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M. Shadows explica por que o Avenged Sevenfold apostou no blockchain e critica a indústria musical

Durante uma participação recente no podcast “Artist Friendly With Joel Madden”, apresentado por Joel Madden, do Good Charlotte, o vocalista do Avenged Sevenfold, M. Shadows, falou sobre a decisão da banda de entrar no universo do blockchain em 2023. Na época, o grupo utilizou a tecnologia de autenticação da Berify e a experiência da Bitflips, além de estabelecer uma colaboração com a Ticketmaster.

A intenção de M. Shadows e dos demais integrantes do Avenged Sevenfold era explorar uma nova maneira de conectar música, tecnologia e relacionamento com os fãs, tornando-se pioneiros em uma área que ainda gerava muitas dúvidas dentro da indústria musical.

Segundo M. Shadows, o fato de a indústria estar constantemente passando por transformações tecnológicas cria oportunidades para artistas que estejam dispostos a experimentar novos caminhos. Ele também acredita que o setor musical cometeu um erro ao não reagir adequadamente às grandes mudanças provocadas pela internet.

M. Shadows disse, conforme transcrição do Blabbermouth.net:

“Para mim, quando vejo o vespeiro da indústria musical tentando entender o que está acontecendo e quais são os próximos passos, sou extremamente grato por viver em uma época em que não existe um caminho reto para o sucesso. Houve uma época em que, com o Avenged Sevenfold, estávamos com um pé em cada canto. E o que quero dizer com isso é que, quando começamos em 1999, ainda era possível vender CDs, comprar espaço nas prateleiras das lojas, conseguir pelo menos espaço suficiente no rádio para ver se a música tinha boa aceitação.

Você podia ir à KROQ [estação de rádio de Los Angeles] e talvez conseguir que o [então DJ da KROQ, Ted] Stryker tocasse a música. Vocês [do Good Charlotte] estavam no ‘TRL’. Vocês nos convidaram. Vocês ainda tinham a possibilidade de fazer coisas com um orçamento de meio milhão de dólares para videoclipes.

Mas naquela época, o que estava acontecendo era que toda a indústria estava mudando, não do ponto de vista musical, mas sim do ponto de vista tecnológico. E a tecnologia, no fim das contas, é como ouvimos, como nos adaptamos ao que estamos fazendo, como vemos as coisas.

Então, tivemos o YouTube online. A internet foi inventada. Surgiram o LimeWire e o Napster. Todas essas coisas aconteceram, e a indústria musical não fez nada. Ficou parada. E agora estamos numa situação em que tudo foi destruído.

E aí você tem que olhar para trás e pensar: ‘Ok, como essas pessoas podem me ajudar como artista?’ Porque um artista deve trabalhar nas músicas. Mas, depois que as músicas estão prontas, como essa pessoa pode me ajudar em termos de gravadora, empresário, agentes, seja lá o que for? E o que eles merecem pelo que podem fazer por mim?”

O vocalista, cujo nome verdadeiro é Matt Sanders, continuou explicando que o fato de o Avenged Sevenfold ter trabalhado durante anos com grandes gravadoras permitiu que a banda chegasse a um ponto em que pudesse assumir riscos maiores e experimentar novas tecnologias.

“Então, nossa banda, por causa de uma grande gravadora e por estarmos sob contrato com gravadoras, e damos a elas o devido crédito, naquele período, chegamos a um ponto em que agora podemos meio que tirar todas as redes de segurança e o paraquedas e pensar: ‘Ok, o que está à nossa frente agora? Se eu vou dar um passo desde o primeiro dia, como dou esse primeiro passo?’

Para mim, trata-se de analisar todas as novas tecnologias. O blockchain realmente me chamou a atenção — porque quando olhei para a indústria da música, pensei: ‘Há uma empresa de merchandising que não nos informa quem está comprando nossos produtos. Há uma gravadora que não nos diz quem são nossos fãs. Há o Facebook, o Instagram, eles não nos dizem quem são nossos fãs. Na verdade, eles mudam as regras e nos cobram. É assim que eles ganham dinheiro. Eu sou o produto nesse ponto. Eles ficam com todo o dinheiro.

Depois, olhei para a venda de ingressos. A Ticketmaster não nos informa quem está comprando nossos ingressos. Esse é o cliente deles, não nosso. E então olhei para o streaming. Bem, quem está ouvindo? Bem, esse é o cliente do Spotify e do Tidal. Não é o seu cliente.

Bem, na verdade, se você analisar, todas essas empresas estão se apoiando nos ombros dos artistas.”

Foi justamente nesse cenário que M. Shadows afirma ter enxergado potencial no blockchain. Segundo ele, sua ideia não estava relacionada inicialmente a criptomoedas ou à especulação envolvendo NFTs, mas à possibilidade de criar uma relação mais direta entre artistas e fãs.

“Então, quando vi blockchain, não pensei em NFTs. O preço subiu. Eu não pensei em Bitcoin. Obviamente, são conversas diferentes, e eu não estava pensando em todas essas coisas. Eu estava pensando: ‘Esses são dados, o fã, e como você melhora a experiência do fã enquanto coleta esses dados e consegue entrar em contato com ele?’ Então, minha ideia com o BitFlips era criar um fluxo completamente abrangente de tudo o que um fã faria com um artista — ouvir, comprar, ir a eventos, tudo — e colocar isso em algum tipo de cartão de recompensas. Este é o seu perfil de usuário. Você é recompensado e então você pensa: ‘Bem, Matt, como você melhora a experiência deles?’ Bem, é fácil. Você dedica seu tempo a eles. Você dá a eles acesso prioritário, que a maioria deles deseja. Você dá a eles acesso a ingressos antecipados e dá a eles a propriedade de todas essas coisas. Agora você prova que é fã e tem o direito de usar, vender ou dar para alguém. E o blockchain é a única coisa que eu vi que permite fazer isso. As pessoas podem vir o dia todo e dizer: ‘Crie seu próprio banco de dados’. Ah, é? Bem, como vou obter as informações de todas essas empresas que estão pegando de nós? Como vou ter esse banco de dados de usuários e ser capaz de dar a alguém algo que não seja um código de usuário e dizer que podem vender? A pessoa vai roubar de você ou pegar de você. Então, há todas essas coisas que o blockchain…”

M. Shadows também reconheceu que a própria indústria musical passou anos tratando as criptomoedas e o blockchain com desconfiança. Para ele, porém, a percepção sobre essas tecnologias começou a mudar à medida que sua utilização se tornou mais ampla.

“Tudo o que tenho visto na imprensa nos últimos 10 anos em que estou envolvido com criptomoedas é o quão ruim é e o quanto é uma fraude. Hoje, começo a ver todo mundo dizendo: ‘Chegamos tarde demais para o quebra-cabeça. Agora você pode movimentar dinheiro pelo mundo todo, e é assim que funciona.’ E, de repente, é um ‘Meu Deus! O que estávamos fazendo? Não estávamos prestando atenção.’ Então, não quero que a indústria da música fique novamente atrasada, e que todos esses novos artistas surjam e fiquem presos a contratos ruins, cedendo 75% de seus ganhos, quando a gravadora realmente não tem as ferramentas necessárias para fazer o que eles podem fazer por conta própria e oferecer uma experiência melhor para o fã.”

O Avenged Sevenfold retorna ao Brasil no próximo mês como uma das atrações do Rock in Rio, no dia 5 e será headliner do Palco Mundo.

Marcio Machado

Formado em História pela Universidade Estadual de Minas Gerais. Fundador e editor do Confere Só, que começou como um perfil do instagram em 2020, para em 2022 se expandir para um site. Ouvinte de rock/metal desde os 15 anos, nunca foi suficiente só ouvir aquela música, mas era preciso debater sobre, destrinchar a obra, daí surgiu a vontade de escrever que foi crescendo e chegando a lugares como o Whiplash, Headbangers Brasil, Headbangers News, 80 Minutos, Gaveta de Bagunças e outros, até ter sua própria casa!

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