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Dino Jelusick revela que email do advogado de David Coverdale pôs fim ao “Whitesnake Experience”

O cantor e multi-instrumentista croata Dino “Jelusick” Jelusić, convocado pelo Whitesnake para integrar sua última turnê europeia, concedeu entrevista para a Rolling Stone Brasil, na qual relembrou detalhadamente sua breve passagem pela banda liderada por David Coverdale e revelou os bastidores conturbados que levaram ao cancelamento do restante da turnê europeia em julho de 2022, oficialmente atribuído na época a “desafios contínuos de saúde”.

Uma turnê marcada por problemas de saúde

Segundo Jelusić, os primeiros sinais de que algo não ia bem surgiram logo nos shows iniciais, quando o então guitarrista da banda, Reb Beach, testou positivo para Covid-19 e ficou afastado por vinte dias — episódio que o próprio Beach já havia classificado publicamente como o início do “desastre” da turnê de despedida. Ainda de acordo com o cantor, transcrito pelo BLABBERMOUTH.NET:

“Eu vi o Reb Beach, ele deu uma entrevista dizendo que a turnê de despedida foi um desastre. Sabe por quê? Porque o Reb Beach pegou Covid, e ele testou positivo para Covid. Ele ficou positivo por 20 dias. Eu nunca vi nada assim na minha vida. Então ele foi mantido afastado… O último show dele foi em Cracóvia… Então ele fez, tipo, uns 10 shows, e depois o David já queria cancelar. Estávamos em Praga, e eu me lembro de conversarmos com o David. Eu disse: ‘Escuta, se o Joel [Hoekstra, então guitarrista do Whitesnake]…’ Porque o Joel é um cara diferente. Ele precisa aprender tudo. Eu sou mais o tipo de cara que, se você me pedir para tocar alguma coisa agora, eu já começo a tocar. Se eu conheço a música, eu toco. Eu dou um jeito. E eu disse ao Joel: ‘Escuta, isso pode funcionar. Eu posso ajudar. Eu posso tocar os riffs com você com a mão esquerda. Eu tenho um som legal. A gente vai fazer funcionar. Só não vamos cancelar as coisas.’ Então conseguimos manter o show de Praga, e continuamos, continuamos. E aí outro integrante da banda pegou Covid depois do Hellfest. E ficamos presos em Milão por uma semana. Em um certo momento eu disse: ‘Sabe de uma coisa, pessoal? Se a gente não vai fazer shows, eu vou para casa.’ Eu sentei num ônibus com minhas coisas e dirigi 12 horas de volta para casa, e disse: ‘Sabe de uma coisa? Só me avisem quando for o próximo show. Quer dizer, nada está acontecendo há uma semana.’ Essa é, na verdade, a primeira vez que estou contando essa história.”

O cantor continuou o relato, descrevendo o desdobramento imediato de sua decisão:

“Então eu fui para casa. E aí ele cancelou meu show na minha cidade natal. As pessoas ficaram super decepcionadas. E aí o Steel Panther estava abrindo para o Whitesnake, então o Steel Panther decidiu fazer um show [principal em um lugar menor], e me chamaram como convidado. Então eu cantei e toquei keytar com o Steel Panther, me divertindo um pouco. E eu fui fazer um festival de blues, e o Coverdale disse: ‘Estou cancelando o resto da turnê europeia’, o que abriu uma nova coisa para mim. Eu fui tocar num show all-star com Johnny Depp, Joe Bonamassa, Zakk Wylde, que foi incrível. E aí eu fiz aquele lance do The Dead Daisies, porque o Glenn [Hughes, então vocalista do The Dead Daisies] ficou doente. Foi no mesmo mês. Eu aprendi 14 músicas em um dia, e abrimos para o Judas Priest.”

O fim definitivo da turnê e novos rumos

Segundo Jelusić, os cancelamentos não pararam por aí, o que acabou abrindo espaço para um novo momento em sua carreira solo:

“E aí o David cancelou a turnê norte-americana [do Whitesnake], depois cancelou a turnê japonesa, a turnê sul-americana e uma turnê de residência. Então estávamos reservados por dois anos, e eu disse: ‘Ok, eu não vou fazer nada além disso.’ De repente, tudo ficou vazio. Mas deu tudo certo porque eu comecei [meu projeto solo] Jelusick no início de 2023 limpo, porque acabei tendo um probleminha judicial, um grande processo judicial que tive com a Frontiers [Music Srl]. Depois que [David] cancelou tudo, ficamos em contato, mas nunca mais falamos sobre tocar ao vivo de novo, e aí ele simplesmente se aposentou. Falei com ele há alguns dias. Ele estava fazendo trilha, então… Acho que ele está bem se consegue fazer trilha.”

Sobre sua passagem pela banda, o cantor fez questão de destacar o carinho que sente por Coverdale:

“Eu realmente gostei do meu tempo com o David. Ele é meu maior herói, e foi uma honra ver ele me dando tanto amor e respeito na banda. Foi incrível.”

A aposentadoria de Coverdale

Questionado sobre o anúncio de aposentadoria de David Coverdale, feito em novembro de 2025, Jelusić revelou ter recebido a notícia diretamente do próprio cantor, por telefone, antes do anúncio público:

“[David] me ligou em novembro, antes de se aposentar, e disse: ‘Escuta, eu quero te dizer que vou me aposentar. Eu voltei e ouvi tudo que eu fiz. Não tenho mais nada a dizer. Estou feliz com minha carreira.’ Não são muitos cantores que fazem isso, porque a gente sempre tem alguma coisa a dizer… Então estou muito feliz que ele esteja feliz com isso, e feliz por simplesmente aproveitar o tempo com a família.”

O mistério do “Whitesnake Experience”

Durante a conversa com a Rolling Stone Brasil, Jelusić também esclareceu a polêmica em torno do cancelamento de um show na Sérvia, em 2025, que reuniria ele e outros ex-integrantes do Whitesnake. Uma coletiva de imprensa havia sido realizada no fim de maio daquele ano, em Belgrado, para anunciar os participantes do 58º Festival de Guitarra de Zaječar, previsto para acontecer entre 28 e 30 de agosto de 2025, em Kraljevica. Na ocasião, Jelusić, Marco Mendoza e Ivan Keller anunciaram uma apresentação exclusiva no festival batizada de “Whitesnake Experience By The Members Of Whitesnake”, reunindo, além deles, Joel Hoekstra, o baterista Tommy Aldridge e o tecladista Michele Luppi. Semanas depois, porém, o show foi cancelado — na época, o veículo sérvio Vreme noticiou que parte dos músicos escalados para o festival teria se incomodado com a mistura de política e cultura promovida por outros artistas do evento.

Jelusić esclareceu, entretanto, que a apresentação nunca de fato aconteceu, ao contrário do que muitos fãs acreditam:

“O Whitesnake Experience nunca aconteceu… Então o engraçado é que eu vejo alguns comentários no Facebook, e é por isso que eu não confio mais em comentários, porque tinha uma senhora que disse: ‘Dino, você é meu cantor favorito. Seu trabalho em…’, e aí ela mencionou a banda, ‘e especialmente seu trabalho no Whitesnake Experience, e aqueles shows ao vivo foram incríveis.’ E eu fico tipo, o quê? Que shows ao vivo? Isso nunca aconteceu.”

O cantor então detalhou toda a origem do mal-entendido, incluindo conversas anteriores com Coverdale sobre possíveis parcerias musicais:

“Eu vou te contar a história… Eu sempre tenho medo de abrir esse assunto porque todo mundo estava assumindo que eu ia carregar a tocha no Whitesnake. E o David ficava dizendo: ‘Ah, eu quero fazer alguma coisa com você. Esse é o tipo de música que você e eu deveríamos escrever juntos.’ E ele tocava músicas de blues para mim. ‘Você deveria cantar isso. Eu vou escrever isso.’ Porque a gente dividia muitos vocais no Whitesnake. Cantamos ‘Slide It In’. E eu e o Michele cobrimos todas as partes agudas e tal, e ‘Crying In The Rain’ e ‘Still Of The Night’ e ‘Fool For Your Loving’ — muita coisa.”

Segundo Jelusić, o show específico chegou a ter aprovação de todos os envolvidos antes de tudo desandar:

“Então a gente ia fazer um show. O Coverdale estava feliz. O Tommy disse sim. Então as condições eram: se eu dissesse sim e o Tommy dissesse sim, estava certo. Eles só precisavam de nós dois. Eu disse: ‘Se o Tommy topar, eu topo.’ E o Tommy topou. E o Marco Mendoza topou e o Michele Luppi topou e o Joel topou. E de repente, a gente faz uma coletiva de imprensa em Belgrado… Ah, e meu guitarrista, o Keller, ele ia participar também, então ele e o Hoekstra juntos. Então fomos para Belgrado fazer a coletiva. E enquanto fazíamos a coletiva, aparece o Marco Mendoza do nada em Belgrado, na coletiva. E eu amo o Marco. Se ele estiver vendo isso, eu amo o Marco. Mas ele é muito imprevisível. Ele fala assim: ‘É, cara, nada disso seria possível se não fosse pelo Dino, esse novo projeto. Vai se chamar Whitesnake Experience.’ Eu tinha sugerido, talvez a gente devesse chamar esse show de Whitesnake Experience, esse show específico. ‘É, esse projeto, Whitesnake Experience.’ E eu fico tipo, ‘do que ele está falando?’ De repente, a mídia diz: ‘Novo projeto. Whitesnake seguindo em frente com o Dino nos vocais.’ E todos nós recebemos um e-mail bem sério do advogado do David. E todo mundo recuou. E eu fiquei tipo, ‘Marco, o que aconteceu?’ E o Marco fez algumas coisas sem perguntar. E eu liguei para o David. Eu disse: ‘Escuta. Eu só queria fazer essas músicas porque ouvi dizer que você estava de boa com isso. Se você não quer que eu faça o show, sabe que eu te respeito.’ ‘Ah, não, irmão. Eu sei que a culpa não é sua, mas o Marco fez isso, o Marco fez aquilo.’ Então, no fim, foi cancelado… E aí eu vi o Marco. Toquei com o Marco e com o [ex-guitarrista do Whitesnake] Doug Aldrich na NAMM [em janeiro de 2026]. A gente tocou Whitesnake. E de novo, isso abriu a caixinha. ‘Meu Deus, isso é incrível. Eles deveriam reformar o Whitesnake.’ E o Marco ficou tipo, ‘Ei, mano, eu sei que o que aconteceu foi errado, mas confia em mim, isso vai acontecer.’ Eu fico tipo, ‘Marco, qual é, cara. Se o David não disser sim, se ele não resolver isso, não faz sentido fazer.’ Então, sem a palavra do David, sem o David me dizer ‘Ok, faça’ ou ‘Eu quero que você faça’, eu não vou fazer, porque não é minha banda, afinal de contas.”

Jelusić encerrou o relato deixando claro que o projeto jamais existiu de fato:

“Então essa é a história do Whitesnake Experience. Isso nunca aconteceu. Nunca existiu.”

Marcio Machado

Formado em História pela Universidade Estadual de Minas Gerais. Fundador e editor do Confere Só, que começou como um perfil do instagram em 2020, para em 2022 se expandir para um site. Ouvinte de rock/metal desde os 15 anos, nunca foi suficiente só ouvir aquela música, mas era preciso debater sobre, destrinchar a obra, daí surgiu a vontade de escrever que foi crescendo e chegando a lugares como o Whiplash, Headbangers Brasil, Headbangers News, 80 Minutos, Gaveta de Bagunças e outros, até ter sua própria casa!

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