Nevermore supera horário ingrato e entrega show técnico e devastador no Bangers Open Air

Fotos: André Tedim

O Nevermore chegou ao Brasil com sua nova formação. Contando agora com os remanescentes Jeff Loomis e Van Williams, a dupla se juntou a Berzan Önen, com o difícil posto que foi de Warrel Dane nos vocais, Jack Cattoi na guitarra e Semir Özerkan no baixo, a banda chega o país no festival Bangers Open Air.

Com apenas oito músicas, o grupo vindo de Seattle entregou uma avalanche sonora de metal bruto, direto e agressivo, mas com uma técnica absurda. A abertura com “Narcosyntheses“, uma paulada sonora ensurdecedora, mas com tudo regulado como um show desse porte pedia, o que fez o som ser cristalino e perfeito para o que iríamos ver. Berzan é um verdadeiro monstro no palco, seja pelo seu porte físico ou pela sua incrível técnica vocal e presença, brincando com diversos tons de sua potente voz e trajando uma vistosa camisa do Brasil em homenagem a sua estreia por aqui. Jeff Loomis é o monstro de sempre tocando guitarra e se mostra em casa e livre para fazer suas próprias coisas e do seu jeito, e ele gasta seu repertório de riffs e solos insanos.

Sem tempo para respirar, eles emendam a faixa que é dona de um dos maiores refrões do metal mundial! “Enemies of Reality” é soberba de tão perfeita que é, com um groove que soa espetacular ao vivo e um show a parte de Loomis e Cattoi no entrosamento de dobra de guitarras.

The River Dragon Has Come“, a semi-balada é destruidora ao vivo e Williams domina absurdamente sua bateria com tempo intrincados em cada andamento e a plateia explode em uma ótima recepção para a nova formação, que a essa altura já tinha ganho o local e sem dúvidas, a aprovação para essa nova versão estava carimbada.

Inside Four Walls“, groovada e com um peso descomunal, tem um refrão forte e poderoso, que coloca as pessoas para pularem e é um dos melhores momentos do show. “My Acid Words” é um monstro ao vivo e com o som tão bem regulado como estava no espaço do Lounge, como já citei anteriormente, foi incrível acompanhar a execução dessa faixa. Curto, o set se encerra com “Born“, deixando um gostinho de quero mais, e vai rolar, pois na terça-feira, os fãs da capital paulista ainda terão mais uma oportunidade de os ver, agora, com show solo.

O Nevermore caminhou por várias décadas se tornando um dos nomes renomados no metal, ainda que parecia não ter o devido reconhecimento que merecem, e muito disso se deu por conta de sua estrutura musical e que ao longo de anos, foi se reformulando sem medo de apostar, e se tornou um titã sem freio e com toque peculiares que fizeram o seu som tão único.

Com um fim precoce devido a desavenças, e um imaginado ponto final definitivo com a morte de Dane, era uma sensação mista o que esperar ver diante de nossos olhos com uma nova formação, isso é fato em qualquer banda, mas uma tão ímpar assim, essa sensação redobra. O susto foi deixado de lado, pelo menos, o lado ruim dele, pois nos primeiros acordes e ao final da execução da primeira música, todas as dúvidas foram sanadas e tudo estava de acordo, com uma banda que se testou para entregar o melhor aos seus devotos fãs.

Algumas questões do setlist, principalmente em se tratando de um festival, podiam ter sido melhor elaboradas, com a troca de “Engines of Hate” e “Beyond Within” por algo mais interessante como “Final Product” ou “We Disintegrate“, mas detalhes.

Mesmo com horário ingrato, com o sol pino e sendo merecedores de um melhor e mais favorável, o Nevermore entregou um show furioso e impecável e que mostra que a decisão de retornar foi mais que certeira e o legado está assegurado com uma qualidade que só uma banda de um calibre tão poderoso e tamanha importância como essa poderia ter.

Marcio Machado

Formado em História pela Universidade Estadual de Minas Gerais. Fundador e editor do Confere Só, que começou como um perfil do instagram em 2020, para em 2022 se expandir para um site. Ouvinte de rock/metal desde os 15 anos, nunca foi suficiente só ouvir aquela música, mas era preciso debater sobre, destrinchar a obra, daí surgiu a vontade de escrever que foi crescendo e chegando a lugares como o Whiplash, Headbangers Brasil, Headbangers News, 80 Minutos, Gaveta de Bagunças e outros, até ter sua própria casa!

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