Iron Maiden celebra 50 anos em segunda noite com público fiel em noite lotada e fria
Texto: Marcio Machado
Fotos: André Tedim
Segunda noite de Iron Maiden em São Paulo, e noite fria, diga-se de passagem, onde uma capital gelada, com ventos frios no fim da tarde, acomodava os fãs que iam chegando ao NuBank Parque na última terça-feira (27), dois dias após o primeiro show que ocorreu no domingo das eleições (25).
Leia a cobertura da primeira noite: Iron Maiden celebra 50 anos de carreira com estádio lotado em primeira noite em SP
Às 20:44, o palco começa a tocar “Doctor, Doctor” do UFO e os fãs sabem o que isso significa. Nas próximas duas horas e meia, o Iron Maiden iria descarregar sua artilharia sonora para aqueles ávidos por reencontrá-los desde a sua última passagem, que ocorreu em 2024.


“The Ides of March” surge em seguida, com uma animação que mostra um “passeio” por ruas e, nesse momento, o estádio inteiro já gritava sem controle, até que surgem eles, o Iron Maiden no palco, comemorando seus 50 anos de carreira numa segunda noite que, mesmo fria, encontrou o seu público fiel, que não é pouco no Brasil, tendo se tornado quase uma instituição por aqui. A “Run For Your Lives“, nome da atual tour começara, e faz isso abrindo com “Murders in the Rue Morgue“, com Bruce Dickinson vestido a caráter com a jaqueta de couro preto e jeans, lembrando o visual do finado Paul Di’Anno e começando a história pelo começo. O cantor, como sempre, encanta seus fãs, correndo de uma extremidade a outra do palco, incentivando ainda mais o público a curtir o momento e assim, seus “súditos” o fazem. A sequência vem com “Wrathchild” e “Killers“, essa última marcando a primeira aparição do mascote Eddie no palco, com sua vestimenta igual à de Bruce e o machado em mãos, onde “brinca” com os integrantes da banda, com direito a uma coçadinha na bunda antes de sua saída.


O setlist aqui segue a carilha da turnê e assim sendo, são executadas as mesmas músicas em mesma ordem do primeiro dia de show. Bruce fala pela primeira vez ao público e fala sobre a felicidade de mais uma noite lotada no estádio, agradece a recepção calorosa e pede que os presentes aproveitem a noite e se divirtam, e em seguida, anuncia “Phantom of the Opera“. A seguinte, é um clássico e um dos principais momentos do Iron Maiden em sua trajetória. “The Number of the Beast“, que também dá título ao disco que mostrou Bruce Dickinson ao mundo, traz fogo no palco e uma marcante voz de sua introdução, em meio a imagens de monstros e figuras conhecidas do cinema do terror. Por alguns instantes, a voz de Bruce pareceu meio perdida no tempo dos versos, talvez por algum problema relacionado ao retorno, ou por alguns andamentos que Simon Dawson adaptou nas músicas, mas falaremos disso um pouco mais adiante. “Infinite Dreams” é a seguinte e um dos destaques dessa tour. A música traz uma imagem de um Eddie “meditando” enquanto suas melodias são executadas e os fãs acompanham cada segundo dela extasiados.

O Egito chega ao NuBank Parque. Com a grande esfinge da capa nos telões, “Powerslave” surge com seu riff inicial marcante e Bruce Dickinson com uma máscara com penas parecida com a de alguma tribo, enquanto Steve Harris crava seus timbres em cada momento de execução. Nesse momento, um vislumbre me ocorreu como o Iron Maiden não tem fãs, eles tem uma verdadeira torcida organizada. Em shows de outras bandas, sempre nos deparamos com as mais variadas camisetas de outras bandas em meio ao público, como Metallica, AC/DC, Korn, Slipknot, Rush, Sabbath e várias outras. Aqui não; aqui, somente camisetas do próprio Iron. Dificilmente vemos outros nomes serem ostentados, e isso realmente é algo a se atentar: a paixão que os fãs têm por essa banda, com esse sentimento de “traição” ao não irem uniformizados a uma apresentação sua.

“2 Minutes to Midnight” e “Rime of the Ancient Mariner” são as seguintes. Essa última realmente se mostra um exercício de paciência aos não fãs do Iron, pois há uma passagem bastante longa de instrumental em sua metade, que se une à fumaça no palco e ao barco macabro aparecendo nos telões, contando a história de terror que se desenrola meio a vários acordes. Já aos fãs, o deleite é certeiro e os olhos brilham a cada segundo. Para sair do momento mais calmo, “Run to the Hills” é a seguinte e, mais uma vez o campo vem abaixo, com pessoas pulando, explodindo em gritos no refrão e mais.
Com um sobretudo preto e pesado, Bruce faz o que faz os olhos de seus fãs brilharem e marejarem. Em “Seventh Son of a Seventh Son” ele sustenta uma longa nota por vários segundos e a ovação é imediata, com o vocalista em meio à névoa e o baixo de Harris dando o “fundo” para o cantor recitar parte da canção. Em seguida, “The Trooper” é quem chega, e mais uma vez, Eddie surge no palco, dessa vez vestido nos seus trajes de soldado em vermelho e Bruce ao fundo agitando a bandeira do Reino Unido, mas ainda dá tempo dele trazer também a bandeira do Brasil por alguns segundos. Após o fim da canção, um pequeno grupo de pessoas na plateia começou a gritar “olê, olê, olê, Lula, Lula“, tirando riso de uns e olhos revirados de outros.


Uma gaiola surge no canto esquerdo do palco e dentro dela, Dickinson canta as notas de “Hallowed By the Name“. Em determinado momento, o prisioneiro consegue sua fuga e surge nos telões percorrendo um caminho de pedras, sendo perseguido por um fantasma, para na sequência, ele voltar ao palco com a corda de sua execução em mãos e terminar mais uma vez na gaiola que some no subsolo, arrancando aplausos e mais aplausos do público. O bloco é encerrado com “Iron Maiden“, já clássica para o encerramento antes da voltar para o encore.

Antes de chegarmos ao derradeiro momento, vamos a uma questão; Simon Dawson. O baterista assumiu o posto de Nicko McBrain em 2024, e no ano seguinte, fez seu primeiro show com o Iron Maiden, e isso aconteceu há cerca de um ano e meio; ainda assim, o músico parece não ter se adaptado totalmente à proposta do que é a banda, ou vice-versa. Nicko não era o baterista mais virtuoso do mundo do heavy metal nem era alguém com composições extremamente complexas e cheias de nuances, porém, ele era exatamente o que o grupo pedia e o que ele precisava. Obviamente que substituir alguém que está com 40 anos de casa não é tarefa fácil para ninguém, mas Simon parece mesmo nesse tempo razoável, ainda não ter encontrado exatamente o ponto para se encaixar nesse complexo quebra-cabeça que é o Iron Maiden e suas composições. Em determinados momentos há aceleração demais, em outros falta groove, em outros as viradas não se encaixam como deveriam. Isso abala o show? Não! Simon é um baterista ruim? Óbvio que não! Mas parece que o encaixe ainda não foi do todo feito como deveria. Isso não vai afetar a noite ou o espetáculo de ninguém, mas que há questões a se ver ainda, há!



De volta à música e na reta final! Um sonoro barulho de avião surge e todos sabem o que vem aí! “Aces High” traz o Iron Maiden de volta aos palcos e Bruce vem a caráter, com o capuz e óculos de um piloto, e o refrão cativante explode no local. Figurinha mais do que carimbada nos shows, “Fear of the Dark” traz uma lua gigante nos telões, Bruce de capa e cartola segurando uma lanterna e entoando os famosos versos, e o trio de guitarras, Adrian Smith, Dave Murray e Janick Gers (mostrando sempre uma boa elasticidade), deleita os fãs com cada acorde da música. E para quem achou que ele não apareceria, bem nessa música, um sinalizador surgiu na pista comum do local, mas não teve muito tempo de vida. O encerramento como de praxe vem com “Wasted Years“, que deixa gostinho de quero mais aos fãs, mesmo após cerca de 150 minutos de show. Bruce se despede dizendo que em breve reencontrará os brasileiros, muito provavelmente em sua carreira solo que deve chegar ao Brasil no próximo ano.
Mais uma vez, o Iron Maiden cumpre o que seus fãs esperam e entrega um espetáculo aos seus seguidores e mostra que mesmo com certa idade, eles ainda têm o vigor necessário para subirem em um palco e fazer um show em uma marca histórica de 50 anos de estrada, que poucos têm o prazer de viver e comemorar numa carreira em tão alta marca como é a desse sexteto.










