Ignacia Fernández, a Miss Mundo Chile, fala sobre como entrou no mundo do metal
A modelo Ignacia Fernández, coroada Miss Mundo Chile 2025, revelou que sua paixão pelo death metal começou ainda na infância e que a ex-vocalista do Arch Enemy, Angela Gossow, foi a grande responsável por fazê-la acreditar que uma mulher também poderia comandar uma banda do gênero.
Em entrevista à revista finlandesa Chaoszine, a cantora de 28 anos — que também é vocalista e fundadora da banda chilena de death metal progressivo Decessus — relembrou como descobriu o rock e, posteriormente, o metal extremo.
De Guns N’ Roses ao death metal
Segundo Ignacia, a música sempre esteve presente em sua casa, mas foi somente na pré-adolescência que ela começou a buscar sons mais pesados.
“Desde muito pequena eu amava música. Meus pais ouviam de tudo em casa e eu gostava de praticamente todos os estilos, mas tinha um interesse especial pelo rock. Quando comecei a crescer, senti necessidade de ouvir algo mais pesado. Foi aí que descobri o Guns N’ Roses e, pouco tempo depois, o System Of A Down. Eu simplesmente adorei. A partir dali comecei a procurar músicas cada vez mais pesadas, até ouvir pela primeira vez vocais guturais.”
Ela explicou que o primeiro contato com esse tipo de vocal aconteceu ouvindo Epica, graças aos guturais de Mark Jansen.
“Fiquei muito impressionada com aquele som, mas nunca pensei que eu mesma pudesse produzir aquilo. Eu era muito jovem e via um homem fazendo aqueles vocais, então apenas pensava: ‘Que incrível’. Nunca me ocorreu que eu também pudesse fazer isso.”
Angela Gossow mudou tudo
A virada aconteceu quando Ignacia assistiu a um vídeo clássico do Arch Enemy tocando “Nemesis” ao vivo no Japão.
“Foi a primeira vez que vi uma mulher cantando death metal e aquilo realmente me impressionou. Desde aquele momento pensei: ‘É isso que eu quero fazer’. Eu sempre soube que queria trabalhar com música, mas nunca tinha certeza se seria cantando ou tocando algum instrumento. Quando vi uma mulher fazendo aquilo, encontrei exatamente o que queria para a minha vida.”
Apesar de ter sido inspirada por Angela Gossow, Ignacia contou que passou mais tempo tentando reproduzir os vocais de outras bandas.
“Na verdade, eu nem ouvia tanto Arch Enemy no começo. Eu escutava muitas outras bandas e passava horas tentando reproduzir aqueles sons sozinha no meu quarto. Minha mãe provavelmente ficou assustada algumas vezes. Eu pesquisava na internet, assistia vídeos e lia tudo o que encontrava sobre técnicas de gutural, mas não existiam bons tutoriais naquela época. Então fui aprendendo aos poucos, juntando pedaços de informações daqui e dali até finalmente conseguir desenvolver o som que eu queria. Foi um processo longo, definitivamente não aconteceu da noite para o dia.”
Entre suas maiores influências, ela destacou outra vocalista bastante conhecida do metal.
“Sempre vou lembrar do The Agonist com a Alissa White-Gluz. Ela definitivamente foi uma das minhas maiores inspirações, tanto musicalmente quanto como vocalista. Existem muitas outras bandas importantes para mim, mas ela certamente ocupa um lugar especial.”
Como nasceu o Decessus
Ignacia revelou que chegou a interromper completamente seu sonho de fazer música por causa de problemas pessoais, mas decidiu recomeçar alguns anos depois.
“Quando finalmente voltei a cantar, pensei comigo mesma: ‘Vou fazer aulas de canto e depois montar minha própria banda’. Foi exatamente o que aconteceu. Estudei canto durante dois anos e, nesse período, fundei o Decessus.”
Sua primeira gravação em estúdio aconteceu durante a pandemia de Covid-19 e foi marcada por muita insegurança.
“Era uma época complicada. Os estúdios estavam praticamente todos fechados e conseguimos improvisar um espaço para gravar. Eu fui acompanhada da minha mãe e da minha irmã e estava morrendo de medo. Era minha primeira vez em um estúdio. Ficava pensando se conseguiria fazer um bom trabalho. Mas tudo deu certo. Quando terminei as gravações, saí de lá pensando: ‘Consegui. Agora posso começar de verdade’. Parecia que eu tinha alcançado o primeiro grande objetivo da minha carreira.”
“Quase fui embora antes do meu primeiro show”
Se a estreia em estúdio foi nervosa, o primeiro show do Decessus foi ainda mais desafiador.
“Os outros integrantes da banda tocam juntos desde crianças e já tinham muita experiência. Eu nunca tinha subido em um palco. Estava completamente apavorada. Pouco antes do show, saí do local, fui até um pequeno parque próximo e fiquei sentada com minha garrafa de água pensando seriamente em voltar para casa. Eu tentava convencer a mim mesma de que talvez não fosse tão ruim simplesmente desistir naquele momento.”
Segundo ela, quem mudou a situação foi um amigo que apareceu de surpresa.
“Meu melhor amigo apareceu sem que eu soubesse que iria ao show. Ele literalmente salvou o dia. Depois disso consegui entrar no palco, mas estava tremendo tanto que precisei segurar o microfone com as duas mãos para que ninguém percebesse o nervosismo. Foi muito difícil, mas acabou sendo incrível. A casa estava lotada, os ingressos tinham se esgotado e as pessoas estavam muito animadas. Hoje guardo lembranças maravilhosas daquele primeiro show.”
Novo álbum terá vocais limpos
Apesar de ser conhecida pelos guturais, Ignacia revelou que o próximo álbum do Decessus trará algumas passagens com vocais limpos.
“Quando fundei a banda, minha ideia era fazer apenas vocais extremos. Eu adoro bandas que misturam canto limpo e gutural, mas queria que o Decessus fosse diferente. Mesmo assim, no novo álbum há algumas músicas em que canto um pouco com a voz limpa.”
Ela admitiu, porém, que essa parte do trabalho a deixa muito mais vulnerável.
“Com certeza fico extremamente nervosa. Meus guturais também são minha voz, mas eles funcionam quase como um alter ego. Já quando canto de forma limpa, sou simplesmente eu. Isso me deixa muito mais exposta e, por isso, fico muito mais ansiosa.”
Além da carreira musical, Ignacia Fernández representará o Chile no Miss Mundo 2026, cuja final acontecerá em 5 de setembro, no Vietnã. Ela ganhou projeção internacional após viralizar ao apresentar uma música de death metal durante a semifinal do concurso que lhe rendeu o título de Miss Mundo Chile 2025.
