5 festivais que gostaríamos de uma nova edição
O Brasil hoje é rota de grandes festivais voltados para a música pesada. Temos grandes eventos aqui como o Bangers Open Air, Monsters of Rock, Knotfest, entre outros vários que acontecem.
Mas também tivemos outros que deixaram saudade e certamente, muitos de nós gostaríamos que rolasse uma nova edição.
O Brasil já teve uma época em que o calendário de shows era marcado por festivais capazes de reunir, em um mesmo evento, algumas das maiores bandas do rock e do heavy metal mundial. Alguns duraram anos, outros tiveram poucas edições, mas todos deixaram lembranças que continuam vivas entre os fãs.
Muito antes da atual geração de grandes festivais, eventos como Hollywood Rock e Skol Rock ajudaram a colocar o Brasil na rota de artistas internacionais. Mais tarde, Live ’N’ Louder, SWU e Maximus tentaram repetir a fórmula, cada um com sua própria identidade.
Hoje, nenhum deles existe mais. E, olhando para os line-ups que passaram por esses palcos, é difícil não sentir saudade e aqui vão 5 festivais que gostaríamos de uma nova edição.
1. Hollywood Rock
Poucos festivais brasileiros carregam uma história tão importante quanto o Hollywood Rock. A primeira edição aconteceu em 1975, mas o evento só se consolidou como um grande festival a partir de 1988. Depois disso, teve edições em 1990, 1992, 1993, 1994, 1995 e 1996, com shows realizados principalmente em São Paulo e no Rio de Janeiro.
O festival se tornou uma verdadeira vitrine do rock internacional no Brasil e recebeu artistas que, décadas depois, ainda estão entre os maiores nomes da história do gênero.
Em 1988, por exemplo, o público brasileiro recebeu nomes como Supertramp, Duran Duran, Pretenders, Simply Red e UB40. Em 1990, foi a vez de Bob Dylan, Bon Jovi, Marillion, Eurythmics e Tears for Fears, além de nomes brasileiros como Barão Vermelho, Lobão, Engenheiros do Hawaii e Capital Inicial.
Mas foi na década de 1990 que o Hollywood Rock se tornou ainda mais especial para os fãs de rock e metal. Em 1992, o festival teve Living Colour, EMF, Seal, Jesus Jones, Skid Row e Extreme. Já em 1993, Nirvana, Alice in Chains (com a única passagem da banda pelo país com a formação original), L7 e Red Hot Chili Peppers dividiram espaço com nomes nacionais como Engenheiros do Hawaii, Biquini Cavadão, DeFalla e Dr. Sin.
Em 1994, o line-up trouxe Aerosmith, Poison, Ugly Kid Joe, Live, Robert Plant e Whitney Houston, além de Sepultura, Titãs, Skank e Jorge Ben Jor. No ano seguinte, os Rolling Stones fizeram sua primeira passagem pelo Brasil dentro do festival, acompanhados por Spin Doctors, Barão Vermelho e Rita Lee.
A última edição aconteceu em 1996 e também entrou para a história. Page & Plant, The Smashing Pumpkins, The Cure, White Zombie, The Black Crowes, Urge Overkill e Supergrass estiveram entre as atrações internacionais, enquanto Raimundos, Pato Fu, Chico Science e Nação Zumbi e Cidade Negra representaram o Brasil.
O Hollywood Rock nunca mais voltou depois de 1996, encerrando uma das fases mais importantes dos grandes festivais brasileiros.
2. Skol Rock
O Skol Rock foi outro festival que marcou profundamente a cena brasileira, especialmente por conseguir misturar grandes artistas nacionais, bandas internacionais e nomes que ainda estavam tentando conquistar espaço.
O evento começou em 1994, em Blumenau, Santa Catarina, e teve suas três primeiras edições realizadas na cidade. Em 1997, passou a adotar um formato mais amplo, com etapas em diferentes cidades brasileiras. O festival também teve edições em 1998, 1999 e 2001.
Uma das características mais interessantes do Skol Rock era justamente sua capacidade de transitar entre diferentes gerações e estilos.
A edição de 1995, em Blumenau, ficou especialmente marcada pela presença dos Mamonas Assassinas, que fizeram uma apresentação para um público estimado em cerca de 40 mil pessoas. O festival também recebeu naquele período nomes como Camisa de Vênus, Leoni, Nenhum de Nós, Os Paralamas do Sucesso, Capital Inicial e Barão Vermelho.
Em 1997, o Skol Rock ganhou uma dimensão ainda maior. Em São Paulo, no Ibirapuera, o público viu uma noite com Scorpions, Ronnie James Dio, Bruce Dickinson, Jason Bonham Band e Dr. Sin.
No mesmo período, o festival passou por cidades como Recife, Curitiba, Belo Horizonte e Rio de Janeiro, levando nomes como Barão Vermelho, Engenheiros do Hawaii, Raimundos, Os Paralamas do Sucesso e Kid Abelha a diferentes regiões do país.
Em 1999, o Skol Rock chegou ao Anhembi, em São Paulo, com The Offspring, Bad Religion e The Vandals entre as atrações internacionais. Em 2001, o festival voltou a apostar em um formato itinerante, passando por dez cidades das regiões Sul e Sudeste e contando com Skank e Tianastácia como atrações fixas.
Foi uma iniciativa que ajudou a descentralizar os grandes eventos de rock no Brasil — e que hoje certamente faria falta no calendário nacional.
3. Live ’N’ Louder
Se existe um festival que representa a saudade dos fãs brasileiros de heavy metal, o Live ’N’ Louder certamente está entre os primeiros da lista.
Organizado pela Top Link Music, o festival teve três edições no Brasil: 2005, 2006 e 2013.
A primeira edição aconteceu em 12 de outubro de 2005, no Estádio do Canindé, em São Paulo, e reuniu uma escalação que até hoje impressiona: Scorpions, Nightwish, Rage, Destruction, Shaaman, The 69 Eyes, Dr. Sin e Tuatha de Danann.
Era uma verdadeira maratona para os fãs de metal. O festival tinha a cara de uma época em que o público brasileiro ainda recebia com enorme entusiasmo bandas que não necessariamente tinham grande exposição no país.
Em 2006, o evento voltou ao Anhembi com David Lee Roth, Sepultura, Nevermore, Stratovarius, Primal Fear, Doro, After Forever, Gotthard, Massacration, Andre Matos e Mindflow.
A terceira edição só aconteceria anos depois, em 2013, no Espaço das Américas. O festival voltou com uma escalação mais enxuta, mas bastante especial: Twisted Sister, Sodom, Loudness, Metal Church, Molly Hatchet e Angra.
O Live ’N’ Louder acabou desaparecendo depois disso, mas deixou uma das maiores lembranças entre os fãs que viveram a fase de ouro dos festivais de heavy metal em São Paulo.
4. SWU
O SWU foi diferente dos outros festivais desta lista. Criado com uma proposta que combinava música, arte e sustentabilidade, o evento chegou ao Brasil em 2010 e levou para Itu, no interior de São Paulo, uma programação gigantesca.
A primeira edição aconteceu entre 9 e 11 de outubro de 2010, na Fazenda Maeda. O festival reuniu cerca de 150 mil pessoas e mais de 50 horas de música.
E, para quem gostava de rock, havia atrações de peso. Rage Against the Machine, Queens of the Stone Age, Pixies, Linkin Park, Kings of Leon, The Mars Volta e Cavalera Conspiracy estavam entre os nomes que passaram pelos palcos do evento.
O SWU retornou em 2011, desta vez em Paulínia, também no interior paulista. A segunda edição aconteceu entre 12 e 14 de novembro e contou com uma programação que incluiu Megadeth, Faith No More, Sonic Youth, Down, Primus, 311, Black Eyed Peas, Snoop Dogg, Damian Marley e Peter Gabriel.
Apesar de todos os problemas e das críticas enfrentadas pelo evento, o SWU conseguiu deixar uma marca. A ideia de juntar grandes atrações internacionais com uma proposta de festival que ia além dos shows era ambiciosa para o Brasil daquela época.
Mas a edição de 2011 acabou sendo a última.
5. Maximus Festival
O Maximus Festival foi um dos últimos grandes festivais brasileiros dedicados quase exclusivamente ao público de rock pesado e metal. Criado pela Move Concerts, o evento estreou em 2016 com a proposta de reunir no país grandes nomes do metal moderno e novas vertentes do rock.
A primeira edição aconteceu em 7 de setembro de 2016, no Autódromo de Interlagos, em São Paulo, e reuniu atrações como Rammstein, Disturbed, Marilyn Manson, Halestorm, Hellyeah, Bullet for My Valentine, Shinedown, Black Stone Cherry e Hollywood Undead. Entre os nomes nacionais estavam Project46, Far From Alaska, Ego Kill Talent e Woslom.
O festival conseguiu algo que não era tão comum naquele momento: colocar bandas de diferentes vertentes do metal moderno em uma mesma programação, passando pelo industrial, metalcore, nu metal, hard rock e metal alternativo.
Em 2017, o Maximus voltou a Interlagos com um line-up ainda mais impressionante. Linkin Park, Slayer, Rob Zombie, Ghost, Five Finger Death Punch, Prophets of Rage, Rise Against, Pennywise, Hatebreed e Red Fang estiveram entre as atrações.
Foram apenas duas edições, mas o Maximus deixou uma sensação de que poderia ter se transformado em uma das principais casas do metal no calendário brasileiro.
Não aconteceu.
Festivais que fazem falta
Hollywood Rock, Skol Rock, Live ’N’ Louder, SWU e Maximus pertencem a épocas diferentes e tinham propostas distintas. Alguns eram enormes festivais generalistas; outros eram dedicados quase exclusivamente ao rock e ao metal.
O que todos tinham em comum, porém, era a capacidade de transformar um dia de shows em um acontecimento.
Hoje, o Brasil continua recebendo grandes festivais e turnês internacionais, mas é impossível não olhar para esses eventos e imaginar como seriam seus line-ups se ainda existissem.
Talvez seja justamente por isso que eles provoquem tanta saudade: não foram apenas festivais. Foram momentos em que assistir a várias bandas no mesmo dia, descobrir um artista desconhecido e dividir uma multidão com milhares de outros fãs fazia parte da experiência de ser apaixonado por rock.
E alguns desses festivais, se voltassem hoje, provavelmente teriam público garantido.
