Alex Lifeson revela por que abandonou a maconha após 20 anos antes do retorno do Rush
O guitarrista Alex Lifeson, do Rush, revelou o motivo que o levou a abandonar a maconha depois de cerca de duas décadas de uso regular. Segundo o músico, a decisão aconteceu em um momento particularmente importante de sua carreira: enquanto ele se preparava para o tão aguardado retorno do Rush aos palcos.
Em entrevista à Rolling Stone, Lifeson explicou que a maconha já havia sido uma ferramenta que considerava útil durante seu processo criativo, especialmente dentro do estúdio. No entanto, com o passar dos anos, ele começou a perceber que o hábito também estava afetando sua concentração e, principalmente, sua percepção sobre a própria capacidade como guitarrista.
O músico afirmou que gostava dos efeitos criativos proporcionados pela maconha, mas passou a notar uma diferença significativa em sua execução quando tocava sob seus efeitos.
“Eu realmente gostava de fumar maconha. Sabe, comecei a fumar maconha quando era adolescente, e passei por períodos em que não fumava, mas certamente nos últimos, não sei quantos, uns 20 anos, tenho sido um fumante de maconha bastante regular. No estúdio, eu gostava porque percebia que isso despertava uma criatividade diferente do mundo convencional. Mas nunca senti que a execução fosse tão boa quanto quando eu não fumava maconha. E isso não importava muito, porque em alguns dos projetos em que eu estava trabalhando… eu percebia que, quando eu tocava, não tocava tão bem. Quer dizer, eu tocava todas as noites, mas não sentia que estava tocando tão bem, e pensei que talvez a maconha estivesse interferindo nisso.”
A situação começou a incomodar ainda mais Lifeson conforme o retorno do Rush se aproximava. A expectativa em torno da reunião da banda fez com que o guitarrista passasse a questionar se estava realmente preparado para enfrentar novamente as exigências de tocar ao vivo.
Segundo ele, a questão deixou de ser apenas uma preocupação relacionada à performance musical e passou a envolver sua confiança e sua capacidade de manter o foco.
“Mas comecei a ter sentimentos negativos em relação à minha confiança e ao que nos aguardava, e a pensar que estávamos apenas na metade do processo e que era tarde demais para abandonar esse navio que estava cruzando o mar em alta velocidade. Pensei que isso estava interferindo no funcionamento do meu cérebro e no tipo de foco e disciplina que, de repente, eu realmente queria ter na minha vida.”
Lifeson jogou fora toda a maconha e os cachimbos
Depois de perceber que precisava mudar seus hábitos, Lifeson tomou uma decisão definitiva. Na manhã seguinte, começou a procurar e jogar fora tudo o que estava relacionado ao consumo de maconha.
O guitarrista contou que chegou a encontrar alguns baseados pré-enrolados que quase decidiu guardar, mas acabou entendendo que isso contrariaria sua própria decisão.
“Levantei na manhã seguinte, fui ao banheiro e peguei todos os meus potinhos de maconha e os cachimbos, joguei tudo num saco de lixo. Depois fui para a cozinha, peguei todos os meus cachimbos na gaveta e joguei tudo em cima da maconha de novo. Aí fui para o estúdio… Olhei para um pacote de baseados pré-enrolados e pensei: ‘Nossa, gostei bastante. Talvez eu guarde esses.’ Mas aí pensei: ‘Al, essa não é a ideia!’ Então joguei tudo fora.”
A limpeza, entretanto, não terminou dentro de sua própria casa. Lifeson revelou que possuía diferentes esconderijos onde guardava objetos relacionados ao hábito e decidiu eliminar tudo.
“Eu fui a todos os meus esconderijos… era um saco de lixo como este, cheio de cachimbos e bongs. Todos os meus amigos disseram: ‘Por que você jogou fora? Você podia ter me ligado!’ E outro dia eu estava no palco pensando: ‘Graças a Deus eu não fumo mais maconha’.”
A declaração mostra o quanto a decisão passou a estar ligada ao novo momento vivido pelo Rush. Depois de anos afastada dos palcos, a banda voltou a se preparar para uma série de apresentações que rapidamente superou as expectativas iniciais.
Retorno do Rush ganhou proporções maiores
O retorno do Rush começou com uma previsão de apenas 22 apresentações para a etapa de 2026 da turnê “Fifty Something”. No entanto, os ingressos se esgotaram quase imediatamente, levando os organizadores a ampliarem consideravelmente o calendário.
O que inicialmente seria uma sequência de 22 shows acabou transformado em uma agenda de 58 apresentações em 24 cidades.
E no ano que vem é hora do Brasil conferir esse retorno. O trio passa por diversas capitais do país, incluindo duas noites em São Paulo.
