas Modernas
03 – Lena
04 – Ladrão de Banco
05 – Gotham City
06 – Noite e Dia
07 – Crime Perfeito
08 – Rosto e Aeroportos
09 – Hoje
10 – Cidade Fantasma
11 – Batalhões de Estranhos
12 – Coiote no Cio (The Pink Panther Theme)
Formação:
- Marcelo Nova – vocal
- Robério Santana – baixo
- Karl Hummel – guitarra
- Gustavo Mullem – guitarra
- Aldo Machado – bateria
Participação especial:
- Manito – teclado/ saxofone
