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Geddy Lee revela bastidores dos ensaios do Rush e como lidava com erros

Geddy Lee, vocalista e baixista do Rush, falou sobre os desafios enfrentados durante os ensaios para a atual turnê da banda, especialmente no processo de adaptação da baterista Anika Nilles e do tecladista Loren Gold ao complexo repertório do grupo.

Segundo Lee, um dos principais desafios foi revisitar músicas que não eram executadas ao vivo havia mais de uma década. O músico também fez questão de destacar que os erros durante os ensaios não foram cometidos apenas pelos novos integrantes.

“Nós cometemos tantos erros quanto a Anika, e isso a deixava feliz toda vez que ensaiávamos. E agora todos nós temos essas expressões quando estamos cometendo um erro no estúdio ou em qualquer outro lugar: simplesmente olhamos uns para os outros, tipo: ‘Droga, cometemos um erro.'”

Geddy Lee tranquilizou Anika Nilles antes da turnê

Lee contou que procurou tranquilizar Nilles e Gold antes do início da turnê, lembrando aos dois que errar seria inevitável diante da complexidade das músicas do Rush.

“Uma das coisas que eu disse a ela e ao Loren antes do início da turnê foi: ‘Olha, essas são músicas complicadas. Vocês vão cometer um erro.’ Não se trata do erro. Trata-se de como você se recupera do erro. Então, simplesmente toque. Continue tocando e não se preocupe. Pode haver um obstáculo no caminho, mas vamos contorná-lo e continuar. E acho que isso os ajudou a relaxar um pouco, porque são arranjos assustadores.”

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“Se você não escreveu, precisa aprender”

A dificuldade aumenta porque as músicas do Rush possuem estruturas pouco convencionais, segundo Lee. Para quem participou da composição, as partes acabam sendo assimiladas de maneira muito mais natural.

“Elas são muito complicadas e, se você não as escreveu, precisa aprendê-las, e é muito diferente. Quando você escreve uma parte, ela automaticamente está no seu DNA. Você a entende de dentro para fora. Mas quando você chega para aprendê-la como alguém de fora, tenta dividi-la de acordo com as leis da música, e nossas músicas não seguem estritamente as leis da música. Então, pode ser muito intimidante e desafiador.”

“A Farewell to Kings” foi um dos maiores desafios

Um dos exemplos citados por Geddy Lee foi “A Farewell to Kings”, faixa-título do álbum de 1977. O músico lembrou especificamente da dificuldade encontrada por Anika Nilles para entender a complexa seção central da composição.

“Acho que a Anika gostou de poder trabalhar pessoalmente e resolver aquelas partes. Lembro quando conversamos sobre aprender ‘A Farewell To Kings’, e havia aquela seção central assustadora…”

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Nilles, conhecida por sua abordagem extremamente técnica, tentou compreender a passagem por meio das diferentes fórmulas de compasso. Lee, por outro lado, explicou que seu próprio método para aquela música sempre foi muito mais intuitivo.

“Ela é muito matemática, então estava dividindo tudo em compassos e eu dizia: ‘Bem, eu simplesmente toco o riff repetidamente até acabar.'”

Lee então incentivou a baterista a analisar a música da maneira que fizesse mais sentido para ela, antes de juntar o conhecimento técnico ao modo como ele e Alex Lifeson executam a composição.

“Eu disse: ‘Não se preocupe. Descubra: 6/8, 7/8, o que quer que você ache, um compasso de quatro aqui. Descubra. Quando você se juntar ao Alex e a mim, vamos tocar isso juntos e vai se tornar algo natural para você.’ E é assim que isso se encaixa. Acho que isso a ajudou a relaxar um pouco, sabendo que seus dois tios malucos estão lá fora e estão cuidando dela. ‘Estamos com você. Não se preocupe. Vamos ajudá-la a passar por todas as partes difíceis.'”

Anika Nilles chegou ao Rush após trabalhar com Jeff Beck

A escolha de Anika Nilles para assumir a bateria do Rush não aconteceu por acaso. A musicista construiu uma sólida reputação no fusion e no rock progressivo, incluindo seu trabalho ao lado do lendário guitarrista Jeff Beck.

Foi justamente essa experiência que colocou Nilles no radar de Geddy Lee. O músico já contou que ouviu falar sobre o talento da baterista por meio de outras pessoas e ficou imediatamente impressionado com o que ouviu.

A aproximação levou a um teste discreto no Canadá. Lee, porém, preferiu não tratar o encontro como uma audição tradicional, já que naquele momento o Rush ainda não tinha certeza se voltaria aos palcos.

A parceria acabou se concretizando quando a banda anunciou a Fifty Something Tour, primeira série de shows do grupo desde a morte do baterista Neil Peart.

Além de Nilles na bateria, Loren Gold passou a ocupar a função de tecladista durante as apresentações. Os dois assumiram posições que anteriormente eram ocupadas pelos integrantes originais da formação clássica.

Rush retorna ao Brasil em 2027

Em 2027, o Rush vem ao Brasil pela primeira vez com a sua atual formação. A banda se apresentará em diversas capitais do país, incluindo duas noites em São Paulo, onde sobem ao palco no NuBank Parque. Os ingressos estão disponíveis no site da Eventim.

Foto: Richard Sibbald

Marcio Machado

Formado em História pela Universidade Estadual de Minas Gerais. Fundador e editor do Confere Só, que começou como um perfil do instagram em 2020, para em 2022 se expandir para um site. Ouvinte de rock/metal desde os 15 anos, nunca foi suficiente só ouvir aquela música, mas era preciso debater sobre, destrinchar a obra, daí surgiu a vontade de escrever que foi crescendo e chegando a lugares como o Whiplash, Headbangers Brasil, Headbangers News, 80 Minutos, Gaveta de Bagunças e outros, até ter sua própria casa!

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