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Bill Ward visita museu do 11 de Setembro e revela o que finalmente trouxe paz ao baterista

Bill Ward compartilhou detalhes de sua primeira visita ao National September 11 Memorial & Museum, em Manhattan, e o que encontrou no local. O baterista do Black Sabbath falou sobre a experiência durante sua edição de setembro do programa “LA Radio Sessions”, ao lado de Mike Stark, dias antes de os ataques completarem 25 anos nesta sexta-feira.

Ao relembrar a visita, Ward destacou o cuidado com que o espaço foi construído para preservar a memória do evento.

“Bem, nós fomos até lá. E o motivo pelo qual eu quis ir foi para ver — porque eu nunca tinha ido ao museu, que é fantástico, a forma como organizaram tudo para que nunca esqueçamos. É maravilhoso. Eu me senti muito triste, obviamente, ao passar por ali, e teve momentos bem sombrios lá dentro. Eu estava com familiares que — isso ajudou muito, passar por aquilo.”

Para o músico, o elemento que trouxe algum conforto em meio à experiência foi a água.

“A maior coisa que eu senti que me trouxe paz de espírito foi ver como construíram as cachoeiras que caem até o infinito. Elas caem até o infinito. E eu acho que essa é uma graça tão bonita, porque se elas não parecessem cair até o infinito, ou se caíssem em outro lugar qualquer, eu não teria encontrado um ponto de parada para mim. Mas quem quer que tenha projetado aquilo criou essas pequenas cachoeiras, essas pequenas cachoeiras, e depois a grande cachoeira que simplesmente vai até o infinito. E fizeram exatamente isso para a primeira e a segunda torre.”

Ward relatou ter permanecido bastante tempo junto às piscinas do memorial.

“Para ser sincero com você, eu fiquei ali por um bom tempo, fiz orações e chorei. É difícil não chorar. Mas eu voltei de Nova York com uma certa paz de espírito, porque eu não tinha ideia de como eles resolveriam aquilo. Como você resolve algo assim? E eu sei que isso nunca pode ser totalmente resolvido, mas pelo menos eu acho que, como os nova-iorquinos sempre fazem, eles deram o melhor de si. Eles realmente correspondem, não há dúvida sobre isso. E então o que finalmente me trouxe consolo foi ver os dois locais onde ficavam as Torres Gêmeas, com as cachoeiras caindo até o infinito. E eu senti que finalmente tinha completado minha jornada de ir até lá e ver o que realmente aconteceu.”

O efeito ao qual Ward voltou repetidamente durante o relato é justamente aquele em torno do qual o arquiteto responsável concebeu todo o memorial.

O local ocupa oito dos 16 acres do complexo original do World Trade Center. Suas duas piscinas, cada uma com quase um acre, estão posicionadas exatamente sobre as fundações das Torres Norte e Sul. A água cai 30 pés por todos os quatro lados até uma bacia quadrada — formando as maiores cachoeiras artificiais da América do Norte — e depois desce mais 20 pés até um vazio central menor, no meio de cada piscina. É essa segunda queda que Ward descreve como “cair até o infinito”.

Michael Arad, cujo projeto “Reflecting Absence” foi escolhido em janeiro de 2004 entre mais de 5 mil propostas enviadas de todo o mundo, e desenvolvido em parceria com o arquiteto paisagista Peter Walker, já declarou que as piscinas representam “a ausência tornada visível”. A água é despejada continuamente nos vazios centrais, sem nunca preenchê-los por completo. O memorial foi inaugurado em 11 de setembro de 2011, exatamente dez anos após os ataques. Já o museu percorrido por Ward abriu as portas em maio de 2014.

Gravados nos parapeitos de bronze ao redor das duas piscinas estão os nomes das 2.983 pessoas mortas nos ataques de 2001 e no atentado ao World Trade Center em 1993.

Os nomes não seguem ordem alfabética. Eles estão agrupados de acordo com onde as vítimas estavam e o que faziam naquele dia. A Piscina Norte reúne os nomes das pessoas mortas na Torre Norte, a bordo do voo 11 e no atentado de 1993. Já a Piscina Sul reúne os socorristas, além das vítimas da Torre Sul, do voo 175, do Pentágono, do voo 77 e do voo 93.

Dentro desses agrupamentos, a disposição segue o que o memorial chama de “adjacências significativas”. Colegas de trabalho estão posicionados lado a lado, assim como equipes de tripulação e unidades de socorristas. Durante o processo de concepção do projeto, as famílias das vítimas foram convidadas a solicitar que o nome de um parente fosse posicionado ao lado de outra pessoa específica. Assim, pessoas que tinham алгumaconexão em vida foram gravadas lado a lado.

Cerca de 400 carvalhos-brancos-do-pântano ocupam a praça ao redor das piscinas — uma espécie nativa dos três locais atingidos pelos ataques: a cidade de Nova York, Arlington, na Virgínia, e o condado de Somerset, na Pensilvânia. Entre eles, uma única árvore de espécie diferente se destaca: uma pereira Callery, resgatada dos escombros em outubro de 2001, tratada e recuperada pela equipe de parques de Nova York e replantada na praça. Ela é conhecida como a “Árvore Sobrevivente”.

Ward se reuniu a Ozzy Osbourne, Tony Iommi e Geezer Butler no palco da Villa Park, em Birmingham, em 5 de julho de 2025, para o show “Back To The Beginning” — a primeira apresentação da formação original do Black Sabbath desde 2005, e também a última. Osbourne morreu em 22 de julho de 2025.

Aos 78 anos, Ward segue apresentando mensalmente seu programa na rádio “99.1 KLBP-FM”, em Long Beach, na Califórnia, que voltou ao ar ao lado de Stark em 2025, após um intervalo de sete anos. O baterista também tem material solo pronto, com um álbum já na etapa de masterização e outros três na fila.

Marcio Machado

Formado em História pela Universidade Estadual de Minas Gerais. Fundador e editor do Confere Só, que começou como um perfil do instagram em 2020, para em 2022 se expandir para um site. Ouvinte de rock/metal desde os 15 anos, nunca foi suficiente só ouvir aquela música, mas era preciso debater sobre, destrinchar a obra, daí surgiu a vontade de escrever que foi crescendo e chegando a lugares como o Whiplash, Headbangers Brasil, Headbangers News, 80 Minutos, Gaveta de Bagunças e outros, até ter sua própria casa!

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