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O que Steve Harris mudaria em disco “odiado” do Iron Maiden

Steve Harris saiu em defesa de “No Prayer for the Dying”, oitavo álbum de estúdio do Iron Maiden, que frequentemente aparece entre os trabalhos menos celebrados da discografia da banda.

Lançado em 1990, o disco marcou o primeiro álbum do Iron Maiden com o guitarrista Janick Gers e chegou depois de dois trabalhos considerados fundamentais na trajetória do grupo: “Somewhere in Time” e “Seventh Son of a Seventh Son”.

Ao longo dos anos, “No Prayer for the Dying” recebeu críticas principalmente por seu som mais rudimentar e pelas performances consideradas mais ásperas. Em uma nova entrevista à Metal Hammer, entretanto, Harris afirmou que considera o álbum muito mais forte do que sua reputação sugere.

“Acho que é um álbum muito forte. Na época, tínhamos ficado tão famosos, com todos aqueles shows grandiosos, que estávamos tentando voltar um pouco ao básico.”

Segundo o baixista, a decisão de buscar uma sonoridade mais direta teve influência indireta de Bruce Dickinson e de seu primeiro álbum solo, “Tattooed Millionaire”, lançado em 1990.

“Para ser totalmente honesto, acho que foi um pouco influenciada pelo álbum solo de Bruce, Tattooed Millionaire, onde ele estava tentando ser um pouco mais básico.”

Harris também explicou que a maneira como Dickinson utilizava a voz no trabalho solo acabou inspirando uma abordagem específica para algumas das músicas do Iron Maiden.

“Há algumas músicas no álbum em que ele canta com uma voz um pouco mais rouca. Pensei que poderia escrever algo em que ele também cantasse com essa voz rouca.”

Por que o Iron Maiden gravou “No Prayer for the Dying” em um celeiro?

A busca por uma sonoridade mais simples também influenciou diretamente a maneira como “No Prayer for the Dying” foi gravado.

Diferentemente da grandiosidade associada aos discos anteriores, o Iron Maiden decidiu registrar o álbum em um anexo da casa de Steve Harris. Para isso, a banda recorreu ao estúdio móvel dos Rolling Stones e gravou as músicas ao vivo no celeiro.

“Estávamos tentando fazer com que soasse como um álbum ao vivo, então contratamos o estúdio móvel dos Rolling Stones para gravar ao vivo no celeiro. Provavelmente deveríamos ter adicionado o som da plateia, porque teria soado mais como um álbum ao vivo de verdade – fizemos isso com o vídeo de Tailgunner, e fez uma grande diferença.”

A experiência, portanto, fazia parte da intenção de aproximar o disco de uma apresentação ao vivo, deixando de lado parte da produção mais elaborada presente nos trabalhos anteriores.

Steve Harris não se importa com as críticas

Apesar da recepção controversa de “No Prayer for the Dying”, Harris afirmou que nunca esteve excessivamente preocupado com a opinião dos fãs ou da crítica.

O baixista, inclusive, revelou que comentários negativos podem fazer com que ele se apegue ainda mais às próprias decisões artísticas.

“Se alguém diz que não gosta de algo, isso me faz abraçar ainda mais. Você tem que acreditar no que faz, não é?”

Lançado em 1º de outubro de 1990, “No Prayer for the Dying” trouxe músicas como “Holy Smoke”, “Bring Your Daughter… to the Slaughter”, “Tailgunner” e “No Prayer for the Dying”.

O álbum também representa um momento de transição importante na história do Iron Maiden. Além da estreia de Janick Gers na formação, o disco apresentou uma abordagem mais direta depois da fase marcada pela experimentação e pela grandiosidade de “Somewhere in Time” e “Seventh Son of a Seventh Son”.

Para Steve Harris, porém, essa mudança não significa que o grupo tenha perdido qualidade. Pelo contrário: a intenção era justamente voltar às raízes e recuperar uma energia mais crua

O Iron Maiden retorna ao Brasil este ano. A banda faz duas apresentações em São Paulo, nos dias 25 e 27 de outubro, na NuBank Parque. Eles ainda se apresentam em Curitiba, no dia 29 e em ambas as datas, eles serão acompanhados pelo Alter Bridge. Os ingressos estão sendo vendidos no site da Livepass.

Foto: André Tedim

Marcio Machado

Formado em História pela Universidade Estadual de Minas Gerais. Fundador e editor do Confere Só, que começou como um perfil do instagram em 2020, para em 2022 se expandir para um site. Ouvinte de rock/metal desde os 15 anos, nunca foi suficiente só ouvir aquela música, mas era preciso debater sobre, destrinchar a obra, daí surgiu a vontade de escrever que foi crescendo e chegando a lugares como o Whiplash, Headbangers Brasil, Headbangers News, 80 Minutos, Gaveta de Bagunças e outros, até ter sua própria casa!

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