Ritchie Blackmore e Ian Gillan: como as brigas destruíram a formação clássica do Deep Purple
O reencontro de Ritchie Blackmore com o Deep Purple, ocorrido em 12 de agosto de 2026, surpreendeu fãs ao redor do mundo. Pela primeira vez em 33 anos, o guitarrista voltou a dividir o palco com Ian Gillan, Roger Glover e Ian Paice, integrantes da lendária formação Mark II.
A participação de Blackmore em “Smoke on the Water” foi marcada por abraços, sorrisos e uma evidente camaradagem entre os antigos companheiros. O momento, porém, contrasta fortemente com o relacionamento turbulento que marcou a história de Blackmore e Gillan e que ajudou a provocar o fim da formação clássica do Deep Purple.
Durante décadas, os dois músicos foram conhecidos pelas constantes divergências e pela dificuldade de trabalhar juntos. Em retrospecto, Blackmore resumiu a relação de maneira bastante direta:
“Ele era, como se costuma dizer, um cara alfa. Eu também era. Ele queria controlar, eu queria controlar. Então, a gente se desentendia por causa disso.”
A declaração foi dada pelo guitarrista no documentário de 2015 “The Ritchie Blackmore Story”, no qual ele explicou como a disputa de personalidades acabou comprometendo a própria criatividade da banda.
“Ainda nos respeitávamos, mas nunca nos demos bem. Simplesmente não conseguíamos ficar no mesmo ambiente. Esse era o problema. Não conversávamos e a conversa não levava a lugar nenhum. Eu não falava com ele; ele não falava comigo. Não conseguíamos ser criativos.”
A formação que mudou a história do rock
A chegada de Gillan e Glover ajudou a transformar o Deep Purple na formação que entraria para a história como Mark II. Ao lado de Blackmore, Ian Paice e do tecladista Jon Lord, os músicos criaram alguns dos trabalhos mais importantes do hard rock e do heavy metal.
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Foi essa formação que lançou clássicos como “Highway Star” e “Smoke on the Water”, além dos álbuns “In Rock”, “Fireball” e “Machine Head”.
Blackmore se consolidou como um dos grandes heróis da guitarra elétrica dos anos 1970, especialmente por seu trabalho com a Fender Stratocaster. Sua combinação de riffs pesados, solos virtuosos e elementos de música clássica ajudou a estabelecer uma linguagem que influenciaria gerações de guitarristas.
Mas, enquanto o Deep Purple alcançava seu auge comercial e artístico, a relação entre Blackmore e Gillan começava a se deteriorar.
Blackmore e Gillan chegaram ao limite
A tensão chegou a um ponto em que os dois músicos praticamente deixaram de se comunicar. Segundo Blackmore, ambos sabiam que a situação não poderia continuar indefinidamente.
No fim, Gillan deixou o Deep Purple, e Blackmore afirma que o vocalista havia concordado com sua saída com 18 meses de antecedência.
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O último álbum da formação Mark II, “Who Do We Think We Are”, foi produzido justamente durante esse período de enorme desgaste interno.
O baixista Roger Glover posteriormente descreveu a situação de maneira ainda mais dramática.
“No último ano de vida da banda, acho que Ritchie e Ian Gillan não trocaram uma palavra sequer. Eles se tornaram dois polos opostos, porque quanto mais um fazia algo, mais o outro fazia. E quanto mais um se safava, mais o outro ficava determinado a se safar também.”
A falta de comunicação não era o único problema. Cansaço, doenças e o desgaste acumulado após anos de turnês também contribuíram para deteriorar o ambiente dentro do grupo.
“Who Do We Think We Are” nasceu em meio ao caos
As sessões de “Who Do We Think We Are” aconteceram em meio a todas essas tensões. Assim como “Machine Head”, o álbum foi gravado utilizando o Rolling Stones Mobile Studio.
Blackmore também defendia que o Deep Purple deveria recuperar suas raízes no blues. Na visão do guitarrista, “Machine Head” havia levado a banda para uma direção comercial demais.
Apesar dos problemas internos, o disco teve bom desempenho comercial. “Who Do We Think We Are” alcançou o Top 5 das paradas britânicas e chegou à 15ª posição nos Estados Unidos.
Mesmo assim, o fim daquela formação era inevitável.
Para Jon Lord, a separação representava uma oportunidade perdida para uma banda que ainda poderia ter alcançado patamares maiores, conforme transcrito peo Ultimate Guitar:
“Foi a maior vergonha do rock and roll. Deus sabe o que teríamos nos tornado nos próximos três ou quatro anos.”
Mais de 50 anos depois, as feridas parecem ter cicatrizado
O que torna o reencontro de 2026 ainda mais significativo é justamente o contraste com o passado.
Durante muitos anos, a relação entre Blackmore e Gillan foi marcada por declarações duras, distanciamento e uma rivalidade que parecia impossível de superar. Porém, quando o guitarrista voltou ao palco com o Deep Purple em agosto, a antiga hostilidade parecia ter desaparecido.
Blackmore entrou no palco sob uma enorme ovação e encontrou Gillan, Glover e Paice novamente.
A apresentação de “Smoke on the Water” foi acompanhada por momentos de descontração entre os dois antigos rivais. Depois da música, Gillan colocou o braço sobre o ombro de Blackmore e fez questão de apresentar o guitarrista ao público de maneira especial.
“Foi um prazer absoluto ter de volta ao palco o membro fundador, a grande lenda, o imortal Ritchie Blackmore.”
Para consagrar ainda mais o ano histórico para o Deep Purple, a lendária banda retorna ao Brasil este ano, pelo quarto ano consecutivo com um show especial na Suhai Music Hall no dia 5 de dezembro. Os ingressos estão sendo vendidos pela Eventim.
